Calha


Frank Cho e seus desenhos censurados

Shanna, por Frank ChoFrank Cho, do alternativo Liberty Meadows, é um ótimo desenhista. Escreve bem, especialmente comédia. E ele também trabalha com super-heróis. Afinal, é um ótimo desenhista, acima da média.

Li esta semana no Omelete que Frank Cho enfrentou sua terceira censura na Marvel. A primeira foi em 2004, quando ele fazia a minissérie da Shanna, em que a personagem principal apareceria pelada. A editora, de última hora, mandou que ele "cobrisse" onde ela estivesse "descoberta" demais. Essa minissérie saiu aqui no Brasil, nos primórdios da revista "Marvel Max". Divertida. Mas certamente não teria recebido tanta atenção não fosse este episódio.

Homem-Aranha e Mary Jane, por Frank ChoA segunda foi ano passado, quando Cho fez uma das capas da centésima edição de "Ultimate Spider-Man" (do Homem-Aranha). Na capa original, o Homem-Aranha, de uniforme, aponta para sua mulher, Mary Jane Watson Parker, entrando seminua no banho e diz para o público: "Eu posso ser um perdedor, mas eu que fico com a supermodelo no final". Mary Jane responde: "Com quem você está falando, Peter?".

A edição teve cem capas, e a desenhada por Cho foi publicada normalmente. No entanto, no livro que a editora Marvel lançou compilando as cem capas, a ilustração de Cho saiu com um "retoque": uma toalha encobrindo as nádegas da senhora Homem-Aranha.

Feiticeira Escarlate e Wolverine, por Frank ChoE agora, em pleno 2008... Cho fez uma capa alternativa para "Ultimates III" nº 3 em que Wolverine e Feiticeira Escarlate aparecem à vontade. À vontade demais para a Marvel. Segundo o Omelete, citando o Lying in the Gutters, a Marvel optou por publicar uma capa menos sensual.

Publico neste post três ilustrações censuradas de Cho. Para mim, não há transgressão nenhuma por parte dele: são desenhos provocantes, que depois ele muda. E só. Bem diferentes de censuras mais marcantes no mundo dos quadrinhos de super-heróis, como o Monstro do Pântano de Rick Veitch, o John Constantine de Warren Ellis e o Authority de Mark Millar e Frank Quitely. Mas estas são outras três histórias, para três futuros posts. Por ora, fiquemos com os belos (e até certo ponto ousados) desenhos de Frank Cho.



Categoria: Conceitos
Escrito por Brasil Bonilla às 23h39
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Os humanos tão humanos de Palomar

Paixões não correspondidas, casamentos, divórcios, um jovem preso, a dor do desemprego, pessoas em crises, amores, mágoas e amizades. Conhece “Love and Rockets”?

Heráclio e Carmen em capa de edição norte-americana de Lova and Rockets“Love and Rockets” é uma revista que, na primeira edição, teve 50 números, publicados de 1981 a 1996. A segunda série teve 20 números, de 2001 a 2007.

E daí?

Daí que a revista trazia histórias excelentes. Os artistas são dois irmãos, Gilbert e Jaime Hernandez, cada um tocando suas histórias. (Mario Hernandez, também irmão, colaborava).

Eu tenho uma coisa a dizer: eles são muito bons. Principalmente nas histórias. Humanas, humanas. Gilbert, meu predileto, escreve sobre Palomar, um vilarejo pobre em algum lugar da América Latina. Lá não há televisão ou telefone, mas há coração. Pessoas com histórias, de finais felizes ou não - na verdade, quase sempre sem finais. A vida vai seguindo, os personagens estão ali, evoluindo.

As histórias de Palomar normalmente são curtas: dez páginas, em média. E como possui um "elenco" fabuloso de tão humano, Gilbert pode variar, alterando o personagem-narrador de uma história para outra... E sempre conseguindo belíssimas narrações.

Tudo é importante em Palomar. Afinal, vivem lá seres humanos, como você e eu. E alguns fatos, às vezes, são narrados repetidas vezes. Mas nunca da mesma maneira: mudando o narrador, muda também a interpretação do fato, ou até a importância dele. Algo que pode render uma história inteira na voz de um habitante de Palomar pode virar uma cena de apenas um quadrinho para outro personagem.

Qual o segredo de Palomar e, por extensão, de “Love and Rockets”? Excelentes roteiros, mas não só.

Humanidade.



Categoria: Publicação
Escrito por Brasil Bonilla às 20h29
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Um Batman feito de... Lego

Não sei se enquandra exatamente em um fan filme, mas acho que sim. "Batman: Revenge", de Jonathan Markiewitz, é ótimo. Antes de tudo, por trazer uma história do Batman, com início, meio e fim totalmente protagonizada por... Legos.

