Li na Folha que a poderosa Louis Vitton (a marca de luxo mais poderosa do mundo, segundo a "Forbes") está processando a artista dinamarquesa Nadia Plesner (http://www.nadiaplesner.com/), de 26 anos, por vender camisetas com a imagem (ao lado) de uma criança sudanesa desnutrida e nua que aparece com um cachorrinho igual ao da Paris Hilton e com uma bolsa da Louis Vitton.
Explica Nadia em seu site: "As I was reading the book "Not on our watch” by Don Cheadle and John Prendergast last summer, I felt horrified by the fact that even with the genocide and other ongoing atrocities in Darfur, Paris Hilton was the one getting all the attention. Is it possible that show business have outruled common sense?"
Livremente traduzindo: "Eu estava lendo o livro 'Not on Our Watch', de Don Cheadle e John Prendergast, no verão passado, e me senti horrorizada pelo fato de que mesmo com o genocídio e outras atrocidades contínuas em Darfur, Paris Hilton continuava adquirindo toda a atenção. É possível que o bom senso do show business tenha desgovernado completamente?"
Em minha opinião, não. Ele fez uma crítica social, como tantos outros chargistas fazem - Glauco, irmãos Caruso, Lailson, Dálcio Machado, Jean, tantos outros.
Como escreveu Angli no editorial da primeira edição da revista "Chiclete com Banana", no distante outubro de 1985: "Queremos com esse gibi - ou seria revista? - apenas beliscar a bunda do ser humano para ver se a besta acorda."
Mais de duas décadas depois, ainda há gente que acha a Paris Hilton mais importante que Darfur, ou que a pobreza no Brasil deve ser escondida, não denunciada. Enquanto ainda existirem pessoas assim, será importante que Nadia Plesner, Lovatto, Angeli e os demais continuem seu trabalho.
Este fanfilm é "I'm Power Girl Dammit!!!" ("sou a Poderosa, droga!!!") e é uma continuação do vídeo abaixo, "Power Girl: The Classifieds". Segue a mesma linha: comédia, usando personagens da DC - neste caso, Poderosa, Bizarro e Oráculo. Também é a mesma equipe: roteiro e direção de Chris R. Notarile, e Tawnya Manion como Poderosa.
Notei que faz muito tempo que não posto aqui um fanfilm, vídeo amador feito por um fã em homenagem a um personagem. E me lembrei deste "Power Girl: The Classifieds", estrelado pela Poderosa.
Inspirado pela época em que a heroína fazia parte da Liga da Justiça Europa - e quando estava no auge da sua impaciência -mostra o que aconteceria se ela tivesse "férias forçadas" do grupo para tentar controlar seu impulsivo temperamento.
O vídeo é um pouco longo (mais de 14 minutos), mas bem divertido. E Tawnya Manion ficou ótima como a impaciente Poderosa. Este fanfilm teve até uma continuação, que eu postarei amanhã.
Fui assistir a "Homem de Ferro", o filme de Jon Favreau, com a minha Pequena, que não lê quadrinhos. Ela gostou do filme; eu adorei.
Achei o roteiro amarrado e nas regras do gênero de super-heróis; ótimas atuações, especialmente do Robert Downey Jr. como Tony Stark / Homem de Ferro; humor; efeitos especiais divertidos; e citações internas para os fãs atentos.
Entretanto, ao sair do cinema, questionado sobre se o filme respeitava o personagem, engasguei. Em essência, sim, sem dúvida alguma. Mas qual deles?
Super-heróis de longa trajetória - o homem de Ferro foi criado há 45 anos, em março de 1963 - tendem a ter uma cronologia confusa. E o Homem de Ferro não escapa disso. Por isso, resolvi escrever um pouquinho (só um pouquinho) sobre cada "homem sob a armadura".
O primeiro Homem de Ferro é Anthony Edward Stark, o Tony Stark, criado por Stan Lee, Larry Lieber, Don Heck e Jack Kirby em "Tales of Suspense" nº 39 (março de 1963).
Trata-se de um homem ferido no peito durante uma guerra (Vietnã, 1963). Seu coração pode parar a qualquer momento. Aprisionado por vietnamitas e forçado a criar uma arma para eles, cria uma armadura que, ao mesmo tempo que mantém seu coração batendo, funciona como arma para que ele se fuja da prisão.
