Hoje estreou aqui no Brasil "Homem de Ferro", adaptação do super-herói para o cinema em filme produzido pela própria Marvel.
Uma estréia desse tamanho (superprodução, personagem grande, atores famosos etc.) pode servir da base para todo tipo de comentários: retrospectivas do personagem (no caso, o Homem de Ferro), entrevistas com os criadores, revisão de como o gênero super-heróis funciona no cinema etc. Um prato cheio para quem gosta de quadrinhos, como eu.
O título, eu sei, é laudatório... Mas é difícil não se encantar diante de Stan Lee. Além de tudo o que fez na carreira, de todos os personagens que criou, Stan é simpático, de bem com a vida, humilde etc.
Um exemplo: trecho da entrevista citada acima:
Pergunta - Você tem 85 anos de idade. Quando chegar sua hora, qual legado você terá deixado para trás?
Stan Lee - Honestamente, eu nunca penso a respeito. Não sei. Gostaria de achar que algumas pessoas leram minhas histórias e as apreciaram. Isso já é suficiente para mim. Mas quando partir para a próxima grande aventura, não será isso que estará na minha mente. Será um momento empolgante descobrir o que acontecerá a seguir. E é nisso que estarei pensando. Já li histórias de ficção científica suficientes, e escrevi o suficiente, para sempre estar de olho que acontecerá amanhã.
Claro, isso é só uma entrevista. Mas, até onde eu sei, ele foi bacana sempre. E deixou uma rica herança cultural, criando os pilares do universo Marvel de super-heróis...
Muito já foi dito sobre Stan Lee... Mas eu ainda não disse o suficiente. Voltarei a ele, neste blog, no futuro.
Estou com o Stan Lee: filmes de super-heróis são legais, sim!
Há uma coisa que notei na entrevista citada no post acima: Stan Lee gosta dos filmes do gênero super-heróis.
Pergunta: Há cerca de uma dúzia de filmes ou séries de televisão baseados no trabalho que fez na Marvel com Jack Kirby, Steve Ditko e outros colaboradores. Quais você considera que capturaram melhor a essência dos personagens, e quais não funcionaram como você esperava?
Stan Lee: Deixe-me ver... eu acho, na captura da essência dos personagens, ninguém se saiu melhor do que "X-Men" (2000) e "Homem-Aranha" (2002).
Acho que o "Quarteto Fantástico" (2005) chegou perto de capturar os personagens. O Dr. Destino (Julian McMahon) ficou um pouco diferente de como era nos quadrinhos, mas eu entendo por que o fizeram daquela forma.
No filme "Hulk" (2003), eu acho que o Hulk (Eric Bana) em si era o Hulk que escrevi. Talvez tenham dado uma ênfase um pouco excessiva no pai dele (Nick Nolte), no relacionamento com o pai, deixando um pouco sombrio demais no início e no fim. Eles o fizeram muito sério e pesado. Mas, no que se refere a capturar a essência do personagem, acho que (o diretor) Ang Lee fez um ótimo trabalho.
Quanto ao filme do "Demolidor" (2003), o problema é que acho que também ficou um pouco sombrio e pesado demais, mas capturou o Demolidor muito bem. Sou uma das pessoas que acha que Ben Affleck fez um bom trabalho interpretando o Demolidor. Ele ficou basicamente da forma como o imaginava.
Achei muito bacana, esse comentário. Filmes de super-heróis são quase sempre bombardeados, tanto por críticos de cinema quanto por fãs "decepcionados" com a adaptação "pouco fiel".
Às vezes eu acho que espera-se tanto de um filme, mas tanto mesmo, que o filme nunca será o suficiente, por melhor que ele seja.
E um filme, adaptação ou não de HQ, não precisa ser sempre um "Cidadão Kane", até porque "Cidadão Kane" só há um. Se for um filme bom, eu já gosto. Se for ótimo, melhor ainda.
Só não vale coisas como o filme "Sandman - O Mestre dos Sonhos" ou "Mulher-Gato". Tudo tem limite.
Quando você pensa que já viu de tudo: o museu virtual dos macacos das histórias em quadrinhos
Há três tipos normais de leitores de quadrinhos: o
Leitor, o Fã e o Colecionador. Eu me enquadraria no Colecionador, mas isso é
outra discussão.
O fato é que, acredito eu, o Fã é um incompreendido. Nem sempre ele consegue
explicar a um não-fã, mas que também seja leitor, por que é que ele lê todas as
histórias, inclusive as que ele sabe que são ruins, de um determinado personagem
- ou roteirista, ou desenhista, ou editora.
Eu, por exemplo, sou fã da Fogo, personagem de terceiro
escalão da DC Comics. Como ela não aparece muito, não dá tanto trabalho assim
colecionar as edições em que ela participa.
Há, neste visual virtual, uma seção destinada a capas de
revistas com macacos; lista de primeiras aparições; e, minha predileta, a página
com a biografia dos personagens, como o simpático Bozo, o Detetive Chimpanzé,
conhecido agora como Chimp, membro do Pacto das Sombras (da DC Comics); Beppo, o
Supermacaco da Legião dos Super-Animais de Estimação (existe mesmo, não estou
inventando); João Grandão (Grape Ape, no original); Mickey, the Monkey (ué, não
era Mickey Mouse?); e Gleek, o azulado macaco alienígena do desenho dos
Superamigos.
Ontem, aproveitando a Virada Cultural daqui de São Paulo (24 horas seguidas de cultura, a preços módicos e de graça, como ninguém pensou nisso antes?), fui ao cinema assistir ao longa japonês de animação "Akira", de Katsuhiro Otomo, adaptação do mangá do mesmo autor.
Foi a terceira vez que vi este filme, a primeira no cinema. Em todas, impressões diferentes do mesmo filme.
Tinha 14 anos quando vi "Akira" pela primeira vez. Achei,a cima de tudo, estranho. Aterrorizante, com um final esquisito, muito violento, com algumas forçadas de barra embasadas por ser uma ficção científica. Eu era adolescente e, em resumo, não gostei. Achei "over", violento demais.
Na segunda vez, tinha mais de 20 anos, fiquei impressionado com a arte, acima de tudo. Uma animação com uma qualidade gráfica irretocável. Achei mais palatável do que da primeira vez: acompanhei melhor a história, não estranhei com tantas explicações apenas insinuadas (na verdade, até gostei). Gostei bastante: era uma bela ficção científica.
Agora, iniciando a quarta década de vida, revi, e pela primeira vez na telona. Fiquei com uma impressão mais próxima de quando vi pela segunda vez. É uma ótima ficção. Mais: eu diria até que é ousada. Afinal, de onde o ser humano encontra energia para evoluir? E para onde ele vai evoluir agora que já domina a Terra - e domina de um modo tão negligente que a fere em enormes proporções?
Continuo gostando da arte. Filme bonito, bem feito, veloz. Sei que a HQ é mais profunda (afinal, são mais de 2.000 páginas de quadrinhos contra apenas duas horas de filme), mas ainda assim... impressiona.
Além de esteticamente belo, é ousado no argumento. Uma ficção sem medo de usar a imaginação. Em alguns momentos, me lembrou "2001 - Uma Odisséia no Espaço". Ambos são estranhos, mas enquanto o filme do Kubrick é lírico e sugestivo, o animê de Otomo é agressivo e dolorido.
Li que Andrew Lazar, Jennifer Davisson e Leonardo Di Caprio estão produzindo um longa com atores de "Akira" para 2009... Tem um enorme potencial para um belíssimo filme de ficção, ainda que eu ache que muita coisa seria mudada para se adaptar ao gosto do público norte-americano - como o final.
Agora eu achei no YouTube este vídeo de dez minutos estrelado por Winsor McCay, em que ele interpreta a si mesmo. No curta, ele aposta com amigos que será capaz de preparar 4.000 desenhos para serem exibidos em movimento, como um filme.
Segundo o IMDb, o filme de chama "Winsor McCay, the Famous Cartoonist of the N.Y. Herald and His Moving Comics" e foi rodado em 1911, dirigido por J. Stuart Blackton e pelo próprio Winsor McCay, que também escreveu o roteiro. Ainda segundo o IMDb, um dos amigos de McCay é George McManus, também quadrinista, criador de "Bringing Up Father", HQ conhecda no Brasil como Pafúncio e Marocas.