Além disso... Há vários elementos do universo do Batman muito bem retratados: o Asilo Arkham, Bruce Wayne em sua mansão, o Batsinal, Batman se aproximando da câmera até sumir e só ficar a capa, o inimigo desconhecido do qual só é possível ver a sombra, o seqüestro de um ente querido do Batman, armadilhas mortais, a versão Lego do "batmóvel", o "batsinal"... Divertido, muito divertido. :-)

Não dá para colocar o vídeo aqui, então deixo a URL: http://www.youtube.com/watch?v=h4mRka1PP1g



Categoria: Fanfic
Escrito por Brasil Bonilla às 22h56
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Fan film do Questão, última parte

Esta é a terceira e, até onde eu sei, última parte da série de fan films "The Question". Após os espisódios um e dois, temos o seguinte: o Questão descobriu que o Besouro Azul não morreu, como fora publicado. Os dois estão vivos e têm pela frente uma enorme conspiração a desvendar.

Nos quadrinhos da DC Comics, o Besouro Azul continua morto. Aliás, o Questão também morreu. Ambos foram substituídos por jovens sucessores.

Mas isso é nos quadrinhos. Na cabeça dos fãs, ninguém pode controlar.

Abaixo, o terceiro episódio (em inglês) de The Question:

 



Categoria: Fanfic
Escrito por Brasil Bonilla às 00h18
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O Questão, segunda parte

O Besouro Azul está morto. E os fãs não estão satisfeitos com isso.

Assim, foi criada a série de fan films "The Question" (O Questão). Ela parte das histórias publicadas pela DC Comics, mas tenta, mais do que reinterpretar, "corrigir" decisões editorias "erradas" da DC.

No primeiro episódio, o Questão investigava uma enorme conspiração orquestrada pelo Xeque-Mate, órgão internacional que deveria existir para preservar a segurança mundial, mas que tem atacado os super-heróis.

O Xeque-Mate estaria ligado à morte do Besouro Azul, e o Questão está investigando. O fan film está em inglês.



Categoria: Fanfic
Escrito por Brasil Bonilla às 00h25
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O Questão, na visão de um fã

O Questão é um personagem ótimo. Surgiu na Charlton Comics, que foi incorporada pela DC Comics. Com seu "não-rosto" e suas habilidades de detetive, vira um misto de mistério, raiva e potencial agressivo bem direcionados. Ele surgiu em 1967, como coadjuvante do Besouro Azul, criado por Steve Ditko (co-criador do Homem-Aranha, com Stan Lee). Rorschach, personagem da espetacular série "Watchmen", é inspirado nele.

Abaixo está o primeiro capítulo da série "The Question". Até onde eu sei, só três capítulos já feitos. A história começa assim: o Besouro Azul morreu, mas o Questão não aceita e resolve investigar. Vale ver... Infelizmente, está em inglês.



Categoria: Fanfic
Escrito por Brasil Bonilla às 00h31
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Sou fã de fanfics

Uma das partes mais importantes nas histórias em quadrinhos, na minha opinião, é... o leitor.

É ele quem completa a história na sua mente, quando passa de um quadrinho a outro (o espaço entre esses quadrinhos é a calha - daí o nome deste blog).

E tem leitor para tudo: o que fecha a HQ e já nem lembra mais o que leu; o colecionador; o que questiona as decisões editoriais etc. etc. etc.

E há os leitores que homenageiam seus personagens criando histórias para eles. Pode ser em forma de quadrinhos, filmes, contos etc. São os chamados fanfics (o termo vem de "fan fiction", ficção feita pelo fã). A idéia, quase sempre, é retomar a essência do personagem, recuperar o principal deles. Em muitos casos, há também homenagens a fases específicas dos personagens.

E em poucos casos os fãs tentam "ir além". Criar algo diferente. Quase dizendo: se eu fosse a editora, é por aqui que eu iria.

Muitos criam trailers para um dia, quem sabe, transformarem em um filme.

Uma fã norte-americana fã da DC Comics, por exemplo, escreveu um conto em que narrava a primeira vez de Dick Grayson (o primeiro Robin) e Donna Troy (ex-Tróia, ex-Moça-Maravilha, ex-Mulher-Maravilha). Seu nome e Devin K. Grayson e ela acabou sendo contratada pela DC, onde escreveu histórias ótimas (mesmo!).

Vou procurar postar aqui alguns fanfics, em qualquer forma (HQs, filme ou prosa), que eu achar interessante, diferente, original, divertido... Quando um cara é fã a ponto de fazer um fanfic, normalmente ele é bem apaixonado pelo personagem. E costumam sair coisas ótimas.

E algum dia, quem sabe, postarei até um fanfic feito por mim.



Categoria: Fanfic
Escrito por Brasil Bonilla às 23h45
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Um trailer do 'filme' do Besouro Azul

Há uma produtora, nos Estados Unidos, chamada Blinky Productions. Ela investe em fan films. Tem dezenas.

Há umas série da qual eu gostei muito, apesar de só ter visto três episódios (não sei se o quarto chegou a ser feito). Chama-se "The Question" (o Questão).

Nos quadrinhos da DC Comics, o Besouro Azul foi assassinado por Maxwell Lord, em uma história meio confusa e intricada que iria culminar na saga "Crise Infinita". Tanto o Besouro como o Questão são ótimos personagens da DC, super-heróis sem poderes, mas com personalidades bem definidas.

Nesta série, o Questão investiga a morte do Besouro. A série começa a partir da morte do Besouro nas HQs. Ou seja: é como se tudo que tivesse acontecido nos quadrinhos até Maxwell Lord assassinar o Besouro fosse um prelúdio dessa história.