As primeiras histórias do Homem de Ferro/Tony Stark eram de uma imensa ingenuidade, e ele enfrentava inimigos de nacionalidades dos rivais dos Estados Unidos dos anos 60, entre eles os soviéticos comunistas Homem de Titânio (Boris Bullski), Dínamo Escarlate (Anton Vanko) e Viúva Negra (Natasha Romanoff), além do comunista chinês Mandarim (Gene Khan).
Com o tempo, Stark se tornou um inventor-cientista-sabe-tudo milionário e o Homem de Ferro era seu guarda-costas.
No início dos anos 80, em uma de suas melhores sagas, Homem de Ferro/Tony Stark finalmente encontra dois inimigos à sua altura.
O primeiro é Obadiah Stane, um habilidoso e manipulador empresário que vai derrotando Stark aos poucos, adquirindo partes de sua empresa, a Stark Internacional. O segundo é alcoolismo.
Com estes dois elementos (Stane, um rival de cérebro, e o alcoolismo), a saga "Demônio na Garrafa" é, na minha opinião, a melhor do personagem.
O Homem de Ferro também é membro dos Vingadores - membro-fundador e ex-líder. Também fez parte de formações derivadas do grupo, como os Vingadores da Costa Oeste e a Força-Tarefa.
Muitos anos e bobagens se passaram desde então. Stark ficou paralítico e voltou a andar; foi subsituído por um módulo de vida artificial (espécie de andróide) em três ocasiões; morreu, assassinado pelo Adversário, e ressuscitou; morreu, assassinado por Kang, e ressuscitou; morreu, assassinado por Massacre e ressuscitou.
Nos anos 2000, especialmente pós-11 de Setembro, as histórias do Homem de Ferro se tornaram mais políticas. Ele se tornou secretário de Defesa dos Estados Unidos por um tempo.
Depois, houve a saga "Guerra Civil", quando todos os super-heróis da Marvel tiveram que escolher se eram a favor ou contra a Lei do Registro, a versão Marvel para o Ato Patriótico do Governo Bush.
Com a Lei do Registro, todo superser, herói ou não, passou a ser obrigado a apresentar sua identidade, poderes etc. ao governo norte-americano. A maioria dos heróis foi contra, e houve uma rebelião, liderada pelo Capitão América.
O Homem de Ferro foi o líder da facção pró-Lei do Registro. Por sete meses, os heróis da Marvel pararam de combater os vilões e ficaram se enfrentando uns aos outros.
Stark venceu a "Guerra Civil" e hoje é o diretor da Shield, a misteriosa entidade cujo nome por extenso é "Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão" e que age em todos os países da Marvel... Quase o cargo de dono do mundo.
O segundo Homem de Ferro é James Rupert Rhodes, piloto amigão de Tony
Stark - no filme, ele é interpretado por Terrence Howard.
Rhodes assume a armadura pela primeira vez durante uma das crises de
alcoolismo de Stark. Acabou se firmando como Homem de Ferro, fazendo parte até
dos Vingadores da Costa Oeste - foi um dos membros-fundadores do grupo.
Depois, Rhodes assumiu outra armadura e identidade: Máquina de Combate, nome
que usa até hoje.
Rhodes brigou com Stark, e hoje eles não são mais amigos... Pelo menos, não
nos quadrinhos.
Em uma péssima saga dos Vingadores, grupo ao qual é muito ligado, o
Homem de Ferro original, Anthony Edward Stark, foi dominado por um inimigo dos
Vingadores, Kang (essa história foi recontada e na verdade não era Kang, mas
Immortus; originalmente, entretanto, era Kang).
Para combater o violento e dominado Anthony Edward Stark, os Vingadores
apelaram para um novo Homem de Ferro: Anthony Edward Stark. Na verdade, uma
versão adolescente dele, que viajou no tempo.
A saga termina com Stark, o original, se sacrificando para derrotar Kang
(Immortus, segundo a retcon - ato de "atualizar a história"). Teen Tony, como o
Stark viajante do tempo ficou conhecido, assume a armadura.
Teen Tony morreu assassinado por Massacre, assim como muitos outros heróis.
Entretanto, na cronologia (maluca?) da Marvel, todos os heróis que morreram no
confronto com Massacre foram "recriados" em outro universo por Franklin
Richards, filho so Senhor Fantástico e da Mulher Invisível.
Neste novo universo surge um novo Homem de Ferro: uma versão adulta de
Anthony Edward Stark, mas diferente de suas versões anteriores. Um quarto Homem
de Ferro.
Este universo criado por Franklin Richards foi mostrado durante os eventos da
saga "Heróis Renascem". Não deu certo, e esse tal universo foi pro vinagre, com
Franklin Richards (seria ele um deus?) ressuscitando todos os heróis no seu
universo original.