Do tempo em que o cinema e os quadrinhos eram inocentes e leves... O que não impedia o talento, a originalidade e a excelência de McCay:
a) sobrevivente de outro planeta (Argo City), trata-se da prima do Superman chamada Kara Zor-El (nome kryptoniano) ou Linda Lee Danvers (nome terráqueo)
b) sobrevivente de outra dimensão (Universo Compacto), trata-se de Lana Lang (nome original) ou Matrix (nome com o qual é batizada pelos cientistas que a reconstruíram)
c) uma mistura das duas anteriores - Linda Lee Danvers e Matrix mescladas em um ser só, na verdade um anjo nascido na Terra
d) sobrevivente de um futuro terrível, trata-se da filha do Superman com Lois Lane chamada Cir-El
e) sobrevivente de outra dimensão (a Terra 2), trata-se de Kara Zor-L (nome original) ou Karen Starr (nome terráqueo), conhecida como Poderosa
f) uma personagem horrível e atual, que se chama Kara Zor-El e vem de Argo City, mas que ainda não descobriu se foi para ajudar seu primo, o Superman, ou se para matá-lo (?!)
A resposta certa é: todas as anteriores.
Supergirl, uma personagem que tem tudo para render ótimas histórias, rodou muito nas mãos de editores e roteiristas não muito talentosos. É o caso da atual Supergirl (a da alternativa f). A melhor de todas, na minha opinião, é a da alternativa c. Peter David, excelente roteirista, escreveu suas histórias por 75 números consecutivos e, a exemplo de seu trabalho com o Hulk e o Aquaman, conseguiu fazer boas histórias, recheadas com humor, suspense e fantasia.
Mas essa retrospectiva breve da Supergirl é só para contar que surgirá uma nova versão dela, e que não vai atrapalhar a continuidade de suas predecessoras. Segundo o Universo HQ, a editora DC Comics anunciou mais um título de sua nova linha de quadrinhos infantis, "Supergirl: Cosmic Adventures in the Eighth Grade".
A minissérie em seis partes, produzida por Landry Walker (roteiro) e Eric Jones (desenhos), será voltada para crianças e está programada para o segundo semestre.
Espero que façam algo menos complicado dessa vez. Nada de anjos nascidos na Terra, mulheres fundidas em uma nova criatura ou viajantes de outra dimensão ou do futuro. Ser prima do Superman já está de bom tamanho.
Little Nemo, de Hayao Miyazaki: a maravilhosa animação que não foi
Meu amigo George ma contou num almoço na segunda passada: Hayao Miyazaki, ótimo quadrinista ("Nausicaä do Vale do Vento", que está sendo lançada no Brasil em sete volumes pela Conrad) e diretor de animações melhor ainda ("O Castelo Animado", indicado ao Oscar de melhor filme em 2005, e "A Viagem de Chihiro", Oscar de melhor longa animado em 2002) envolveu-se em um projeto para levar "Little Nemo" ao cinema.
Criada por Winsor McCay de 1905 a 1913, "Little Nemo" é uma das maios cinematográficas história em quadrinhos já feitas. McCay produziu histórias dominicais de apenas uma página, com imaginação excepcional e uma diagramação sempre original.
Normalmente a história começava com Litte Nemo pegando no some, e acordava com ele caindo da cama. Entre um ato e outro, muita coisa acontecia, como o encontro dele com a Lua que ilustra este post.
Tenho em casa o volumão "Little Nemo 1905-1914", com 432 páginas. É um dos itens prediletos da minha coleção. O que mais me espanta é a arte: poucos quadrinistas ousaram tanto na diagramação, nas cores, nas ilustrações, em tudo. (Talvez o britânico Dave McKean possa se equiparar a ele neste quesito.)
Enfim, Hayao Miyazaki realizou o teste abaixo em dezembro de 1984. O projeto não foi adiante - uma pena. Acertei com o George que iria procurar o "Little Nemo", de Hayao Miyazaki, na Internet, para saciar nossa curiosidade. Não foi difícil: Telio Navega foi mais rápido do que eu e postou hoje no seu Gibizada: "Little Nemo por Hayao Miyazaki".
Achei ótimo... O filme acabou sendo lançado em 1989 como "Little Nemo: Adventures in Slumberland", com direção de Masami Hata e William T. Hurtz. Acho que perdeu muito em dinamismo nas tomadas e no ritmo. Abaixo, para comparar, as primeiras cenas do filme:
Crossover de super-heróis DC contra Mortal Kombat... em videogame
Crossovers (encontro de personagens: por exemplo, de editoras diferentes, nos quadrinhos, ou de desenhos animados diferentes) são divertidos e não mais raros (os quatro crossovers realizados entre a Marvel e a DC no final dos anos 70 e início dos anos 80 são clássicos para colecionadores). Personagens que saem dos quadrinhos para outras mídias também não é novidade.
Um crossover divertido, sem dúvida. Pena que eu não jogue videogame... Se jogasse, certamente "viciaria". E aí ficaria sem tempo para ler quadrinhos...
Tenho estudado mangás recentemente. Nunca fui muito fã, mas também nunca me esforcei para entender. Li apenas alguns dos mais famosos, como "Akira" e "Lobo Solitário", mas nunca tentei entender o fascíncio que os quadrinhos japoneses conseguiram fora do seu país.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o Eisner Awards (o Oscar das HQs locais) tem uma categoria só para material oriundo do Japão: melhor edição norte-americana para material japonês. Na França, há um movimento que mistura o tradicional BD (bandas desenhadas, o estilo francês) aos mangás, o "nouvelle manga".
Ainda na França, a influência nipônica que o último álbum de Asterix, escrito e desenhado por Uderzo, é um manifesto contra os mangás. Quase não tem história, exceto um declarado apoio aos comics norte-americanos (especialmente Walt Disney e, num segundo momento, aos super-heróis) e um enorme repúdio aos mangás.
Enfim, os mangás estão fazendo barulho. E eu tenho tentado ler não só mangás, mas também a respeito deles. E encontrei um blog que tenho acompanhado com prazer: Shoujo Café (http://www.shoujo-cafe.blogspot.com/). A simpática apresentação do blog é esta: "Um café é um lugar acolhedor, onde você pode sentar, conversar com os amigos e amigas e ler um bom livro, jornal ou mesmo um mangá. No nosso café, o assunto é shoujo. Venha sempre que quiser saber das novidades."
"Shoujo" ou "shojo" significa "menina jovem" ou "pequena menina" em japonês. Também é usado para designar um gênero de mangás, justamente o mais voltado para meninas dos 10 aos 18 anos. Dentro do shoujo, as HQs podem ir do romance à ficção científica, passando por drama histórico etc.
Os dois maiores prêmios japoneses de mangá, Kodansha Awards e Kodansha Manga Awards, são divididos em quatro categorias: shoujo, shonen (para meninos), para crianças e geral (adultos). Ou seja, este blog, em tese, cobre apenas um pedaço da enorme gama de assuntos que os mangás oferecem. Na prática, semana passada deu pinceladas sobre "Akira", por exemplo, que é para adultos. Vale acompanhar.
Mais sobre 'Monster', o mangá indicado a melhor série no Eisner Awards
Estou intrigado com "Monster", o mangá de Naoki Urasawa que foi indicado a duas categorias do Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos norte-americanos: melhor edição norte-americana para material japonês e melhor série (é o único estrangeiro que concorre nesta categoria).
Como ainda não li a série, fui pesquisar um pouco sobre ela.
- "Monster" está saindo no Brasil pela editora Conrad em 18 volumes
- A série foi publicada no Japão de 1994 a 2001; no Brasil, a décima edição já saiu
- Naoki Urasawa nasceu em 2 de janeiro de 1960 em Osaka (Japão) e tem, portanto, 28 anos
- Entre as obras de Naoki Urasawa estão "Pinapple Army" (1985-1988), "Yawara!" (1986-1993), "Master Keaton" (1988-1994), "Happy!" (1993-1999) e "20th Century Boys" (2000)
- Naoki Urasawa já ganhou os dois maiores prêmios de mangás do Japão (Shogakukan e Kodansha) em várias ocasiões: * 1990 - melhor mangá por "Yawara!" (Shogakukan) * 2001 - melhor mangá por "Monster" (Shogakukan) e melhor mangá por "20th Century Boys" (Kodansha), a primeira vez em que um artista ganha os dois prêmios no mesmo ano * 2003 - melhor mangá por "20th Century Boys" (Shogakukan) * 2004 - melhor série por "20th Century Boys" no Angoulême International Comics Festival Prize (na França)
- foi adaptada para a TV e virou um animê em 74 episódios, que foram ao ar de 2004 a 2005
Abaixo, a abertura do animê...
