Quando eu estava na quinta série do primeiro grau (sou um ancião da geração pré-ensino fundamental), a professora de português deu um tema clássico para a redação: descreva seu ídolo.
Todos os meus colegas de classe escreveram sobre jogadores de futebol. Eu escrevi sobre um quadrinista. Me fascinava - e ainda hoje me fascina - o processo de criação de uma obra de arte. Cinema, livro, pintura... quadrinhos. Me amarro em ver o trabalho de criar.
Acho bacana a iniciativa dele. Vou acompanhar. Há desenhistas que colocam seus trabalhos em fotoblogs - geralmente o desenho já pronto, mas alguns ainda fotografam e colocam passo a passo (esboço, lápis, nanquim e cor). Amanhã posto aqui a URL de alguns fotoblogs bacanas.
O Carlos Ferreira Bastidores ainda não entrou no processo de criação de "Os Sertões": está no que ele chama de "pré-história"... Ótimo, dá para acompanhar tudo desde o início...
Trailer da Invasão Secreta: Marvel em vantagem contra a DC
Quem acompanha quadrinhos de super-heróis sabe que há duas editoras gigantes que disputam o mercado: DC e Marvel. Cada uma tem suas armas exclusivas, como artistas e escritores exclusivos.
De uns tempos para cá, os roteiristas têm sido o fiel da balança. É da cabeça deles - e dos editores, claro - que saem as megassagas que vão fazer as editoras serem comentadas durante todo o ano.
A DC tem Greg Rucka, Grant Morrison, Mark Waid e Geoff Johns, todos exclusivos. A Marvel tem Brian Michael Bendis, Ed Brubaker, J. Michael Straczynski e Jeph Loeb. E as duas têm o genial Keith Giffen, roteirista e desenhista de tamanho talento e honra que tem acesso aos planos secretos das duas editoras sem problemas.
Consta que, numa reunião dos cabeças da Marvel, Giffen entrou na sala (ele participaria também) e gritou algo como "vocês estão f****os, a DC vai f**** vocês!". A DC estava planejando a "Crise Infinita", saga que foi seguida por "52" e que culminará na (bocejo) "Crise Final". A Marvel planejava "Guerra Civil", cujo final foi recentemente publicado no Brasil e que continuou pelos títulos da editora até a "Invasão Secreta", cujo primeiro capítulo será lançado no próximo dia 2 de abril.
Pois bem. Passados "Crise Infinita" e mais da metade de "52", além de "Guerra Civil", acredito que meu ídolo Giffen errou. Tanto pela repercussão como pelas vendas, a Marvel bateu de longe a DC, que está apanhando para ver o que vai fazer com a (bocejo) "Crise Final". Parece que a idéia original de Grant Morrison não foi aceita, e a DC tem patinado para ver o que fará com seus personagens.
Enquanto isso, na Marvel... Eles sabem bem o que querem. Não vai criar novas dimensões, novas versões de heróis ou recontar a história de seus personagens a partir do zero. Vai investir em uma saga que tem um conceito, aparentemente, pra lá de simples: uma raça alienígena quer invadir a Terra. Só isso.
Mas esta raça são os Skrulls, criação de Stan Lee e Jack Kirby nos seus tempos de "Quarteto Fantástico". E graças ao roteirista Brian Michael Bendis, de "Vingadores", as sementes desta invasão já têm sido plantadas há mais de dois anos (!). Abaixo, o ótimo trailer divulgado pela Marvel sobre a saga.
Eu diria que quem tem planejamento sério tem tudo. Mais do que isso: acompanhando as histórias escritas por ele, eu diria que quem tem Brian Michael Bendis tem uma grande vantagem sobre o concorrente.
Globalização: mangá alemão coloca super-herói contra islâmicos radicais
Globalização é isso aí: uma agência de segurança alemã está usando os super-heróis (originários dos comics norte-americanos) em estilo mangá (...asiático...) para comabter o radicalismo islâmico (leia-se Al Qaeda), a xenofobia e o racismo, segundo nota do UOL Diversão e Arte.