Na hora de recriar o Homem de Ferro, entretanto, Franklin Richards
(acho que ele é um deus!) tomou o cuidado de fundir o Stark original (primeiro
Homem de Ferro) com o Teen Tony (o terceiro Homem de Ferro). Surge uma nova
criatura, com a soma das memórias dos outros dois:o quinto Homem de Ferro.
A cronologia Marvel é uma zona, difícil de acompanhar
para leitores tradicionais, que dirá os leitores que, porventura, sintam-se
atraídos aos quadrinhos após assistirem os filmes.
Para este e outros casos, a Marvel criou o universo conhecido como
"Ultimate", onde seus personagens têm sido recriados aos poucos, sem pressa. As
revistas são mais pensadas, editorialmente falando. Claro, há erros - os autores
são humanos, super-humanos são só os personagens. Mas, no geral, tem histórias
de bom nível.
E o Homem de Ferro versão "Ultimate" foi criado como um dos protagonistas dos
Supremos, a versão "Ultimate" dos Vingadores.
Trata-se de Anthony Edward Stark, um homem com um tumor inoperável no
cérebro. Ele atua como Homem de Ferro, e sua identidade é pública: todo mundo
sabe que Stark é o homem sob a armadura.
O Tony Stark versão "ultimate" é mulherendo, alcoólatra e divertido, bem
parecido com o vivido por Robert Downey Jr. no filme "Homem de Ferro".
A editora Marvel percebeu que os filmes de super-heróis têm um enorme potencial - ah, vá.
Mas o lance é o que ela decidiu fazer com essa descoberta: uma série de filmes produzidos pela própria Marvel.
O primeiro filme produzido pela Marvel é o "Homem de Ferro", estrelado por Robert Downey Jr. - e que é excelente, já assisti, posto sobre ele em breve.
Com atores de nome (Downey, Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow), roteiro bem feito, ótimos efeitos especiais e um complexo personagem, "Homem de Ferro" foi um sucesso - ah, vá.
E, embora não tenha sido dito abertamente ainda, este "Homem de Ferro" é mais do que o primeiro capítulo de uma "triologia" ou algo assim. Está mais para uma série de cinema sobre os Vingadores, o grupo de super-heróis que envolve alguns dos principais nomes dos personagens da Marvel.
A série, por enquanto, está assim prevista:
Capítulo 1: "Homem de Ferro" (estreou no Brasil em abril de 2008), com a introdução do personagem-título e da S.H.I.E.L.D., organização de segurança que envolve governos do mundo inteiro e que estará relacionada à ciração dos Vingadores.
Capítulo 2: "O Incrível Hulk" (estréia no Brasil em junho de 2008): reintrodução do Hulk, deve desconsiderar o filme de Ang Lee. Tony Stark, a identidade secreta do Homem de Ferro, deve fazer uma ponta, fazendo uma ligação com o primeiro filme. A S.H.I.E.L.D. também pode aparecer.
Capítulo 3: "Homem de Ferro 2" (estréia nos EUA em 30 de abril de 2010)
Capítulo 4: "Thor" (estréia nos EUA em 4 de junho de 2010)
Capítulo 5: "The First Avenger: Captain America" (título provisório, pode ser traduzido como "O Primeiro Vingador: Capitão América"; estréia nos EUA em 6 de maio de 2011)
Capítulo 6: "The Avengers" ("Os Vingadores": estréia nos EUA em julho de 2011)
Outros capítulos podem ser introduzidos à série, como o possível filme do "Homem-Formiga" e, quem sabe, novos capítulos do "Homem-Aranha".
Enquanto isso, a DC se enrola com "Smallville", seriado que narra a formação do Superman e deveria acabar na sétima temporada, mas que se arrasta para a oitava mesmo perdendo dois dos personagens mais importantes, Lex Luthor e Lana Lang.
A DC nunca anunciou o próximo passo de "Smallville", se um seriado baseado na Liga da Justiça (que tem sido apresentada paulatinamente na série) ou se uma nova franquia no cinema. Mas parece temer este próximo passo - e pode estar, com isso, perdendo espaço para a concorrente Marvel, mais arrojada.
ps - Curiosidade: os Vingadores já ganharam um desenho animado próprio, "Avengers", em 1999. O grupo não tinha os principais Vingadores (Hulk, Capitão América, Thor e Homem de Ferro), e era formado por Homem-Formiga, Vespa, Gavião Arqueiro, Magnum, Falcão, Tigresa, Feiticeira Escarlate e Visão. Teve apenas 17 episódios. Abaixo, a abertura - era para o público infantil, então não espere nada parecido no filme de 2011:
Muito legal a edição de ontem do "Mais!", caderno da Folha, sobre Maio e 1968. E legal também que deram voz a Angeli, criador do divertido Meiaoito, eterno revolucionário teórico, mas nunca prática.