Vou ler "Monster" com certeza. Duvido que vá me arrepender.
Sai o teaser trailer de 'The Spirit' o filme: ?!?!
The Spirit é o personagem principal de Will Eisner, meu quadrinista favorito.
Frank Miller é o autor de quadrinhos ótimos como "A Queda de Murdock", "Batman - O Cavaleiro das Trevas" e os primeiros de "Sin City" e outros que figuram no limite do ótimo/péssimo, mas nunca indiferente, como "Batman - O Cavaleiro das Trevas 2" , "300" e os últimos "Sin City".
Frank Miller foi co-diretor da sensacional adaptação para o cinema de "Sin City".
Frank Miller era amigo de Will Eisner e escreveram um livro juntos.
Frank Miller é o cara ideal para levar o Spirit ao cinema?
Ele é o roteirista e diretor de "The Spirit", previsto para estrear em janeiro de 2009. Abaixo, o primeiro teser trailer.
Viu? É puro "Sin City", o filme. E "Sin City", o filme, era 100% "Sin City", os quadrinhos, e acabou sendo uma das melhores adaptações de quadrinhos feitas para o cinema.
Mas repetir a fórmula de "Sin City" para "Spirit", que é tão diferente... Mais ingênuo, otimista, bem-humorado... Mais leve.
Esse trailer me deu um frio na espinha. Pelo motivo errado.
Os indicados ao Eisner Awards 2008: comentários e 13 palpites
Saíram nesta semana os indicados ao Eisner Awards 2008, o mais importante prêmio da indústria norte-americana de quadrinhos. Votam na premiação criadores de quadrinhos, editores e donos de comic shops dos EUA.
Fiquei devendo comentários sobre os indicados. Uma coisa, infelizmente, é certa: a maioria deles não será publicada no Brasil. Aliás, a maioria dos autores é inédita por aqui. Meus comentários vão ficar bem limitados, mas, OK, vamos lá:
Melhor série contínua: Este é um dos prêmios mais importantes. Três dos cinco indicados fizeram muito barulho durante o ano; um já começou a ser publicado no Brasil; e um, e essa é a grande surpresa para mim, é material estrangeiro (japonês). Começando pelos polêmicos: - "The Boys", de Garth Ennis e Darick Robertson: começou em uma editora grande, mas devido ao excesso de violência foi parar na Dynamite. Excesso de violência, para mim, NÃO significa trabalho adulto e muito menos qualidade. Garth Ennis gosta de chocar pelos palavrões e pela violência. Às vezes acerta (Contantine, Preacher, Fury, Justiceiro da Marvel Max), outras erra (Justiceiro da linha normal da Marvel, Thor). - "Buffy the Vampire Slayer, Season 8", de Joss Whedon, Brian K. Vaughan, Georges Jeanty e Andy Owens (Dark Horse). Fez polêmica com a cena pós-primeira transa lésbica de Buffy. Homossexualismo, assim como violência, NÃO significa trabalho adulto e muito menos qualidade. O histórico de Whedon nos quadrinhos é bom, assim como o de Vaughan, então espero uma série divertida. - "The Spirit", de Darwyn Cooke: ele pegou a série mais famosa de ninguém menos que Will Eisner e a readaptou para tempos modernos (o original é dos anos 40). Óbvio que, com isso, amealhou tanto fãs quanto inimigos. A julgar pelos trabalhos dele, como "A Nova Fronteira" e "Mulher-Gato", espero algo ótimo. - "Naoki Urasawa’s Monster", de Naoki Urasawa (Viz). Uma HQ japonesa concorrendo ao título de melhor série no Eisner Awards? Impressionante. E Urasawa é fera. Ganhou os dois maiores prêmios do Japão no mesmo ano, em 2001: o prêmio Kodansha, por "20th Century Boys", e o Shogakukan por "Monster", justamente a série que foi indicada a este prêmio. Além disso, venceu o Shogakukan em mais duas ocasiões e foi premiado até na França, no Festival de Angoulême, por "20th Century Boys", em 2004. O cara é fera. - "Y: The Last Man", de Brian K. Vaughan, Pia Guerra e Jose Marzan, Jr. (Vertigo/DC) já teve dois livros publicados no Brasil. Talvez vire filme. É uma série interessante, mas... A melhor de 2007? Palpite: "The Spirit", embora torça para "Monster" se tornar a primeira HQ estrangeira a ser premiada em uma das três categorias de série (série contínua, minissérie ou série nova)
Melhor minissérie O destaque, para mim, é "The Umbrella Academy", ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá. "Dark Tower", adaptado da obra de Stephen King, está saindo no Brasil como "A Torre Negra". - "Atomic Robo", de Brian Clevinger e Scott Wegender (Red 5 Comics) - "Dark Tower: The Gunslinger Born", de Peter David, Robin Furth e Jae Lee (Marvel) - "Nightly News", de Jonathan Hickman (Image) - "Parade" (with Fireworks), de Michael Cavallaro (Shadowline/Image) - "The Umbrella Academy", de Gerard Way e Gabriel Bá (Dark Horse) Meu palpite: "Dark Tower", a única HQ das duas gigantes indicada nesta categoria (normalmente, Marvel ou DC levam).
"Melhor publicação para crianças" "Amelia Rules!" e "Amelia Rules! Funny Stories", de Jimmy Gownley (Renaissance) "Star Wars: Clone Wars Adventures", editada por Jeremy Barlow (Dark Horse) "Mouse Guard: Fall 1152" e "Mouse Guard: Winter 1152", de David Petersen (Archaia) "The Wall: Growing Up Behind the Iron Curtain," de Peter Sis (Frank Foster Books/Farrar, Straus & Giroux) "Yotsuba&!", de Kiyohiko Azuma (ADV) Palpite: "Star Wars: Clone Wars Adventures". "Guerra nas Estrelas" têm um efeito e tanto sobre criadores de quadrinhos.
"Melhor publicação para jovens" "Laika", de Nick Abadzis (First Second) "The Mighty Skullboy Army", de Jacob Chabot (Dark Horse) "The Annotated Northwest Passage", de Scott Chantler (Oni) "PX! Book One: A Girl and Her Panda", de Manny Trembley e Eric A. Anderson (Shadowline/Image) "Satchel Paige: Striking Out Jim Crow", de James Sturm e Rich Tommaso (Center for Cartoon Studies/Hyperion) Palpite: "PX! Book One: A Girl and Her Panda".
Separei as duas categorias acima apenas para mostrar a visão norte-americana: os demais 28 prêmios são voltadas para quadrinhos para adultos. Crianças e jovens também lêem quadrinhos - tanto que há uma categoria para eles (que até o ano passado era a mesma, foi dividida agora em 2008). Bem diferente da visão aqui no Brasil, não?
Melhor projeto/coleção arquivo - tiras "(The Complete) Dream of the Rarebit Fiend", de Winsor McCay (Ulrich Merkl) "Complete Terry e the Pirates, vol. 1", de Milton Caniff (IDW) "Little Sammy Sneeze", de Winsor McCay (Sunday Press) "Popeye, vol. 2": Well Blow Me Down, de E. C. Segar (Fantagraphics) "Sundays with Walt and Skeezix", de Frank King (Sunday Press) Não sei qual vai ganhar, mas todas (exceto Walt and Skeezix, que não conheço) são simplesmente sensacionais. McCay, que concorre por Rarebit Fiend e Sammy Sneeze, é o autor de "Little Nemo". "Terry e os Piratas", de Milton Caniff, e "Popeye" são fenomenais. Gostaria que qualquer uma delas (todas, de preferência) saíssem no Brasil... Sonhar é de agraça! Ah, é, o palpite: "(The Complete) Dream of the Rarebit Fiend".
Melhor edição americana de material estrangeiro "The Arrival", de Shaun Tan (Arthur A. Levine/Scholastic) "Aya", de Marguerite Abouet e Clement Obrerie (Drawn & Quarterly) "Garage Band", de Gipi (First Second) "I Killed Adolf Hitler", de Jason (Fantagraphics) "The Killer", de Matz e Luc Jacamon (Archaia) Palpite: "I Killed Adolf Hitler".