Segundo a nota, o resumo da HQ, chamada "Andi", é o seguinte: "O adolescente Andi surgiu em 2004 no Estado alemão Renânia do Norte-Vestfália, com a missão de combater o extremismo de direita. Em outubro, ele apareceu em uma nova aventura, ao lado de sua namorada muçulmana, Ayshe, e do irmão dela, Murat, que cai na conversa de um amigo radical e de um 'pregador do ódio'."
Não li a HQ... ainda. Mas, para mim, qualquer forma de combate ao racismo, ao preconceito e à intolerância vale a pena.
Ontem não bloguei. Entretanto, fui avistado em um restaurante por quilo perto do trabalho dobrando, com dificuldade, uma página de uma revista e dando risada sozinho. Era uma Dobradinha Mad, seção tradicional da clássica revista norte-americana, um berço de clássicos e notáveis quadrinistas norte-americanos (por exemplo: William Gaines, Wally Wood, Basil Wolverton e Harvey Kurtzman, todos devidamente já indicados ao Hall da Fama do Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos norte-americanos).
A edição brasileira (este é o número de lançamento da quarta série da "Mad" no Brasil) tem muito material produzido orignalmente para a "Mad" americana, ams também tem muito material nacional - e dos bons. O editor da revista, o Otacílio d'Assunção (o Ota), trabalha na "Mad" desde sua estréia no Brasil, em 1974 (!). Assim como seus colegas norte-americanos, Ota também é reconhecido pela crítica: recebeu, em 2002, o título de mestre do quadrinho nacional do Troféu Angelo Agostini.
Destaques desta edição nacional, além da Dobradinha Mad e do nome da seção de cartas ("Cartas dos Imbecis que Acreditavam na Nossa Volta!"):
* o relatório Ota, sempre sobre um tema polêmico - lembro de um divertidíssimo sobre tamanho de pênis; o desta edição é sobre a vida após a morte e, segundo o Ota, vai nos ser útil quando chegarmos lá;
* a série "Spy vs. Spy", criada pelo cubano Antonio Prohías, mas agora tocada pelo ótimo Peter Kuper; é de Kuper, aliás, a ótima graphic novel "O Sistema", já lançada no Brasil e que vale a leitura;
* aqueles cartuns minúsculos do Sergio Aragones, o quadrinista espanhol mais mexicano que já tive o prazer de ler;
Arrisco dizer que pouco mudou na mudança de editora (agora está com a Panini). A nova "Mad" brasileira é a boa e velha "Mad" brasileira de sempre.
Conheci o Ota (conhece o Saíte do Ota?) anos atrás. Foi uma decepção: não hás mosquinhas sobrevoando a cabeça dele, como indicam todos os auto-retratos que ele já publicou na Mad.
A revista "Mad" já está de volta, em sua nova edição no Brasil (a quarta). O
Ota ainda é editor, o que é um bom sinal. Já tenho o novo número 1, mas ainda
não li... Então os comentários ficam para amanhã. Até lá... Um site bacana, com
todas as capas da revista: http://www.micromania.com.br/mad/
Abaixo, capa da primeira edição da "Mad" no Brasil (editora Vecchi, julho de
1974):
Fãs fazem vídeo de Os Caçadores, HQ do Arqueiro Verde
Faz tempo que não posto um fan film aqui. Este, abaixo, é baseado em "The Long Bow Hunter", minissérie estrelada pelo Arqueiro Verde e em que é apresentada a Shado, arqueira japonesa que daria à luz um filho do herói (fato que ele desconhece).
"The Long Bow Hunter" saiu no Brasil com o nome de "Os Caçadores". Arqueiro Verde, 110% inspirado no Robin Hood, poderia ser só mais um personagem, mas graças a ótimos escritores que teve em suas décadas de existências tornou-se um dos mais carismáticos (e profundos) personagens da DC Comics. Voltarei a ele em futuros posts.