Vou postar estes três capítulos aqui no blog nos próximos dias. Antes, entretanto, um trailer feito pelos mesmos produtores de "The Question" para aquele que seria um longa-metragem do Besouro Azul. Está anunciado para breve... assim que eles conseguirem financiamento. :-)

O trailer, infelizmente, está em inglês.



Categoria: Fanfic
Escrito por Brasil Bonilla às 23h45
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Morre ator que vive o Coringa em filme inédito do Batman

O australiano Heath Ledger, que vive o Coringa no ainda inédito "Batman - The Dark Knight" (Batman, o cavaleiro das trevas) foi encontrado morto hoje, 22 de janeiro. Ledger tinha 28 anos.

As causas da morte são desconhecidas. Nunca vi um filme com ele (nem "O Segredo de Brokeback Mountain" ou "Os Irmãos Grimm"), mas o Coringa dele, a julgar pelo trailer, é impressionante.

O Coringa é um personagem fantástico. Jerry Robinson, na minha opinião, teve uma grande sacada ao transformar uma figura tão onipresente quanto um palhaço e adaptá-lo ao universo do Batman. As duas interpretações do Coringa anteriores (Roger Stoneburner como o Coringa no seriado "Birds of Prey" foi curto demais, nem dá para dizer alguma coisa) foram calcadas na comédia: o humor nonsense Cesar Romero no seriado de TV estrelado por Adam West e o humor cínico de Jack Nicholson no primeiro filme do Morcego dirigido por Tim Burton.

Este Coringa de Heath Ledger, a julgar pelo trailer, me parece ser o primeiro... assustador. Me lembra o Coringa de Alan Moore e Brian Bolland em "A Piada Mortal". Fica aqui, pois, minha homenagem a Ledger.

É a voz dele no início do trailer abaixo (de "The Dark Knight"):



Escrito por Brasil Bonilla às 23h28
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As coincidências entre Twilight e Reino do Amanhã

Há algumas coincidências entre "Twilight" ("crepúsculo"), o projeto não publicado de Alan Moore criado em 1987, e o ótimo "Reino do Amanhã", lançado em 1996, também pela DC Comics, com roteiro de Mark Waid e arte de Alex Ross:

- "Twilight" tem muito a ver com Ragnarok, o crepúsculo dos deuses da mitologia nórdica. "One legend in particular will be the main thematic drift of the storyline, this being the Norse legend of Ragnarok, twilight of the Gods", escreve Moore no projeto. "Reino do Amanhã" tem a mesma relação com o "Apocalipse", o último livro bíblico, que traz o fim do mundo como o conhecemos.

- Em "Twilight", a história se passa no futuro: 20 ou 30 anos. "Reino do Amanhã" também se ambienta no futuro: 10 anos, aproximadamente. Nos dois casos, é um futuro "hipotético" do Universo DC. Os personagens podem chegar a este futuro, ou não, dependendo apenas das decisões editorias.

- Em ambos, os super-heróis tomaram tal importância que ficaram acima das instituições e autoridades humanas. Em "Twilight", isso é mais radical: a América foi dividida em províncias, com clãs de super-heróis tomando contas de cada "província".

- Superman é uma figura central. Pela descrição de Moore, em "Twilight", é um personagem moralmente perturbado que não sabe o que fazer com o caos que o mundo se tornou. Em "Reino do Amanhã" ele tem o mesmo dilema, mas sabe o que fazer: foge. E fica anos isolado na fazenda em que cresceu.

- "Twilight": Superman se casa com a Mulher-Maravilha e tem dois filhos (o novo Superboy e a nova Supergirl). "Reino do Amanhã": Superman termina a história começando seu relacionamento com a Mulher-Maravilha, que fica grávida dele.

- "Twilight": Capitão Marvel é ainda mais perturbado que o Superman, "talvez por ter alter ego humano". Em "Reino do Amanhã", o alter ego do Capitão Marvel é crucial para o desfecho da história e um personagem tão instável que o tempo todo não se sabe de que lado ele vai ficar: dos humanos, dos super-heróis ou da equipe formada por Batman.

- "Twilight": um dos pontos centrais da história é o bar Sandy's Place, que pertence a uma ex-heroína (Lady Fantasma) Em "Reino do Amanhã", um dos pontos centrais é o restaurante Planeta Krypton, pertencente a um ex-super-herói (Gladiador Dourado).

- Em "Twilight", tudo leva a crer que o grande confronto será entre a Casa de Aço, liderada por Superman, e a Casa do Trovão, liderada pelo Capitão Marvel. As visões do reverendo Norman McCay, em "Reino do Amanhã", apontam que o duelo central será entre... Superman e Capitão Marvel.

Coincidência?



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Escrito por Brasil Bonilla às 11h24
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O projeto de Alan Moore que a DC não quis publicar

Nem todo fã de quadrinhos é um colecionador. Eu me considero um. Não só das revistas impressas, mas de idéias e coisas relacionadas a HQs. E "Twilight" é, para mim, um item de colecionador.