Melhor edição americana de material estrangeiro: Japão "The Ice Wanderer and Other Stories", de Jiro Taniguchi (Fanfare/Ponent Mon) "MW", de Osamu Tezuka (Vertical) "Naoki Urasawa's Monster", de Naoki Urasawa (Viz) "New Engineering", de Yuichi Yokoyama (PictureBox) "Tekkonkinkreet: Black & White", de Taiyo Matsumoto (Viz) "Town of Evening Calm, Country of Cherry Blossoms", de Fumiyo Kouno (Last Gasp) Palpite: "Naoki Urasawa's Monster", que foi indicada também ao prêmio de melhor série (algo como o mesmo filme concorrer aos Oscar de melhor filme e melhor filme em língua estrangeira).
Separei as duas categorias acima para mostrar a influência japonesa nos quadrinhos norte-americanos: o prêmio para melhor HQ estrangeira, existente desde 1998, foi vencido por japoneses em sete dos nove anos. A partir de 2007, foi dividido em melhor edição americana de material estrangeiro e melhor edição americana de material estrangeiro (japonês).
Melhor escritor Ed Brubaker, Captain America, Criminal, Daredevil, Immortal Iron Fist (Marvel) James Sturm, Satchel Paige: Striking Out Jim Crow (Center for Cartoon Studies/Hyperion) Brian K. Vaughan, Buffy the Vampire Slayer (Dark Horse); Ex Machina (WildStorm/DC); Y: The Last Man (Vertigo/DC) Joss Whedon, Astonishing X-Men (Marvel); Buffy the Vampire Slayer (Dark Horse) Brian Wood, DMZ, Northlanders (Vertigo/DC); Local (Oni) Palpite: Brian K. Vaughan, pois 2 das 5 indicadas na categoria de melhor série são escritas por ele.
Melhor escritor/ilustrador Jeff Lemire, Essex County: Tales from the Farm/Ghost Stories (Top Shelf) Rutu Modan, Exit Wounds (Drawn & Quarterly) Shaun Tan, The Arrival (Arthur A. Levine/Scholastic) Chris Ware, Acme Novelty Library #18 (Acme Novelty) Fumi Yoshinaga, Flower of Life; The Moon e Sandals (Digital Manga) Palpite: Chris Ware, um dos artistas mais reconhecidos por lá. Salvo engano, ainda inédito por aqui.
Melhor escritor/ilustrador de humor Kyle Baker, The Bakers: Babies e Kittens (Image) Fred Chao, Johnny Hiro (AdHouse) Brandon Graham, King City (Tokyopop); Multiple Warheads (Oni) Eric Powell, The Goon (Dark Horse) James Stokoe, Wonton Soup (Oni) Palpite: Kyle Baker, alémd e tudo, é gente finíssima e todo mundo adora ele.
Melhor desenhista/arte-finalista ou dupla desenhista e arte-finalista Steve Epting/Butch Guice/Mike Perkins, Captain America (Marvel) Pia Guerra/Jose Marzan, Jr., Y: The Last Man (Vertical/DC) Jae Lee, Dark Tower: The Gunslinger Born (Marvel) Takeshi Obata, Death Note, Hikaru No Go (Viz) Ethan Van Sciver, Green Lantern: Sinestro Corps (DC) Palpite: páreo duro! Só fera... Fico com Jae Lee.
Melhor pintor ou artista multimídia (arte interna) Ann-Marie Fleming, The Magical Life of Long Tack Sam (Riverhead Books/Penguem Group) Eric Powell, The Goon: Chinatown (Dark Horse) Bryan Talbot, Alice in Sunderland (Dark Horse) Ben Templesmith, Fell (Image); 30 Days of Night: Red Snow; Wormwood: Gentleman Corpse (IDW) Palpite: Bryan Talbot, do elogiado "Alice in Sunderland"
Melhor capista John Cassaday, Astonishing X-Men (Marvel); Lone Ranger (Dynamite) James Jean, Fables (Vertigo/DC); The Umbrella Academy (Dark Horse); Process Recess 2; Superior Showcase 2 (AdHouse) J. G. Jones, 52 (DC) Jae Lee, Dark Tower: The Gunslinger Born (Marvel) Jim Lee, All Star Batman and Robin the Boy Wonder (DC); World of Warcraft (WildStorm/DC) Palpite: James Jean, pela quinta vez seguida...
A revelação dos premiados acontece em 25 de julho, durante a San Diego Comic-Con (que é sensacional, aliás). Espero acertar ao menos três dos meus 13 palpites...
Abaixo, os indicados nas 30 categorias do Eisner Awards, o mais importante prêmio da indústria norte-americana de quadrinhos.
Trinta categorias! É muito prêmio! Segue a linha do brasileiro HQ Mix, que também distribui dezenas. É diferente das premiações asiáticas (como os japoneses Shogakukan e Kodansha), que distribuem prêmios em apenas quatro categorias (geral, hido [crianças], shonen [voltados para rapazes] e shojo [voltado para moças]).
Tantas categorias assim serve como um estímulo. Quase todo mundo, de uma maneira ou outra, é premiado. Aqui no HQ Mix, por exemplo, quase ninguém ganha mais de um prêmio de em um ano, e mesmo assim artistas como Laerte, Angeli, Glauco, Fernando Gonsales são premiados quase todo ano. Parece que são dispostos de maneira a serem todos premiados; Não sei se é isso, mas, se for, acho que perde um pouco a credibilidade. Porque, acredito, as premiações devem premiar os melhores, e não todos que tocam a indústria para funcionar.
Enfim, nos Estados Unidos funciona de um jeito parecido, mas é possível uma mesma HQ ganhar em várias categorias - caso de "Fábulas", que no ano passado venceu seis prêmios e conseguiu, pelo quarto ano, ser a mais premiada (em 2006, empatada com "Solo" e "Top 10"; em 2003, 2004 e 2007, sozinha). Amanhã eu comento os indicados nas categorias que conheço - como a maioria absoluta é inédita aqui, fica difícil dar pitacos, mas nada me impede de tentar.