Postei aqui outro dia sobre as diferentes interpretações do Hulk no cinema - o seriado exibido na TV de 1978 a 1982, teve 87 episódios e dois filmes, "O Retorno do Incrível Hulk" e "O Julgamento do Incrível Hulk"; o filme de Ang Lee (de 2003); e o filme de Louis Leterrier, a ser lançado ainda este ano, e que ainda não vi (só o trailer). Mas não dei minha opinião sobre eles.
Sobre o filme de Louis Leterrier: ainda não vi, mas pelas cenas do trailer e das entrevistas, vai ser mais focado no lado monstro do que no lado psicológico.
Isso faz sentido. A Marvel consideou o filme de Ang Lee, lançado cinco anos trás, um fracasso. O filme focava o lado dramático de violência na infância, traumas e o fardo de ter que reprimir toda violência e ira dentro de si. Isso é muito legal, na minha opinião; tem muito a ver com o personagem.
Além disso, o filme prima por tentar se aproximar da estética dos quadrinhos, o que gerou cenas visualmente lindas.
Porém... Sempre há um porém - ou, neste caso, dois.
Um: apesar de todo aprimoramento estético, o Hulk ficou irreal demais. Como bem definiu Sérgio Dávila, parecia o Shrek na TPM. O Hulk de carne e osso do seriado de TV, vivido por Lou Ferrigno, é incomparavelmente melhor, mais humano, mais emocional, mais tudo.
Dois: o lado psicológico ficou, na minha opinião carregado demais. Li uma explicação interessante no blog Ilustrada no Cinema, o meu predileto quando o assunto é a sétima arte:
"E, outro dia, lendo uma entrevista com o cineasta malaio Tsai Ming-liang (“O Sabor da Melancia”) na revista “Sight & Sound”, me deparei com uma declaração interessantíssima.
O repórter conta que quando se encontrou com Ang Lee na época de “O Segredo de Brokeback Mountain”, o cineasta confessou que pegou muitos elementos gays de Tsai. “Eu sempre digo que a relação entre o Hulk e seu pai é muito Tsai Ming-liang”.
Quem viu “O Rio”, de Tsai Ming-liang, deve se lembrar da cena em que o rapaz vai à sauna gay e começa a se pegar com seu pai (e nenhum dos dois se dá conta direito do que está acontecendo).
Bem, esse era o Hulk de Ang Lee."
Reiterando: os quatro parágrafos acima são do Ilustrada no Cinema.
Já o seriado de TV é, até onde me lembro (não vi todos os episódios e faz muito tempo que os assisti), a melhor adaptação do Hulk para outra mídia.
Há o lado monstro; há a angústia de um autocontrole excessivo; o desespero de um mal aparentemente sem cura; e, apesar de todos os defeitos (especialmente o excesso de ira), a vontade, tão humana, de tentar ajudar o próximo.
O seriado não possui a qualidade técnica e estética dos filmes de Ang Lee e Louis Leterrier - na época, não havia tecnologia para tanto. Para mim, não faz falta na maioria dos casos - exceto na participações especiais de outros grandes heróis da Marvel, Thor (no longa "O Retorno do Incrível Hulk" e Demolidor (em "O Julgamento do Incrível Hulk"). Os figurinos ficaram tão feios, mas tão feios, que... Deixa pra lá. Se quiser ver esta pérola, há vídeos em que eles aparecem neste post.
É um lançamento do início do ano, mas vale a pena comentar: o 12º volume
nacional de “Bone”, de Jeff Smith, uma das melhores HQs independentes publicadas
nos Estados Unidos – especialmente em tempos recentes;
O enredo é
simples: após uma confusão, três primos da família Bone deixam para trás a linda
cidade chamada Boneville. Perdidos, acabaram se envolvendo em um lugar
aterrorizado por perigosas “criaturas ratazanas” e um ser maligno conhecido como
“Encapuzado”, que perseguem uma princesa perdida.