Trata-se de um projeto entregue por Alan Moore à DC Comics em 1987. Moore estava no auge, havia acabado de publicar "Watchmen" e balançado as estruturas do gênero dos super-heróis. Além disso, ele tocava a revista mensal do Monstro do Pântano, criando histórias excelentes.

E a DC havia lançado "Crise nas Infinitas Terras", saga que envolvia todos os personagens da editora (todos mesmo!) e alcançado ótimo resultado. No ano seguinte houve "Lendas", não tão espetacular, mas bom.

"Twilight" ("crepúsculo") é um projeto de autoria de Moore que envolveria não todos, mas os principais personagens da DC. Seria dividido em 12 capítulos, como "Watchmen" (e como "Crise nas Infinitas Terras").

Por algum motivo, não foi publicado.

Para o projeto original, infelizmente, em inglês, clique aqui. Não lembro onde eu consegui, acho que no ótimo Alan Moore - Senhor do Caos (http://www.alanmooresenhordocaos.hpg.ig.com.br/).

Um pequeno resumo do projeto:

A história se passa no futuro: 20 ou 30 anos. Alguns heróis do futuro tentam avisar os heróis do presente do quão terrível o futuro está, e por que ele deve ser evitado. A América foi dividida em províncias, com clãs de super-heróis tomando contas de cada "província". Segundo Moore, é quase um "sistema feudal", dividido em "Casas".

"Casa do Aço": domina a América Oriental, principalmente ao redor de Nova York. É um dos dois clãs mais poderosos. Seu líder é o Superman. Além dele, fazem parte do clã a Mulher-Maravilha, que se casou com o kryptoniano e agora se chama Supermulher, e os dois filhos que ambos tiveram (o novo Superboy e a nova Supergirl).

"Casa do Trovão": domina a América Ocidental, a partir de Los Angeles. Capitão Marvel, Mary Marvel e afins. É o outro clã mais poderoso, junto com o Clã de Aço. Capitão Marvel e Mary Marvel, apesar de serem irmãos gêmeos, são casados e têm uma filha, Mary Marvel Jr. O Capitão Marvel Jr., que não é parente de nenhum deles, também faz parte do clã, e tem um caso secreto com a Mary Marvel. Os personagens que, assim como a família Marvel, eram da editora Fawcett (que foi incorporada à DC) habitam a área dominada por este clã.

"Casa dos Titãs": os Novos Titãs sobreviventes, agora adultos. O líder é o Asa Noturna, um personagem sem compaixão, quase um vilão. Entre seus comandados estão o Rapina Bélico (ex-Rapina), Cyborg, Quimera (ex-Mutano) e Ravena.

"Casa dos Mistérios": os místicos. Jason Blood, Espectro, Zatanna, Senhor Destino, Félix fausto e um amálgama do Barão Winter com o Deadman.

"Casa dos Segredos": os vilões sobreviventes. Lex Luthor, Coringa, Gorilla Grodd, Captain Frio, Mulher-Gato, Chronos, Estrela Safira e Doutor Silvana.

"Casa da Justiça": uma formação da Liga da Justiça Capitão Átomo, Besouro Azul, Aquaman 2 (ex-Aqualad), a nova Mulher-Maravilha (Donna Troy), Flash (Wally West) e uma nova mulher Flash, Slipstream (algo como "turbilhão", em português), Capitão Cometa e uma nova Doutora Luz.

"Casa do Amanhã": clã dos exilados de outras épocas, aprisionados pelo vilão Senhor do Tempo: Rip Hunter, Tommy Tomorrow, Space Ranger, Jonah Hex e alguns membros da Legião dos Super-Heróis. Haveria duas ou três versões, de épocas diferentes, de cada um desses heróis.

"Casa dos Lanternas": os Lanternas Verdes e todo e qualquer alienígena, como os thanagarianos, foram banidos da Terra. Superman, naturalizado norte-americano, pôde ficar. Exilados, os Lanternas que habitam uma das luas de Marte são: Guy Gardner, Carol Ferris e Sinestro (!), além do daxamita Sodal Yat e de Tomar Re.

Nem todos os super-heróis pertencem a clãs. Alguns estão "soltos", aposentados ou enlouquecidos: John Constantine, Lady Fantasma, Pequeno Polegar, Tio Sam, Falcão Negro, Homem-Borracha, Congorilla, Homens Metálicos, Homem-Robô, Arqueiro Verde, Canário Negro, Adam Strange e Questão. Ninguém sabe o que aconteceu ao Batman ou ao Sombra.

Há detalhes à la Alan Moore em tudo, como na morte do Capitão Marvel (morto durante um ato sadomasoquista com uma prostituta, que na verdade era Jonn Jonzz, o Caçador de Marte, disfarçado) e nas manipulações de John Constantine (que passa a perna até em Metron, um dos mais poderosos Novos Deuses).

Uma pena que não foi executado.

ps - há muitas coincidências entre "Twilight" e "O Reino do Amanhã", mas ficam para o post de sábado: aqui.



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Escrito por Brasil Bonilla às 02h16
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Angeli: “apenas beliscar a bunda do ser humano para ver se a besta acorda”

História em quadrinhos pode ser escapismo... Mas não necessariamente. É possível criar HQs com um pé na sociedade, sem desperdiçar os personagens e balões em histórias chatas e/ou puramente ideológicas ou as belas imagens que contam sempre a mesma história. E Angeli faz HQs e charges excelentes usando a sociedade como matéria-prima.