Melhor história curta "Book", de Yuichi Yokoyama, em New Engineering (PictureBox) "At Loose Ends", de Lewis Trondheim, em Mome #8 (Fantagraphics) "Mr. Wonderful", de Dan Clowes, na New York Times Sunday Magazine "Town of Evening Calm", de Fumiyo Kouno, em Town of Evening Calm, Country of Cherry Blossoms (Last Gasp) "Whatever Happened to Fletcher Hanks?", de Paul Karasik, em I Shall Destroy All the Civilized Planets! (Fantagraphics) "Young Americans", de Emile Bravo, em Mome #8 (Fantagraphics)
Melhor edição individual Amelia Rules! #18: "Things I Cannot Change", de Jimmy Gownley (Renaissance) Delilah Dirk and the Treasure of Constantinople, de Tony Cliff (publicação independente) Johnny Hiro #1, de Fred Chao (AdHouse) Justice League of America #11: "Walls", de Brad Meltzer e Gene Ha (DC) Sensational Spider-Man Annual: "To Have or to Hold", de Matt Fraction e Salvador Larroca (Marvel)
Melhor série The Boys, de Garth Ennis e Darick Robertson (Dynamite) Buffy the Vampire Slayer, Season 8, de Joss Whedon, Brian K. Vaughan, Georges Jeanty e Andy Owens (Dark Horse) Naoki Urasawa’s Monster, de Naoki Urasawa (Viz) The Spirit, de Darwyn Cooke (DC) Y: The Last Man, de Brian K. Vaughan, Pia Guerra e Jose Marzan, Jr. (Vertigo/DC)
Melhor minissérie Atomic Robo, de Brian Clevinger e Scott Wegender (Red 5 Comics) Dark Tower: The Gunslinger Born, de Peter David, Robin Furth e Jae Lee (Marvel) Nightly News, de Jonathan Hickman (Image) Parade (with Fireworks), de Michael Cavallaro (Shadowline/Image) The Umbrella Academy, de Gerard Way e Gabriel Bá (Dark Horse)
Melhor nova série Buffy the Vampire Slayer, Season 8, de Joss Whedon, Brian K. Vaughan, Georges Jeanty e Andy Owens (Dark Horse) Immortal Iron Fist, de Ed Brubaker, Matt Fraction, David Aja e outros (Marvel) Johnny Hiro, de Fred Chao (AdHouse) The Infinite Horizon, de Gerry Duggan and Phil Noto (Image) Scalped, de Jason Aaron e R. M. Guéra (Vertigo/DC)
Melhor publicação para crianças Amelia Rules! e Amelia Rules! Funny Stories, de Jimmy Gownley (Renaissance) Star Wars: Clone Wars Adventures, editada por Jeremy Barlow (Dark Horse) Mouse Guard: Fall 1152 e Mouse Guard: Winter 1152, de David Petersen (Archaia) The Wall: Growing Up Behind the Iron Curtain, de Peter Sis (Frank Foster Books/Farrar, Straus & Giroux) Yotsuba&!, de Kiyohiko Azuma (ADV)
Melhor publicação para jovens Laika, de Nick Abadzis (First Second) The Mighty Skullboy Army, de Jacob Chabot (Dark Horse) The Annotated Northwest Passage, de Scott Chantler (Oni) PX! Book One: A Girl and Her Panda, de Manny Trembley e Eric A. Anderson (Shadowline/Image) Satchel Paige: Striking Out Jim Crow, de James Sturm e Rich Tommaso (Center for Cartoon Studies/Hyperion)
Melhor publicação de humor Dwight T. Albatross's The Goon Noir, editada por Matt Dryer (Dark Horse) Johnny Hiro, de Fred Chao (AdHouse) Lucha Libre, de Jerry Frissen, Bill, Gobi, Fabien M., Nikola Witko, Hervé Tanquelle. (Image) Perry Bible Fellowship: The Trial of Colonel Sweeto and Other Stories, de Nicholas Gurewitch (Dark Horse) Wonton Soup, de James Stokoe (Oni)
Melhor antologia Best American Comics 2007, editada por Anne Elizabeth Moore e Chris Ware (Houghton Mifflin) 5, de Gabriel Bá, Becky Cloonan, Fabio Moon, Vasilis Lolos e Rafael Grampa (self-published) Mome, editada por Gary Groth e Eric Reynolds (Fantagraphics) Postcards: True Stories That Never Happened, editada por Jason Rodriguez (Villard) 24Seven, vol. 2, editada por Ivan Brandon (Image)
Melhor HQ digital The Abominable Charles Christopher, de Karl Kerschl Billy Dogma, Immortal, de Dean Haspiel The Process, de Joe Infurnari PX!, de Manny Trembley e Eric A. Anderson Sugarshock!, de Joss Whedon e Fabio Moon
Melhor obra baseada em fatos Laika, de Nick Abadzis (First Second) The Magical Life of Long Tack Sam, de Ann Marie Fleming (Riverhead Books/Penguem Group) Satchel Paige: Striking Out Jim Crow, de James Sturm e Rich Tommaso (Center for Cartoon Studies/Hyperion) Sentences: The Life of MF Grimm, de Percy Carey e Ronald Wimberly (Vertigo/DC) White Rapids, de Pascal Blanchet (Drawn & Quarterly)
Melhor álbum gráfico - inédito The Arrival, de Shaun Tan (Arthur A. Levine/Scholastic) Bookhunter, de Jason Shiga (Sparkplug Books) Essex County, vols. 1-2: Tales from the Farm/Ghost Stories, de Jeff Lemire (Top Shelf) Exit Wounds, de Rutu Modan (Drawn & Quarterly) Percy Gloom, de Cathy Malkasian (Fantagraphics)
Melhor álbum gráfico - republicação Agents of Atlas Hardcover, de Jeff Parker, Leonard Kirk e Kris Justice (Marvel) Gødland Celestial Edition, de Joe Casey e Tom Scioli (Image) James Sturm’s America: God, Gold e Golems, de James Sturm (Drawn & Quarterly) Mouse Guard: Fall 1152, de David Petersen (Archaia) Super Spy, de Matt Kindt (Top Shelf)
Melhor projeto/coleção arquivo - tiras (The Complete) Dream of the Rarebit Fiend, de Winsor McCay (Ulrich Merkl) Complete Terry e the Pirates, vol. 1, de Milton Caniff (IDW) Little Sammy Sneeze, de Winsor McCay (Sunday Press) Popeye, vol. 2: Well Blow Me Down, de E. C. Segar (Fantagraphics) Sundays with Walt and Skeezix, de Frank King (Sunday Press)
Melhor projeto/coleção arquivo - séries Amazing Spider-Man Omnibus, vol. 1, de Stan Lee e Steve Ditko (Marvel) Apollo’s Song, de Osamu Tezuka (Vertical) The Completely MAD Don Martin, de Don Martin (Running Press) Daredevil Omnibus, de Frank Miller e Klaus Janson (Marvel) I Shall Destroy All the Civilized Planets! de Fletcher Hanks (Fantagraphics)
Melhor edição americana de material estrangeiro The Arrival, de Shaun Tan (Arthur A. Levine/Scholastic) Aya, de Marguerite Abouet e Clement Obrerie (Drawn & Quarterly) Garage Band, de Gipi (First Second) I Killed Adolf Hitler, de Jason (Fantagraphics) The Killer, de Matz e Luc Jacamon (Archaia)
Melhor edição americana de material estrangeiro: Japão The Ice Wanderer and Other Stories, de Jiro Taniguchi (Fanfare/Ponent Mon) MW, de Osamu Tezuka (Vertical) Naoki Urasawa's Monster, de Naoki Urasawa (Viz) New Engineering, de Yuichi Yokoyama (PictureBox) Tekkonkinkreet: Black & White, de Taiyo Matsumoto (Viz) Town of Evening Calm, Country of Cherry Blossoms, de Fumiyo Kouno (Last Gasp)
Melhor escritor Ed Brubaker, Captain America, Criminal, Daredevil, Immortal Iron Fist (Marvel) James Sturm, Satchel Paige: Striking Out Jim Crow (Center for Cartoon Studies/Hyperion) Brian K. Vaughan, Buffy the Vampire Slayer (Dark Horse); Ex Machina (WildStorm/DC); Y: The Last Man (Vertigo/DC) Joss Whedon, Astonishing X-Men (Marvel); Buffy the Vampire Slayer (Dark Horse) Brian Wood, DMZ, Northlanders (Vertigo/DC); Local (Oni)
Melhor escritor/ilustrador Jeff Lemire, Essex County: Tales from the Farm/Ghost Stories (Top Shelf) Rutu Modan, Exit Wounds (Drawn & Quarterly) Shaun Tan, The Arrival (Arthur A. Levine/Scholastic) Chris Ware, Acme Novelty Library #18 (Acme Novelty) Fumi Yoshinaga, Flower of Life; The Moon e Sandals (Digital Manga)
Melhor escritor/ilustrador de humor Kyle Baker, The Bakers: Babies e Kittens (Image) Fred Chao, Johnny Hiro (AdHouse) Brandon Graham, King City (Tokyopop); Multiple Warheads (Oni) Eric Powell, The Goon (Dark Horse) James Stokoe, Wonton Soup (Oni)
Melhor desenhista/arte-finalista ou dupla desenhista e arte-finalista Steve Epting/Butch Guice/Mike Perkins, Captain America (Marvel) Pia Guerra/Jose Marzan, Jr., Y: The Last Man (Vertical/DC) Jae Lee, Dark Tower: The Gunslinger Born (Marvel) Takeshi Obata, Death Note, Hikaru No Go (Viz) Ethan Van Sciver, Green Lantern: Sinestro Corps (DC)
Melhor pintor ou artista multimedia (arte interna) Ann-Marie Fleming, The Magical Life of Long Tack Sam (Riverhead Books/Penguem Group) Eric Powell, The Goon: Chinatown (Dark Horse) Bryan Talbot, Alice in Sunderland (Dark Horse) Ben Templesmith, Fell (Image); 30 Days of Night: Red Snow; Wormwood: Gentleman Corpse (IDW)