A aparência dos três primos, Fone Bone, Phoney Bone e Smiley Bone, é limpa e
precisa, conseguida com poucos traços. É tão sintética que parece um personagem
infantil. É, eu sei. As aparências enganam. Se não fosse pelo nariz avantajado
de Fone Bone, eu diria que ele e Gasparzinho foram separados no nascimento.
“Bone” não é infantil, embora uma criança possa ler. É uma história de
fantasia, com humor e aventura, focada na saga da família Bone e seus novos
amigos.
A série “Bone” foi publicada originalmente em 55 números avulsos nos Estados
Unidos, que depois foram republicados em edições encadernadas. No Brasil, a
série está sendo lançada em livros com mais de uma história por edição.
Eu,
vergonhosamente, não comprei todos os Bones que saíram no Brasil. Mas após ler
“Círculos Fantasmas”, o 12º da edição nacional (equivale do 38º ao 40º dos
números originais), resgatei os números anteriores que eu tenho e os reli.
.Como é bom ler uma história bem contada... Adaptando a frase do assessor do
Bill Clinton: “é o roteiro, pombas!” (a frase original, explicando a
popularidade ou não do então presidente, dizia: “é a economia, estúpido!”).
Em setembro de 2005, o jornal dinamarquês "Jyllands-Posten" publicou charges em que apareciam o profeta Maomé. Líderes muçulmanos, sentindo-se insultados, iniciaram uma onda de protestos, cada vez mais violentos. Treze manifestantes mortos no Afeganistão, na Líbia e na Somália e os artistas dinamarqueses foram condenados à pena máxima por radicais do Paquistão.
Ou seja: foi criada uma crise internacional, violenta, em um caso que envolve liberdade de expressão, censura, preconceito, blasfêmia... Tudo por causa de uma charge? Ou a charge em questão não é o elemento central, mas apenas o veículo da questão: a intolerância entre ocidentais e islâmicos e vice-versa. Não que seja regra: acredito, na verdade, que os intolerantes são exceção, mas uma exceção violenta. No Brasil, a "Folha" e "O Globo" republicaram as charges mais polêmicas; o "Estado de S.Paulo", não.
Volto ao tema porque a BBC Brasil publicou na madrugada de hoje que "uma mensagem de áudio atribuída ao líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, divulgada nesta quarta-feira, adverte os governos da União Européia para uma reação forte contra a republicação de uma charge que mostra o profeta Maomé".
Diz a nota da BBC Brasil: "A polêmica charge mostra o profeta Maomé, figura central do islamismo, com uma bomba em seu turbante. Esta e outras caricaturas com a imagem de Maomé foram publicadas pela primeira vez em 2005, pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten e, posteriormente, por diversos veículos. A publicação das charges, consideradas ofensivas pelos muçulmanos, provocou protestos violentos de comunidades muçulmanas em vários países que deixaram dezenas de mortos. A tradição islâmica proíbe a divulgação de desenhos ou imagens de Maomé.
Há um mês, jornais dinamarqueses republicaram a charge, depois da prisão de três pessoas supostamente envolvidas em um plano para assassinar o cartunista responsável pela obra. A republicação provocou uma nova onda de protestos. A mensagem divulgada pelo site islâmico nesta quarta-feira traz uma imagem congelada de Bin Laden portando um fuzil AK-47. Traz também a tradução da mensagem em inglês."
O "The New York Times" também publicou uma matéria hoje sobre o tema. Diz a reportagem que o artista ainda corre perigo de vida: "No mês passado a polícia dinamarquesa prendeu dois tunisianos e um dinamarquês descendente de marroquinos sob a acusação de que pretendiam matar Westergaard, um dos 12 cartunistas cujas caricaturas de Maomé no jornal dinamarquês "Jyllands-Posten" geraram protestos, alguns deles violentos, por parte de muçulmanos de todo o mundo em 2006, e fizeram com que fossem oferecidas recompensas pelas cabeças de Westergaard e do seu editor, Flemming Rose. Desde então Westergaard (ele desenhou Maomé com uma bomba no turbante) vive escondido."