Quem ainda não leu uma tirinha do Chiclete com Banana, dê-se esta oportunidade.  Para quem queria, a princípio, “apenas beliscar a bunda do ser humano para ver se a besta acorda”, como escreveu no editorial do primeiro número de “Chiclete com Banana”, Angeli fez muito mais do que isso.

Em alguns de seus personagens, como o machão Bibelô, o pessimista Vodu, o hipocondríaco Hippo-Glós e os parados no tempo Wood & Stock, Angeli mostrou pequenas “espécies” deste reino animal inesgotável que é a humanidade – mais especificamente, deste jardim zoológico tão variado que é o Brasil.

Seus personagens são facilmente identificáveis nas ruas. Quem não tem vê, por aí, tipos como a fogosa Rê Bordosa e o mala-sem-alça do Walter Ego? No fundo, no fundo, o Angeli me parece um crítico social, um “ombudsman da classe urbana”, um desses caras que vai num bar, num restaurante ou num clube, e fica sentado, quieto em um canto, observando quem ele vai poder satirizar nas próximas histórias.

Nas tiras políticas, o sarro fica maior. Não acho que as HQs devam ser totalmente engajadas – assim como não acho que devam ser veículos somente de super-heróis voadores, de cenas de sexo ou de adaptações de livros ou filmes. Longe disso: tem espaço para tudo. E Angeli tem acertado quando atira tanto na cotidiano da sociedade (as tiras e HQs reunidas sob o nome Chiclete com Banana) como na política (com suas charges). “Dar um tapinha na esquerda e outro na direita” política do país, resume Angeli na introdução do livro “FHC - Biografia Não Autorizada”.

As charges de Angeli, publicadas na página 2 da “Folha de S.Paulo”, estão cada vez melhores. Merecem um livro, ou uma antologia. São sintéticas, opinativas, engraçadas. Vão direto ao ponto. Acho até que a “Folha”, vez ou outra, poderia inovar e arranjar mais espaços para Angeli criticar a sociedade, e não apenas aquele espaço fixo na segunda página.

Charges do Angeli: a cobertura política da imprensa brasileira ganha muito com elas.

ps - E não só com elas: o Brasil possui ótimos chargistas... Mas isso fica para um próximo post.
ps2 - Site não oficial do Angeli: http://www2.uol.com.br/angeli/



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Escrito por Brasil Bonilla às 23h03
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Oscar Kern morre aos 72 anos

Quando eu era criança, era fã, antes de tudo, dos personagens. Senhor Fantástico, Homem-Aranha, Super-Homem.

Depois, passei a me interessar mais por quem estava por detrás deles: escritores, desenhistas, editores. Pessoas que colocavam as histórias em quadrinhos para funcionar.

E, no último dia 12 de janeiro, morreu em Porto Alegre, aos 72 anos, um homem de grande importância para as HQs nacionais: Oscar Kern.

Fã com vontade e energia para ser mais do que um fã, Kern lançou em 1972 o primeiro número do fanzine "Historieta". Um fanzine, por si só, já é algo valioso. Criado por amor e  dedicado a autores, a personagens ou a uma mídia, caso da criação de Kern, voltada, de muitas maneiras, às histórias em quadrinhos.

"Historieta" tinha de 28 até 128 páginas por edição e trazia matérias, classificados, entrevistas e HQs criadas aqui no Brasil - Watson Portela, Mozart Couto, Emir Ribeiro, Renato Canini e o próprio Kern, que também era roteirista e trabalhou para a Disney Brasil.

Não tive o prazer de conhecê-lo em vida, mas ainda tenho muito a aprender com ele. Pelo o que ele deixou para trás em "Historieta" e em outro grande fanzine de sua autoria, o "Confraria dos Dinossauros". São fanzines que ensinam muito sobre quadrinhos. Mais do que isso: ensinam que a paixão (por quadrinhos, neste caso, mas poderia ser por teatro, um esporte, um país etc.) pode ser usada, com energia, para dar um passo além.

Não sei se algum dia vou conseguir direcionar minha paixão por histórias em quadrinhos como gostaria, mas vejo em Kern um exemplo e tanto.

ps - um dossiê sobre Oscar Kern no excelente Neorama: http://neorama2.blogspot.com/2008/01/adeus-oscar-kern-o-neorama-dos.html
ps2 - um ótimo especial sobre o Historieta, do Universo HQ: http://www.universohq.com/quadrinhos/2007/Historieta.cfm
ps3 - última entrevista concedida por Kern, publicada no Blog do Tex, de Portugal, no dia de sua morte: http://texwiller.blog.com/2522331/
ps4 - Os fanzines, criados sem intenção de lucro, mas apenas para direcionar uma paixão, uma admiração, são, para mim, admiráveis. Ainda pretendo pesquisar e aprender mais sobre os fanzines. Amanhã (terça), a britânica BBC Radio 4 vai exibir um programa especial sobre fanzines apresentado pelo músico e ator escocês David Tennant (que interpreta desde 2005 o protagonista do seriado "Doctor Who") e pelo músico inglês Jarvis Cocker, da banda Pulp. O nome do programa é "Zine Scene". Vou tentar ir atrás; peguei a informação no blog Forbidden Planet International: http://forbiddenplanet.co.uk/blog/?p=6192



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Escrito por Brasil Bonilla às 23h40
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Mudar tudo na cronologia do Homem-Aranha: babaquice da editora, recurso válido com o personagem ou subestimar o leitor?