Melhor capista John Cassaday, Astonishing X-Men (Marvel); Lone Ranger (Dynamite) James Jean, Fables (Vertigo/DC); The Umbrella Academy (Dark Horse); Process Recess 2; Superior Showcase 2 (AdHouse) J. G. Jones, 52 (DC) Jae Lee, Dark Tower: The Gunslinger Born (Marvel) Jim Lee, All Star Batman and Robin the Boy Wonder (DC); World of Warcraft (WildStorm/DC)
Melhor colorização Jimmy Gownley, Amelia Rules! (Renaissance) Steve Hamaker, Bone, vols. 5 e 6 (Scholastic); Shazam: Monster Society of Evil (DC) Richard Isanove, Dark Tower: The Gunslinger Born (Marvel) Ronda Pattison, Atomic Robo (Red 5 Comics) Dave Stewart, BPRD, Buffy the Vampire Slayer, Cut, Hellboy, Lobster Johnson, The Umbrella Academy (Dark Horse); The Spirit (DC) Alex Wald, Shaolin Cowboy (Burlyman)
Melhor letreirização Jared K. Fletcher, Catwoman, The Spirit (DC); Sentences: Life of MF Grimm (Vertigo/DC) Jimmy Gownley, Amelia Rules! (Renaissance) Todd Klein, Justice, Simon Dark (DC); Fables, Jack of Fables, Crossing Midnight (Vertigo/DC); League of Extraordinary Gentlemen: The Black Dossier (WildStorm/DC); Nexus (Rude Dude) Lewis Trondheim, "At Loose Ends", Mome 7 & 8 (Fantagraphics) Chris Ware, Acme Novelty Library #18 (Acme Novelty)
Reconhecimento especial Chuck BB, Black Metal (desenhista, Oni) Matt Silady, The Homeless Channel (roteirista/desenhista, AiT/PlanetLar) Jamie Tanner, The Aviary (roteirista/desenhista, AdHouse) James Vining, First in Space (roteirista/desenhista, Oni)
Melhor periódico relacionado a quadrinhos Comic Art #9, editada por Todd Hignite (Buenaventura Press) Comic Foundry, editada por Tim Leong (Comic Foundry) The Comics Journal, editada por Gary Groth, Michael Dean e Kristy Valenti (Fantagraphics) The Comics Reporter, produzida por Tom Spurgeon e Jordan Raphael Newsarama, produzida por Matt Brady e Michael Doran
Melhor livro relacionado a quadrinhos The Art of P. Craig Russell, editado por Joe Pruett (Desperado) The Artist Within, de Greg Preston (Dark Horse) Manga: The Complete Guide, de Jason Thompson (Del Rey Manga) Meanwhile . . . A Biography of Milton Caniff, de R. C. Harvey (Fantagraphics) Reading Comics: How Graphic Novels Work and What They Mean, de Douglas Wolk (Da Capo Press) Understanding Manga and Anime, de Robem Brenner (Libraries Unlimited/Greenwood Publishing)
Melhor design de publicação (The Complete) Dream of the Rarebit Fiend, design de Ulrich Merkl (Ulrich Merkl) Complete Terry and the Pirates, design de Dean Mullaney (IDW) Heroes, vol. 1, design de John Roshell/Comicraft (WildStorm/DC) Little Sammy Sneeze, design de Philippe Ghielmetti (Sunday Press) Process Recess 2, design de James Jean e Chris Pitzer (AdHouse) Sundays with Walt e Skeezix, design de Chris Ware (Sunday Press)
Hall da Fama (Escolha dos juízes: R. F. Outcault, Major Malcolm Wheeler-Nicholson)
Escolha pelo voto popular (quatro serão selecionados) Matt Baker John Broome Reed Crandall Rudolph Dirks Arnold Drake George Evans Creig Flessel Graham Ingels Mort Meskin Tarpe Mills Gilbert Shelton George Tuska Mort Weisinger Len Wein Barry Windsor-Smith
Um pouco do 'Eisner Awards', o Oscar dos quadrinhos norte-americanos
Saiu, esta semana, a lista dos indicados ao Eisner Awards 2008.
Trata-se do prêmio da indústria norte-americana de quadrinhos, concedido durante
a San Diego Comic-Con, uma das maiores feiras de quadrinhos do mundo (já estive
lá, um dia posto as fotos).
Amanhã divulgo esta lista. Hoje, para contextualizar, vou falar um pouco do
prêmio em si.
- o Eisner Awards existe desde 1988, e só não foi realizado em 1990 -
possui TRINTA E UM (!) categorias, que vão de melhor roteirista a melhor
capista, passando por melhor série contínua, melhor série contínua em preto e
branco, melhor pintor/artista multimídia de interior, melhor desenhista e
arte-finalista ou equipe de desenhista e arte-finalista etc. - o prêmio mais
importante é o The Will Eisner Award Hall of Fame, ou hall da fama; no Brasil,
tanto o Troféu Angelo Agostini como o HQ Mix têm premiações similares (Mestre
dos Quadrinhos, no caso do primeiro, e Hall da Fama, no segundo). -
antigamente, o The Will Eisner Award Hall of Fame era mais restrito: eram
eleitos três por ano; desandou pelo caminho, e no ano passado foram sete
premiados - me dei o trabalho de contar todos os premiados de cada ano e ver
quem, de fato, foi a HQ que mais se destacou por ano, a julgar pela quantidade
de prêmios recebidos:
1988 - Watchmen (Alan Moore e David Gibbons):
melhor série limitada, melhor graphic album, melhor escritor e melhor equipe
escritor/artista
1989 - A Piada Mortal (Alan Moore e Brian
Bolland): melhor graphic album, melhor escritor e melhor equipe
lápis/nanquim e Concreto (Paul Chadwick): melhor série contínua,
melhor série em preto e branco e melhor equipe escritor/artista
1991 - Sandman (Neil Gaiman e
vários): melhor série contínua, melhor escritor e melhor graphic
novel/reimpressão ("A Casa de Bonecas")
1992
- Sandman (Neil Gaiman e vários): melhor série contínua,
melhor escritor, melhor história fechada ("Estação das Brumas"), melhor editora
(Karen Berger) e melhor produto relacionado a quadrinhos (estátua do
Sandman)
1993 - Sandman (Neil Gaiman e vários): melhor
série contínua, melhor escritor, melhor design ("Estação das Brumas"), melhor
editora (Karen Berger) e melhor letreirista (Todd Klein)
1994
- Sandman (Neil Gaiman e vários): melhor escritor, melhor
desenhista/arte-finalista (P. Craig Russell), melhor editora (Karen Berger),
melhor letreirista (Todd Klein) e melhor produto relacionado a quadrinhos
(estátua do Sandman) e Bone (Jeff Smith): melhor série contínua,
melhor publicação de humor e melhor escritor/artista
1995 - Bone (Jeff Smith): melhor série
contínua, melhor publicação de humor e melhor escritor/artista
1996 - Acme Novety Library (Chris Ware):
melhor série contínua, melhor colorista e melhor design e Astro City
(Kurt Busiek, Brent E. Anderson e Alex Ross): melhor história
individual, melhor série nova e melhor capista
1997 - O Reino do Amanhã (Mark Waid e Alex
Ross): melhor série limitada, melhor editor, melhor pintor/artista
multimídia de interior, melhor capista e melhor letreirista
1998 - Astro City (Kurt Busiek, Brent E. Anderson e
Alex Ross): melhor história individual, melhor história seriada, melhor
série contínua e melhor capista
1999 - 300 (Frank Miller): melhor
escritor/artista, melhor história limitada e melhor colorista
2000 - Tom Strong (Alan Moore e Chris
Sprouse): melhor história individual, melhor história seriada, melhor
escritor e melhor letreirista
2001 - Top 10
(Alan Moore e Gene Ha): melhor série contínua, melhor escritor e melhor
letreirista e Promethea (Alan Moore e J.H. Williams): melhor
história individual, melhor história seriada, melhor escritor e melhor
letreirista
2002 - 100 Balas (Brian
Azxarello e Eduardo Risso): melhor série contínua, melhor
desenhista/arte-finalista e melhor capista
2003 - Fábulas (Bill Willingham e
vários): melhor série nova, melhor história seriada e melhor
letreirista
2004 - Sandman: Noites Sem Fim (Neil
Gaiman e vários): melhor história curta ("Morte"), melhor antologia e
melhor letreirista (Todd Klein)
2005 - Fábulas (Bill Willingham e
vários): melhor série nova, melhor história seriada e melhor
letreirista
2006 - Fábulas (Bill Willingham e
vários): melhor história seriada, melhor letreirists e melhor
letreirista, Solo (vários): melhor edição única ou história,
melhor história curta e melhor antologia e Top 10 (Alan Moore e Gene
Ha): melhor álbum inédito, melhor escritor e melhor
letreirista 2007 - Fábulas (Bill
Willingham e vários): melhor história curta, melhor pintor/artista
multimídia de interior, melhor equipe de desenhista/arte-finalista, melhor
letreirists, melhor antologia e melhor letreirista
Quase todas as séries acima foram parcialmente publicadas no Brasil. Poucas
saíram até o final - uma pena, uma pena. As únicas séries ainda inéditas são as
histórias da revista "Solo" e a série "Acme Novelty Library".