Na matéria do "The New York Times", o editor Flemming Rose diz que cometeu blasfêmia, mas não racismo: "Não se tratou de zombar de uma minoria, mas sim de uma figura religiosa, o profeta muçulmano, de forma que a coisa diz respeito a blasfêmia, e não a racismo", argumenta Rose. "A idéia de desafiar a autoridade religiosa conduziu à democracia liberal, enquanto que o ataque a minorias, enquanto minorias, levou ao nazismo e à perseguição da burguesia na Rússia. Assim, esta distinção é essencial para que se entenda o problema".
Kurt Westergaard, o artista, também está mais preocupado em mostrar que não foi racista: "A discordância é parte essencial da democracia", diz ele. "Quero explicar a minha percepção desse embate entre duas culturas porque tenho netos que crescerão nesta sociedade multicultural. Os dinamarqueses são um povo tolerante. Eles não merecem ser tratados como racistas".
Eu poderia dar aqui o link para as polêmicas charges e ilustrações, mas não vou. Acho que a liberdade de expressão não anula a responsabilidade editorial. Das entrevistas que eu li a respeito do caso, quem me pareceu mais ponderado foi, além do então ombudsman da "Folha", Marcelo Beraba, o quadrinista kuaitiano Naif Al-Mutawa, criador de HQs estreladas por super-heróis muçulmanos.
Disse Al-Mutawa, em entrevista à "Folha": "O que eu vi até agora foi uma discussão entre dois grupos fundamentalistas: o da liberdade de imprensa e o dos extremistas muçulmanos. A imprensa européia, defendendo seu direito divino de publicar o que quer que seja, diz que é assim que as coisas são e que os religiosos é que têm de mudar de opinião. Qual é a diferença entre a intransigência dessa posição e a dos fundamentalistas muçulmanos? Os dois grupos acham que estão certos. Acho que a publicação dos cartuns foi desrespeitosa e que a reação dos muçulmanos, queimando embaixadas, também foi."
É uma questão polêmica, que não tem resposta fácil. Eu acredito em respeito. E acredito (e repeito) em opiniões contrárias. Abaixo, links para mais matérias ou artigos sobre o tema:
Acho o Hulk um dos mais bacanas personagens dos quadrinhos.
Permite muitas interpretações... Um herói trágico e amaldiçoado... Aventura pura
e simples... Um homem que tem que lutar contra sua violência interior...
etc.
Essa multiplicidade de visões pode ser vista também nas interpretações para o
Hulk em três dimensões. Acho que, só pelos trailers, já dá para ver que o filme
a ser lançado este ano é bem diferente do lançado em 2003.
Trailer de "Hulk", de Ang Lee (Eric Bana como Robert Bruce Banner) - o filme
é de 2003:
Trailer de "O Incrível Hulk", de Louis Leterrier (com Edward Norton como
Robert Bruce Banner), que estréia em junho no Brasil:
A série "O Incrível Hulk", exibida de 1978 a 1982, teve 87 episódios e dois
filmes, "O Retorno do Incrível Hulk" e "O Julgamento do Incrível Hulk", criados
anos depois. Lou Ferrigno vivia o Hulk e Bill Bixby interpretava seu alter-ego,
David Bruce Banner - por que diabos será que mudaram o nome dele para o seriado?
Trecho de "O Retorno do Incrível Hulk" (1988), dirigido por Nicholas Corea -
vale pelo contronto entre Hulk e o Thor (Eric Allan Kramer; Steve Levitt
interpreta Donald Blake, a identidade civil do deus nórdico):
Trecho de "O Julgamento do Incrível Hulk" (1989), dirigido por Bill Bixby -
detalhe para a presença de Stan Lee, o jurado de bigode (na primeira fileira, o
primeiro a partir da esquerda):
Mais cenas de "O Julgamento do Incrível Hulk" - valem pelo confronto entre
Hulk e Demolidor (vivido por Rex Smith):
Uma nova HQ do Sandman: adaptação de Caçadores de Sonhos
“Sandman” é a minha série predileta. "A" série. O primeiro número que eu
comprei foi o 38. Como sou levemente pé frio, a editora Globo cancelou esta
revista exatamente no número 38.
Por sorte, conhecia um cara que tinha a coleção nacional completa. Li
todos os 37 números anteriores e iniciei uma busca, que durou anos, sebos
adentro. Além disso, "assinei" a revista original (a norte-americana) - na
verdade, eu a encomendava via importadora Devir. Assim, enquanto Sandman não
saía mais no Brasil, li a série em inglês do número 50 ao 75.
Meu inglês não é perfeito, mas, mesmo assim, era fantástico. Cada noite que
eu chegava em casa e havia aquele pequeno pacote pardo com formato de "comic
book" era uma grande alegria.
"Sandman" foi publicada de 1989 a 1996 nos Estados Unidos - 75 números, fora
uma edição especial ("A Canção de Orpheus") e duas minisséries da Morte,
contando aqui apenas as HQs escritas pelo criador da série, o britânico Neil
Gaiman.
A série continua sendo republicada - nos Estados Unidos, primeiro em uma
coleção em fez volumes (que também está saindo aqui no Brasil, em uma edições
lindas da Conrad - nove já foram publicadas) e agora há uma nova reedição, “The
Absolute Sandman”, em quatro volumes. Será que esta também será lançada no
Brasil? Acredito que sim. Os fãs de Sandman são quase tiffosi, barrabravas (sem
a violência, claro)... São fanáticos. Eu sou, pelo menos.
Desde 1996, houve muitas séries criadas a partir de “Sandman”, explorando a
enorme gama de personagens coadjuvantes que Neil Gaiman deixou para trás. E
sempre há a expectativa de mais novidades. Houve um romance em prosa (“Os
Caçadores de Sonhos”, de 1999, comemorando os dez anos da série, lançada com
ilustrações do japonês Yoshitaka Amano), uma HQ comemorativa (“Noites Sem Fim”,
de 2003) e o boato, nunca confirmado, de um filme com algum envolvimento de Neil
Gaiman - ele teria dito que quer dirigir um longa-metragem estrelado pela
Morte.
Enfim, em 2009, a série completa 20 anos. Para comemorar, a DC lançará uma
versão em quadrinhos de "Os Caçadores de Sonhos", que será adaptada pelo ótimo
artista P. Craig Russell.
No vídeo abaixo, P. Craig Russell comenta como está a produção de "Os
Caçadores de Sonhos".
P. Craig Russell é experiente no ramo dos quadrinhos. Trabalhou na ótima
série "Elric", infelizmente pouco publicada aqui no Brasil. Desenhou duas
histórias de "Sandman": a número 50, "Ramadan" (o primeiro "Sandman" importado
que eu li: fantástico) e uma das histórias do especial “Noites Sem Fim” (a
estrelada pela Morte, a mais popular de todos os coadjuvantes do Sandman).
Russell já adaptou um texto em prosa de Gaiman:
"Mistérios Divinos", publicado originalmente como um conto no livro “Fumaça e
Espelhos”. "Mistérios Divinos" saiu no Brasil em janeiro de 2007. A tarefa de
Russell era transmitir as descrições feitas em prosa por Gaiman de conceitos
abstratos como o projeto de um universo em construção. As soluções que ele
encontrou, tanto para esses momentos como para as cenas mais prosaicas, são tão
boas que chega a parecer que Gaiman imaginou a história como se soubesse que ela
seria adaptada para quadrinhos. Não foi isso: a verdade, como constata quem lê
“Mistérios Divinos”, é que Russell é um grande artista, e que ele não se importa
em encarar desafios, desde que seja para narrar boas histórias.
"Os Caçadores de Sonhos" em quadrinhos não será uma história nova, mas não há
por que duvidar de que P. Craig Russell fará, novamente, um ótimo trabalho.
Neste período em que estive ausente, faleceu, aos 52 anos, o quadrinista norte-americano Dave Stevens (29.jul.1955-10.mar.2008).
Ótimo ilustrador, Dave Stevens produziu, entretanto, poucas HQs. Fez muitos pin-ups e capas, e criou uma série que é uma das minhas prediletas: "The Rocketeer", cujas histórias foram publicadas, em doses homeopáticas, de 1982 a 1995.
Apenas os primeiros capítulos desta série foram publicados no Brasil, no 12º número da coleção "Graphic Novel", da Abril. Naquela época, o mercado de quadrinhos no Brasil era bem pequeno: havia Mauricio de Sousa; Disney; e sete títulos de super-heróis. As revistas mais alternativas, como "Animal" ou "Chiclete com Banana", não eram encontráveis em qualquer banca.
Sair do eixo Disney-Turma da Mônica-super-heróis não era fácil (não que eu não gostasse desse eixo). E a coleção "Graphic Novel", da editora Abril, surgiu como uma publicação trimestral com histórias especiais de super-heróis. Além de não serem necessariamente canônicas (não era necessário ler a revista mensal para entender o que se passava), tinha um tratamento gráfico superior e, uau! (pelo menos para a época): era em tamanho grande. Coisa rara. Era mais cara por isso, mas valia a pena.
Os sete primeiros números trouxeram super-heróis: X-Men, Demolidor, Capitão Mar-Vell, Homem-Aranha, Batman, Homem de Ferro e Batman. Todos ótimos. Na oitava edição, mudou a linha editorial da série: os super-heróis deram lugar a HQs diferentes. Foi assim que, com o oitavo número, tive contato com aquele que seria o maior ídolo nos quadrinhos, Will Eisner.
Depois, a cada mês era uma surpresa. Algumas, confesso, não gostei, como "Void Indigo". Mas o 12º número foi inesquecível: "Rocketeer".
Primeiro, pelas ilustrações. Lindas. Todas as mulheres criadas por Dave Stevens eram apaixonantes; os vilões tinham cara de maus; e o mocinho tinha cara de ser bobo, atrapalhado, bem intencionado, impulsivo, talvez meio burro, às vezes. Humano, acima de tudo.
A história se passava nos inocentes anos 30-40, quando os super-heróis ainda não haviam sido inventados e a inocência e a ficção científica caminhavam de mãos dadas. Nesta época, cabia imaginar que tudo o que um homem precisava para voar era algo tão simples quanto um motor amarrado nas costas.
E esse é o primeiro mote de "Rocketeer": um homem consegue, por acaso, um motor que, amarrado às suas costas, permite que ele voe. O segundo mote: de que adianta conseguir ser fantástico, um homem voador, se não se tem o essencial: a mulher que você ama?
A luta do protagonista Cliff Secord não era só para manter o motor em seu poder, e aprender a usá-la. O que ele queria, mesmo, era o coração da sua linda Betty - linda mesmo: tanto seu nome como seu visual eram homenagens a Betty Page, modelo que fez sucesso justamente nos anos 30 e 40.
Aventura, romance, humor e inocência = Rocketeer.
A HQ virou filme em 1991, dirigido por Joe Johnston. Bill Campbell interpretou Cliff Secord; Jennifer Connelly viveu Betty (que no filme se chamava Jenny); Alan Arkin era Peevy, o melhor amigo de Secord; e o vilão foi vivido pelo ex-Bond, James Bond, Timothy Dalton.
O longa também é divertido e despretensioso, como a HQ. Para mim, tem um sabor especial: foi o primeio filme que assisti sozinho no cinema (em Guarujá, em vez de estar na praia, jogando bola). Abaixo, o trailer:
Me deu uma vontade louca de fuçar sebos atrás do final da saga do Rocketeer...