O Homem-Aranha não é mais o mesmo. A partir deste mês, a revista do "Amigão da Vizinhança" traz tantas mudanças que foi necessário um pôster-explicação de duas páginas dizendo o que "vale" e o que "não vale" a partir de agora nas histórias do personagem.

Como assim?

A história é complicada e só deve chegar ao Brasil em 2009. Por isso, está narrada no parágrafo abaixo, em letras brancas. Se você não se importar com spoiler (revelação de um fato importante antes do tempo) e quiser saber, passe o mouse sobre o parágrafo abaixo. Senão, aguarde a publicação da saga "One More Day" (um dia a mais) no Brasil e pode pular para o parágrafo seguinte sem problemas.

(Início do spoiler)

Capa de Amazing Spider-Man nº 544, revista em que começou a saga One More Day, em que começa essa zona toda que vão fazer com o Homem-Aranha

 A tia May estava morrendo. Para salvá-la, o Homem-Aranha fez um pacto com o demônio. Há muitos "demos" no Universo Marvel, e ele escolheu Mefisto (o mesmo demônio que fez o pacto com Fausto, talvez uma homenagem). Mefisto salvou a tia May reformulando a realidade. Agora, a tia May não sabe mais que Peter Parker é o Homem-Aranha. Aliás, ninguém mais sabe. O mundo se lembra de que o Homem-Aranha revelou sua identidade, mas ninguém sabe qual é esta identidade. Mais: ele nunca se casou com Mary Jane. A filha dos dois, por extensão, também nunca nasceu. E o Homem-Aranha voltou a ter disparadores artificiais de teia, em vez da teia orgânica que vinha exibindo atualmente.

(Fim do spoiler)

Ou seja, numa pincelada "mágica", a Marvel "reconstruiu" o contexto do personagem. Mudou tudo o que não gostava, simplesmente apagando. Há leitores sugerindo boicotes às revistas do Aranha em protesto.

Afinal, é tão ruim assim uma canetada como essa? Quais seriam as outras opções?

Há várias. Um caminho, mais longo, é provocar mudanças aos poucos, respeitando o universo ao redor do personagem e sem "apelação". Isso acontecia com o homem-Aranha pré-"Saga do Clone". Um personagem da importância dele teve mudanças importantes, como

- sua namorada (Gwen Stacy) foi assassinada por um inimigo que conhecia sua identidade secreta
- a mudança para o uniforme preto (e orgânico, como se descobriria depois)
- ele, que foi retratado a vida inteira como um esforçado estudante, abandonar a faculdade
- o namoro dele com uma vilã (Gata Negra)
- a morte de uma das mais cativantes coadjuvantes da Marvel, a detetive Jean DeWolff, na ótima história "O Devorador de Pecados"

Foram mudanças quase tão importantes quanto estas impostas de uma hora para a outra pela Marvel, mas viriam aos poucos, em doses "homeopáticas", como uma história bem planejada e bem contada. Sem pressa na execução. Afinal, a pressa é inimiga da perfeição.

Outro caminho, bem mais raro, é fazer como as séries japonesas: ir até o fim. Contar até o final da história do personagem. Depois, pode-se recomeçar de novo. Por exemplo: inventemos um herói, o Capitão Super de Ferro-X. Publica-se ele por anos, talvez mais de uma década. Quando ele está envelhecendo, quase morrendo, escolhe seu sucessor (Capitão Super de Ferro-X Kid ou algo parecido) e, enfim, aposentar-se ou morrer. Daí, a revista pode ser zerada e recomeçar com a história do sucessor ou a revista é zerada e recomeça contando uma nova e mais atualizada versão do mesmo Capitão Super de Ferro-X.

Os dois casos acima são raridade. A DC Comics fez isso em 1986, quando zerou a cronologia de seus personagens após o ótimo evento "Crise nas Infintas Terras". Mostrou, por exemplo, a morte do Superman (escrita pelo Alan Moore), a morte do Flash e o casamento e a morte da Mulher-Maravilha. Aí as histórias recomeçaram do zero.

Esse reinício foi ensaiado, sem muita convicção mais uma vez em 1994, com "Zero Hora: Crise no Tempo". As histórias não foram exatamente alteradas, apenas houve um número zero recontando a origem e as motivações dos personagens. Ou seja: noves fora, nada.

A DC começou aquela que seria sua "reformulação definitiva" em 2004, engatando um grande evento atrás do outro. Grande em marketing, porque de qualidade inconstante. Na ordem: "Crise de Identidade" e "Crise Infinita" (já publicados por aqui), "52" e "Um Ano Depois" (sendo publicados agora no Brasil) e a ainda inédita nos Estados Unidos "Final Crisis".

Antes de "Final Crisis", como preparação de terreno, está sendo publicada "Countdown to Final Crisis" (contagem regressiva para a crise final). A DC liberou dois pôsteres metafóricos para a Crise Final, um com os heróis e o outro com os vilões. Estas imagens trariam dicas do que iria acontecer. Abaixo, os pôsteres: 

A partir da esquerda, no alto: Grande Barda, Senhor Milagre 2 (Scott Free), Lanterna Verde 5 (Kyle Rayner), alguém com o uniforme que Robin (Dick Grayson) usou na série "O Reno do Amanhã" (com o nome Robin Vermelho), Arqueiro Verde, Batman e um Flash; no meio: Canário Negro 2 (Dinah Laurel Lance), Mulher-Maravilha (princesa Diana), Superman e Mary Marvel; embaixo: Besouro Azul 2 (Ted Kord), Maxwell Lord, Jade e Questão.

A partir da esquerda, no alto: um marciano, Coringa, Mulher-Gato, uma versão do Superman, Superciborgue e outra versão do Superman; abaixo: Vovó Bonda, Mary Marvel em versão "maligna", Eclipso 3 (Jean Loring), Lex Luthor, Trapaceiro 2 (Axel Walker), Dessad e Pingüim. A frase é "...e o Mal deve herdar a Terra".

A única pista da DC sobre "Final Crisis" (as imagens anteriores eram para "Countdown") é um pôster com a frase "Heróis morrem, lendas vivem para sempre". Faz pensar se eles vão encerrar este segundo ciclo de seus personagens, que começou em 1986 após "Crise nas Infinitas Terras" e iniciar um terceiro. Talvez.

Se for verdade, não vejo problema. Torço apenas, como leitor, fã e colecionador, que invistam em bons roteiristas, para que não façam embustes como este que a Marvel obrou com o Homem-Aranha.



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Escrito por Brasil Bonilla às 01h25
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O outro filme do Homem de Ferro

Dois grandes filmes devem sacudir os fãs de histórias em quadrinhos em 2008: o novo Batman e a primeira versão do Homem de Ferro em carne e osso, vivido por Robert Downey Jr.

O Homem de Ferro é um personagem e tanto: surgiu durante a Guerra do Vietnã, enfrentou inimigos asiáticos, o alcoolismo (em uma das melhores sagas de super-heróis dos anos 80, "O Demônio na Garrafa" e agora foi um dos dois protagonistas do grande evento Marvel em 2007, a Guerra Civil (que ainda está sendo publicada no Brasil).

Tanto o personagem como o filme merecem um olhar mais de perto. Por ora, um trailer de um outro "filme" do Homem de Ferro: "The Invincible Iron Man". Na verdade, é um fanfic, um filme feito por um fã sem autorização da Marvel (editora do personagem) ou da Paramount (produtora do filme).

Fanfics tendem a ser bem divertidos. Sem preocupação com lucros, roteiros aprovados pelo estúdio e direitos autorais, são "apenas" homenagem aos personagens. As aspas são merecidas: é difícil fazer boas homenagens a personagens, sejam eles de quadrinhos ou não. É preciso ter conhecimento e admiração dos personagens.

Os fanfics de personagens em quadrinhos em geral não fazem concessões: são respeitosos ao máximo. O trailer abaixo é bem curto e não diz muito sobre o que será o filme (que, espero, seja mesmo levado adiante). Mas vale ver.

PS - posts sobre o Homem de Ferro, o filme e mais fanfics... No futuro. :-)



Categoria: Personagem
Escrito por Brasil Bonilla às 00h35
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Brasileiros adaptam contos dos irmãos Grimm

Na Alemanha do século 19, os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm reuniram em livros diversos contos de fadas e histórias folclóricas. No Brasil do século 21, 17 quadrinistas brasileiros trabalham na adaptação de 14 contos publicados pelos alemães e lançam “Irmãos Grimm em Quadrinhos”, livro que reúne adaptações de histórias mais famosas, como “O Pequeno Polegar” e “A Bela Adormecida”, a outras não tão conhecidas, como “Margaret Esperta” e “As Três Línguas”.

As adaptações, todas em preto e branco, tiveram resultados diferentes, conseqüência do ecletismo na escolha dos quadrinistas. Alguns mantiveram o tom sombrio dos contos originais; outras imprimiram mais humor à narrativa. De uma maneira geral, não apresentam a inocência de outras adaptações a estas mesmas histórias, como as versões de Walt Disney.

Única mulher a adaptar sozinha uma história neste projeto, Roberta Lewis narrou de maneira divertida a história de “Margaret Esperta”, a cozinheira que embriaga-se e acaba comendo o jantar que deveria servir para seu patrão e um convidado dele.

Rafael Sica também usa o humor ao contar a história de João Sortudo, um jovem eternamente insatisfeito, além de ingênuo, que tenta voltar para casa levando uma grande pedra de ouro, pagamento por serviços prestados.

O trio Carlos Ferreira, Walter Pax e Daniela Donadio faz uma adaptação sombria – e estilosa – da história de João e Maria, filhos de um casal muito pobre e que são deixados para morrer no meio de uma floresta, onde, para piorar, são capturados por uma bruxa.

Rafael Coutinho, filho de outro quadrinista, Laerte, criador dos Piratas do Tietê e colaborador da Folha, fez uma interpretação bem interessante da “Branca de Neve”. Diante de uma história tão conhecida (“espelho, espelho meu”, madrasta, maçã, príncipe...), criou uma HQ quase telegráfica, com imagens e diálogos rápidos e sintéticos.

Este livro ajuda a relembrar histórias clássicas, que marcaram a infância de muita gente (você se lembra como termina a história de Rapunzel ou qual é exatamente a história do Pequeno Polegar?). Mas, além disso, tem o mérito de trazer um pouco da nova geração de quadrinistas brasileiros: artistas com traços e estilos narrativos diferentes, capazes de transformar histórias clássicas do século 19 em um bom livro de quadrinhos do século 21.



Categoria: Publicação
Escrito por Brasil Bonilla às 02h16
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"The New York Times": o uso de HQs em salas de aula e um erro comum

O sério "The New York Times" abordou nesta semana, em editorial, o uso de histórias em quadrinhos no ensino. Eles citam o "The Comic Book Project" (projeto Histórias em Quadrinhos), que começou em 2001.

A estudiosa Mafalda, do quadrinista espanhol e argentino Joaquín Salvador Lavado, o QuinoA introdução do editorial diz, em tradução livre: "Gerações de crianças cresceram lendo dissimuladamente histórias em quadrinhos, escondendo-se dos pais e professores que veriam (a leitura de HQs) como um desperdício de tempo e um perigo para mentes jovens. Quadrinhos estão ganhando uma respeitabilidade nova agora na escola. Isso graças a um programa crescentemente popular e criativo, freqüentemente apontado a leitores em formação, que encoraja que as crianças criem, escrevam e desenhem histórias em quadrinhos, que em muitos casos que usam temas de suas próprias vidas."

O editorial explica, em outro trecho: "O objetivo é não colocar uma história em quadrinhos na escrivaninha de uma criança e dizer: 'leia isto'. As equipes dão a grupos de estudantes a oportunidade para colaborar em histórias e personagens freqüentemente complexos que eles (as equipes) então revisam, publicam e compartilham com outros nas comunidades dos alunos."

E a conclusão do "The New York Times": "Professores estão achando mais fácil ensinar escrita, gramática e pontuação com material em que os alunos estão completamente interessados. E se revela que as histórias em quadrinhos têm outras vantagens embutidas. O emparelhamento dos enredos visual e escrito em que elas se apóiam parece ser especialmente útil a leitores em formação. Ninguém está sugerindo que histórias em quadrinhos devessem substituir livros tradicionais para leitura ou lições de composição. Professores que teriam dispensado os quadrinhos estão aprendendo a explorar um gênero que claramente tem uma ligação poderosa com mentes jovens. Eles estão usando o que está funcionando". (Quer ler o editorial inteiro e no original? Pois não: aqui.)
 
Meu comentário: descobriram que histórias em quadrinhos ajudam a estimular a leitura e a imaginação. Bingo. Minha dúvida: como conseguiram demorar tanto para descobrir algo tão óbvio? Minha queixa: o TNYT chama as histórias em quadrinhos de "gênero". Segundo o Houiass, gênero é "em teoria literária, cada uma das divisões que englobam obras literárias de características similares". Não acho que as histórias em quadrinhos sejam um "gênero", que faça parte da literatura assim como os épicos, os dramas, os romances etc. História em quadrinhos, como eu a entendo, é uma mídia, um meio de comunicação. Assim como o cinema, o teatro... e a literatura. E este é um erro comum.



Categoria: Conceitos
Escrito por Brasil Bonilla às 18h01
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2008: repensando este blog

O Calha estreou em outubro de 2007. A idéia não era ser um centro com todas as informações possíveis sobre histórias em quadrinhos. Eu queria, duas vezes por semana, discutir personagens, autores e conceitos. Queria deixar lançamentos de lado - afinal, há uma mídia especializada crescente sobre o tema, além de ótimos blogs, como estes que eu linko aqui ao lado.

Após estes três meses, concluí duas coisas. Duas vezes por semana me parece pouco. Vou tentar postar mais. Outra: meus posts estavam enormes. Talvez não tão

grandes para serem lidos, mas eu demorava muito tempo para escrevê-los. Pesquisava aqui, ali, acolá. Por preciosismo. Não queria só falar de um lançamento ou de um filme relacionado a uma HQ. Queria fazer quase um dossiê, sempre subjetivo - este é um blog, posso dar minha opinião, certo?

Conclusões: vou tentar ser mais rápido para postar. E vou tentar postar três vezes por semana. Talvez consiga, talvez não. Vou tentar continuar com os "dossiês", mas com menos freqüência. E vou tentar falar de lançamentos, sim. Mesmo que pouco. É uma oportunidade para trocar idéias sobre uma mídia que ainda permanece, na minha opinião, pouco discutida. Há muito pano para a manga. Há muito ainda a ser lido nas calhas. Cada vez mais.



Escrito por Brasil Bonilla às 17h59
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