As histórias do Angeli são, normalmente, tão críticas, política ou socialmente, que às vezes parecem charges em quadrinhos - assim como a "Mafalda", do Quino, comentada no post abaixo.
É uma característica dele, que o torna diferente, por exemplo, de seus amigos Glauco (mais escrachado) e Laerte (em sua fase atual, filosófica-metalingüística-surreal).
Abaixo, a última HQ de Meaioto, morto ano ano passado e tema da entrevista:
Folha - E agora ele morreu? Angeli - Aparentemente morreu. Eu fazia charges para a Folha desde 1975 e, quando passei a fazer tiras, em 1983, criei uma leva de personagens. Ele foi o primeiro. Logo coloquei Nanico como seu companheiro. Um, seco e moralista; outro, que queria soltar as plumas. Meiaoito foi atropelado por um caminhão da Coca-Cola. Não considero uma morte definitiva, mas me sinto bem deixando-o de lado. Antes da morte, fez uma revisão, conversou com [fantasmas de] Lênin, sua mãe e quase admitiu que era tudo uma fantasia.
De fato, as conversas de Meiaoito com o fantsama de Lênin foram ótimas. Engraçadas e inteligentes, era um verdadeiro questionamento: o que, afinal, aconteceu com a revolução comunista?
(Antes de tudo, peco desculpas pela falta de acentos. Estou em um teclado improvisado, arrumo este post assim que puder.*)
Meu amigo Roger me trouxe da Argentina o livro "Mafalda Inedita". Traz tiras da personagem criada pelo argentino Quino que foram publicadas no jornal, mas não foram reunidas nos dez volumes de livros , que mais tarde foram re-reunidas no “Toda a Mafalda”.
Essas tiras foram deixadas de fora, segundo a "explicacion" do livro, por 3 motivos:
1 - por serem datadas (referências a fatos pontuais da época);
2 – por serem “ruins”, na opinião do Quino;
3 – por serem políticas: tiras que, segundo explica o Quino, "tanto por ignorância das regras do jogo democrático quanto pela precariedade da própria democracia, nos convertemos, sem desejar, em aliados do nosso inimigo”.
Achei interessantes esses critérios de exclusão. Principalmente os dois últimos. Politica! De fato, “Mafalda”, enquanto história em quadrinhos, é tão politizada que parece uma charge.
E mais: Quino parece ter se arrependido de ter criticado quem criticou – no caso, Arturo Umberto Illia, presidente argentino deposto pelo golpe militar de 28 de junho de 1966. Parece que ele se sente como alguém que deu munição para os militares que deram o golpe e governaram a Argentina com mão-de-ferro.
O trabalho do chargista, ou do crítico social em geral, seja ele quadrinista, cineasta ou jornalista, inclui a responsabilidade de saber criticar e/ou apoiar as pessoas certas. Um erro de avaliação para uma piada, ou um erro de contextualização, pode fazer com que o leitor perca a credibilidade nele. E mais - pode fazer com que o próprio crítico social perca a confiança no seu trabalho. Felizmente, não foi o caso do Quino, que aposentou a Mafalda em 1973, mas qué ate hoje continua criando charges e cartuns de alta qualidade (na minha opinião, alguns até melhores que Mafalda, que já é excelente).
A outra coisa interessante são as tiras de "má qualidade". O curioso é que essas tiras deixadas de lado por Quino não são exatamente "mas". Mas retratam a Mafalda mais politicamente incorreta: acusando a mãe de ser alienada por não ter se formado, atormentando o pai como uma menina nomal, e nao como a menina politicamente antenada que de fato era ela, etc.
Dizem que há mais de dez evangelhos (livros que narram a história de Jesus), e que a Igreja Católica considerou apócrifos todo aqueles que mostravam Jesus como humano, e não como divino. Essas tiras deixadas de lado mostram a Mafalda mais "comum" do que as tiras que foram reunidas nos livros. Não tiram, em nada, a qualidade da obra de Quino. Mas é um curioso registro do recorte que ele quis dar ao separar as tiras de sua personagem que entrariam para a história - "Mafalda Inedita" é uma espécie de "evangelho apócrifo" da Mafalda.