Amanhã publico os indicados ao Eisner Awards 2008.
O Blog da Redação do UOL Esporte tem uma notícia divertida: Kaká, meia do Milan, vai participar, como personagem, de uma história em quadrinhos. Ele será entrevistado por ninguém menos do que Tio Patinhas.
É uma entrevista pouco usual, e não só pelo entrevistado, mas também pelo entrevistador. Tio Patinhas não é repórter, mas o dono de A Patada, o principal jornal de Patópolis. Os principais repórteres são Donald e o Peninha.
A importância de A Patada extrapola os limites dos quadrinhos: se não me engano, o Manual do Peninha foi o primeiro manual de redação de jornalismo publicado no Brasil.
A Folha tem uma matéria hoje sobre uma das minhas HQs favoritas:
Asterix, criada em 1959 por René Goscinny e Albert Uderzo. Passei a minha
infância lendo. Não precisei ir atrás: meus pais (ótimo gosto, aliás!) já tinham
a coleção completa. Li e reli tantas vezes que sei algumas passagens de
cabeça.
A matéria diz que será lançada no Brasil uma edição especial em que 34
artistas, de diferentes estilos (do erótico italiano de Milo Manara ao
disneyniano Vicar, passando por Stuart Immonen, ótimo ilustardor de
super-heróis), homenageiam Uderzo.
(Um parêntese: fico curioso para ver se algum mangaká [artista de mangá]
participou do projeto, depois da paulada de Uderzo nos quadrinhos orientais no
último álbum do Asterix, o "O Dia em que o Céu Caiu", lançado em 2005. O álbum,
aliás, é o mais fraco de toda a série do Asterix, mas isso é outra
história.)
Eu fico me perguntando por que Asterix é tão universal, tão bem aceito. Já
ouvi algumas teorias interessantes. Por exemplo: ele traz a história universal
da luta do mais fraco (os gauleses) contra os mais fortes (o Império Romano), em
que os mais fracos conseguem vencer com um misto de esperteza (Asterix),
inocência (Obelix) e inteligência (Panoramix).
Pode ser.
Mas eu vejo outra coisa: os roteiros. São excepcionais. Os desenhos também
são lindos, claro, mas os roteiros, especialmente quando Goscinny era vivo, são
muito acima da média. Ágeis, engraçados, inteligentes, com personagens bem
definidos e carismáticos. Histórias muito bem contados, com início e fim, mas,
principalmente, recheio. Todos os personagens coadjuvantes são excelentes; todas
as passagens, engraçadas; não havia cena perdida.
Acho Asterix uma das melhores HQs do mundo do século 20. Goscinny e Uderzo
definitivamente merecem esta homenagem!
O nipo-norte-americano Michael Ramirez, nascido em Tóquio, foi premiado neste ano (pela segunda vez, aliás; a primeira foi em 1994) com o Prêmio Pulitzer. O cara, para usar um bom eufemismo, tem seus méritos. E concedeu uma entrevista ao G1, falando desta arte tão próxima dos quadrinhos que é a charge.
Um comentário: na matéria, eles chamam de "cartunismo político"; é tradução literal do inglês, em que "cartoon" é usado tanto para cartum como para charge. No Brasil, se há um contexto por trás da piada (esportivo ou político, por exemplo) é charge, e não cartum. Por isso "cartunismo político" soa estranho: se é político não é cartum, mas charge.
Trechos da entrevista:
- "Todo ano é um grande ano para o cartunismo. O comportamento dos políticos ajuda a fazer o trabalho para você."
- "Acredito que, hoje, infelizmente, os cartuns políticos estão seguindo uma tendência de migrar para o campo do entretenimento."
- "O ponto é que, se você quer produzir um impacto profundo no debate político em seu país, você precisa estimular as pessoas a olhar e a pensar."
- (sobre o polêmico cartum sobre Maomé) "Eu acho que há limites de bom gosto. Você nao quer ofender as pessoas à toa. Eu não faço cartuns controversos só pela controvérsia. Como não faço cartuns de humor pelo humor. Você tem de ter um motivo. Acho que a reação dos muçulmanos é errada ao tentar limitar o discurso das pessoas, que deveriam ter o direito de poder tirar suas próprias conclusões. Penso que, se alguém desenha algo ofensivo, isso terá um mau reflexo no seu trabalho. Quando faço cartum político, sou muito consciente das sensibilidades em jogo e tento evitar que um elemento daquele cartum seja puramente ofensivo. Se você faz isso, eles vão focar apenas naquele elemento em vez da charge como um todo."
- "Uma coisa importante sobre a charge política hoje é que se tratam de trabalhos que lidam com temas complexos. E, como chargistas, temos de entender a profundidade do tema nós mesmos. Temos de conhecer o assunto bem o suficiente para defendermos o nosso ponto de vista. Não há nenhuma charge que eu tenha desenhado até hoje que eu não consiga defender."
Gostei do comentário sobre a profundidade. Será que é aí que está o segredo de uma boa charge?
Novo livro de Calvin: com imaginação, jamais há solidão
Já falei do Calvin aqui no Calha, mas com "Tem Alguma Coisa Babando Embaixo da Cama" chegando às livrarias, não resisto: falo de novo.
O título desse livro já diz muito. Na sua infância, quando seus pais apagavam a luz do quarto para a noite de sono, você alguma vez sentiu que havia monstros à espreita, escondidos em algum lugar da escuridão? Calvintem certeza: eles estão lá!
Tudo pode ser um problema - ou uma aventura, dependendo do ponto de vista - para uma criança (ou adolescente) que reflete sobre si mesmo e sobre o mundo que está conhecendo. Bill Watterson, além de ótimo roteirista e ilustrador, é um grande observador: sabe extrair dos pequenos momentos do cotidiano cenas que são retratadas com doses de humor e lirismo.
Assim, estão retratadas neste álbum situações como Calvin ter de "ceder" seu dinheiro ao garoto mais velho (e forte); sua angústia para decorar uma fala de uma peça a ser encenada na escola; o desgosto de ter de fazer exercícios nas aulas de educação física; e até o fato de ele não saber o que fazer quando sua mãe fica doente e de cama.
Calvin tem uma "arma" para lidar com todas estas situações. É a mesma, aliás, usada por inúmeras crianças e adultos, e que talvez explique a identificação que o personagem gera em seus leitores. É a imaginação.
Dentro de sua mente, Calvin nunca está sozinho. Se a situação não está como ele gostaria (por exemplo: ele tem de comer o mingau do refeitório na escola), basta que ele se "transforme" no astronauta Spiff, viajante espacial em sua árdua tarefa de conhecer planetas inóspitos. Ele também pode virar um dinossauro, ficar invisível, provocar maremotos... Com sua imaginação, não há limites.
E há, acima de tudo, Haroldo, o tigre de pelúcia que é seu melhor amigo, mesmo que imaginário. É com ele que Calvin brinca, praticando esportes que não existem - e que por isso mesmo são mais divertidos. É também a ele que o menino conta suas confidências, medos e inseguranças. São seus ouvidos "felinos" que ouvem as reclamações sobre o excesso de rigor dos pais, os deveres e a falta de diversão.
Há um coisa bem própria do Calvin: ele nunca reclama da solidão.
Uma das seções mais tradicionais da "Mad" é a Dobradinha Mad, geralmente
anunciada com um "ridícula" antes do nome. E, convenhamos, de ridícula não tem
nada. É surpreendente, debochada e acidamente crítica. Ou seja: é a seção da
"Mad" com mais cara de "Mad".
Em http://www.nytimes.com/interactive/2008/03/28/arts/20080330_FOLD_IN_FEATURE.html# , está uma versão online das Dobradinha Mad
- com o nome original, Fold-In. Não dá para "dobrar" a página no sentido
tradicional, mas para arrastá-la com o mouse. Não são todas Dobradinhas Mad, mas
23 "clássicas", coletadas desde 1964, todas de autoria de Al Jaffee, artista
norte-americano que já colaborou com 437 edições da "Mad".
O mundo está passando por um processo de 'Dilbertização'
A economia dos Estados Unidos está indo pro vinagre. Pelo menos, é o que carece, a julgar pelo bafafá que a crise norte-americana está provocando no resto do mundo - Brasil devidamente incluído na lista. E eis que, nesta semana que começa, o economista Paul Krugman começa sua coluna no vetusto "The New York Times" da seguinte maneira:
"Qualquer um que trabalhou em uma grande organização -ou que leia a tira de quadrinhos 'Dilbert'- está familiarizado com a estratégia "mapa organizacional". Para esconder sua falta de qualquer idéia sobre o que fazer, os gerentes às vezes fazem um grande show de reorganização das caixas e linhas que dizem quem presta contas a quem.
Agora você entende o princípio por trás da nova proposta do governo Bush de reforma financeira: se trata da criação da aparência de estar respondendo à crise atual, sem realmente fazer nada significativo."
Concordo com Paul Krugman, e vou além - pelo menos na área de história em quadrinhos, uma vez que quando o assunto é economia eu abaixo a cabeça e ouço tudo com cara de conteúdo, raramente emitindo opiniões. Então, meus comentários ficarão restritos à criação de Scott Adams.
Dilbert, para mim, é o espírito das megacorporações, das corporações grandes, médias ou mais ou menos, do século 21. Isso apesar de a tira ter surgido no século 20 - 16 de abril de 1989, para ser mais preciso. Ele é tão "século 21" que tem seu próprio blog (o Dilbert, não o Scott Adams): http://dilbertblog.typepad.com/
Quanto mais eu trabalho e ouço histórias de trabalho, mais me parece que as empresas daqui do brasil estão passando por um processo de "dilbertização". Não é um julgamento, pelo menos não a princípio. Mas o fato de colocar todas as profissões de funcionários de uma empresa no mesmo balaio me parece equivocada. Quem tem que fazer auto-avaliação (bimestral, trimestral, semestral, tanto faz) sabe do que estou falando. São sempre as mesmas perguntas, não importa se você é um engenheiro, um jornalista, um administrador ou o que quer que seja.
Este é um exemplo minúsculo. O lance é que "Dilbert", hoje uma tira publicada em 2.000 jornais, 65 países e 25 línguas, acertou no ponto: mostra o quanto as empresas são ridículas, o quanto os funcionários são impotentes diante desse mundo kafkiano e o quanto é tudo, mas tudo mesmo, muito engraçado.
Sim, eu me sinto ridículo quando leio "Dilbert". Ridículo porque eu me vejo lá: eu, meus amigos, meus colegas de trabalho. Ridículo, burocrático, com idissioncracias, normas arbitrárias e ordens não-intencionalmente dadaístas. E fazer o quê quanto a isso? Dar risada, oras.
O mote, agora, é que filme anti-islamismo feito pelo político holandês de direita Geert Wilders começa com a polêmica charge de Westergaard, em que Maomé é retratado com uma bomba-relógio no turbante.
O artista não gostou e pediu que a caricatura fosse retirada do filme.
"Não quero vê-la fora do seu contexto original. Aquele desenho tinha como alvo os terroristas islamitas fanáticos - uma pequena parte do islamismo. A caricatura não pode ser usada contra os muçulmanos como um todo. Não foi essa a minha intenção", explica Westergaard.
Trecho da matéria:
"Spiegel Online - Você às vezes se arrepende de ter feito a caricatura? Westergaard - Não. Se não fosse a caricatura, outra coisa teria provocado os protestos: um livro, uma peça teatral ou um filme. Creio que temos que passar por este período de fricção entre as duas culturas. Espero que os nossos cidadãos dinamarqueses muçulmanos entendam o que significa viver em uma democracia. Mesmo que você seja contrário à democracia, dá para viver nela, mas tem que lutar por meios pacíficos. Na Dinamarca, temos um ditado: A democracia vai para a cama com os inimigos dela - não por desejo, mas por uma questão de princípios."
A Universal liberou ontem o segundo trailer para o novo filme de Hellboy,
criação de Mike Mignola. Não sabia que o filme estava tão avançado assim - não
havia visto sequer o primeiro trailer, que reproduzo abaixo.
Tenho altas expectativas para este filme. Hellboy é uma HQ divertida,
honesta: não pretende revolucionar o gênero de super-heróis (ou de terror), mas
"apenas" contar boas histórias. São HQs raras hoje em dia. Goon, Bone, Hellboy,
Estranhos no Paraíso: exemplos de quadrinhos bem feitos, com autores cuidadosos
ao extremo com seus personagens.
Mas não é por isso que espero tanto do filme, mas por causa do diretor. Sou
fã do mexicano Guillermo Del Toro. Ele também dirigiu o primeiro "Hellboy", que
é divertido, lançado em 2004. Mas entre um e outro Hellboy ele lançou, em 2006,
"O Labirinto do Fauno. Achei impressionante. Ainda acho, na verdade. Em todos os
aspectos: visual (efeitos especiais, cenário e figurino); no roteiro, que aborda
dois temas aparentemente tão incompatíveis quanto a Guerra Civil Espanhola e um
reino encantado de fadas e duendes que vive ao nosso redor, mas não podemos ver;
na força dos personagens. Foi uma experiência marcante para mim. Quero ver todos
os outros filmes dele, a começar por "A Espinha do Diabo".
Enfim, o primeiro trailer de "Hellboy II - The Golden Army" (Hellboy 2, o
exército dourado).
Adão Iturrusgarai é de uma ótima geração de quadrinistas brasileiros de humor
escrachado. Bem escrachado, na verdade. Às vezes, caminha no limite do bom
gosto, e há quem torça o nariz. Eu gosto: acho que tem altos e baixos, como
qualquer ser humano, mas que, na média, é bem engraçado. E vi, hoje, dois
trabalhos divertidos deles, uma HQ e um cartum.
A HQ, da série La Vie En Rose, foi publicada na "Folha" de hoje:
A HQ usa um formato não-original, que ele usa há tempos. Mesmo assim é, ao
mesmo tempo, engraçado, surpreendente e inteligente.
"Watchmen" e "Snoopy" são duas das melhores HQs dos Estados Unidos do século
20, cada uma a seu jeito. "Snoopy": bem-humorado, delicado, inteligente.
"Watchmen": super-heróis, apocalíptico, também inteligente. O que daria do
cruzamento das duas séries?
O quadrinista Evan Shaner (do blog "Cheer up! At
least you're not Evan Shaner", algo como "Celebre! Pelo menos você
não é o Evan Shaner" - aliás, um título bem à la Charlie Brown) desenhou os personagens principais de "Watchmen"
emulando o traço do saudoso Charles Schulz.
A partir do alto, à esquerda, em sentido horário:
Linus + Comediante Charlie Brown + Doutor Manhattan Schroeder +
Ozymandias Pig-Pen + Coruja Snoopy + Rorschach Lucy + Espectro
Woodstock e a Garotinha Ruiva fazem falta, mas ficou genial!
ps2 - Se eu soubesse desenhar, faria a mesma
brincadeira, mas emulando o traço do Mauricio de Sousa: Do Contra +
Comediante Cebolinha + Doutor Manhattan Franjinha + Ozymandias Cascão +
Coruja Bidu + Rorschach Mônica + Espectro
Dez dicas de blogs e fotoblogs de quadrinistas (e um brinde)
Não acho que uma HQ se resuma às ilustrações. Acho que história em quadrinhos é, antes de tudo, roteiro. OK,
admito que esta frase não é minha, mas do Mauricio de Sousa. Mas concordo com
ele... E isso não significa que eu despreze a arte, de modo algum. Ambas têm
igual importância na arte seqüencial.
Afinal, uma HQ em que a arte poderia ficar de fora não é quadrinhos, mas
prosa com ilustrações. Exemplo: quando estreou o filme "Stardust", baseado na
obra de Neil Gaiman, foi várias vezes dito que era inspirado em uma "graphic
novel". Errado: é um romance, em prosa, como tantos outros que Gaiman
escreveu.
Por outro lado, pode existir uma HQ sem palavras escritas. A editora Marvel,
por exemplo, fez nos EUA há alguns anos um "mês silencioso", em que todas (ou
quase todas) as edições não tinham falas, eram narradas apenas pelas imagens.
Isso não quer dizer, de modo algum, que a arte prescinda do roteiro em uma
história em quadrinhos. Arte sem roteiro não é HQ, mas ilustração.
Enfim, tudo isto para dizer que ótimos quadrinistas têm blogs ou fotoblogs. A
maioria não os atualiza tantas vezes quanto nós, fãs, gostaríamos, mas, enfim,
ficam aqui as dicas: