Meu amigo Lovatto me passou nesta semana o programa "HQ & Cia", que trazia uma entrevista com José Márcio Nicolosi, diretor de animação dos Estúdios Mauricio de Sousa.
A entrevista é curta, mas bacana. E termina com um comentário interessante: "Tá na hora de a gente ter o nosso padrão", diz Nicolosi, citando os japoneses. Ele diz que um mangá é facilmente identificado como sendo de origem japonesa; e que falta isso aos quadrinhos brasileiros.
Não sei se concordo. Ok, quadrinhos japoneses são facilmente identificáveis. Mas e os franco-belgas, os italianos ou os britânicos e norte-americanos que não são de super-heróis. Será que são tão identificáveis assim?
Por exemplo: "The Left Bank Gang", premiado como melhor hq estrangeira publicada nos EUA no ano passado; ou Gipi, artista premiado com a melhor HQ em Angouleme (França), também em 2007. Será que olhando para as obras deles, reconheceremos de cara que são da Noruega e da Itália, respectivamente? Acho que não. E minha dúvida é: será que precisa? Será que as escolas nacionais de quadrinhos precisem ter uma identificação tão clara em sua HQ?
Não sei, na verdade, se era isso o que o Nicolosi quis dizer. Foi uma resposta curta para outra pergunta. Ele dizia que os artistas (brasileiros, mas não só) precisam ter um conhecimento mais amplo antes de se especializarem - ele cita cinema e literatura, mas imagino que também sejam importantes artes plásticas, quadrinhos e animação.
Nisso, concordo com ele. Quanto mais o artista tiver estudado e compreendido seu meio, mais ele vai poder optar até que ponto vai poder seguir o que já existe e até que ponto conseguirá inovar.
E acho que o quadrinho brasileiro já tem uma cara própria. Aliás, uma não, várias. O gênero infantil no Brasil é bem definido; a charge também; terror; erótico. E, se pesquisarmos mais, certamente acharemos outros subgêneros que, se não são brasileiros por excelência, já têm uma boa identididade brasileira.
Na verdade, acho que a história da história em quadrinhos mundial, com suas diversas influências de uma escola para outra (norte-americana de super-heróis, norte-americana underground, britânica, nipônica, franco-belga, BDs portugueses, manwás, brasileiros etc.) ainda pode ser muito, muito estudada. Há muito por aprofundar... Por onde começar?
Desconfio que as BDs (bandas desenhadas) portuguesas sejam pouco conhecidas
aqui no Brasil. O versátil (e ótimo) José Carlos Fernandes já foi publicado pela
Devir, e é uma exceção. José Antonio Barreiros, Carlos Barradas, Armando Lopes,
Daniel Lima, Frederico Rogerio, Tiago Albuquerque, Susana Carvalinhos etc., até
onde eu sei, são inéditos.
Não sei o quanto isso vai mudar após o próximo Salão de
HUmor de Piracicaba (que costuma ser realizado no final de agosto), mas pode ser
que desperte uma pequena curiosidade no público. O Museu Nacional da Imprensa
(MNI) de Portugal realizou uma parceria com o Salão e vai trazer a exposição
"PortoCartoon: a Globalização no Humor".
A carta de intenções sobre a realização do salão bienal foi assinada esta
semana pelo secretário da Ação Cultural do Município de Piracicaba, Omir José
Lourenço, e por Luís Humberto Marcos, em Portugal. Acompanhado por uma delegação
de Piracicaba, Lourenço foi esta semana para Portugal para assistir à abertura
oficial do 10º PortoCartoon. A comitiva inclui o cartunista Eduardo Grosso que,
pelo segundo ano consecutivo, fez um mural nas instalações do MNI, desta vez na
fachada exterior do edifício.
Eu costumo ir ao Salão... Já fui cinco vezes. Pretendo ir mais essa e
conferir o humor luso - não, eles não fazem piadas de brasileiros... até onde
sei, os alfacinhas (lisboetas) fazem piadas sobre os além-tejanos. Para quem não
puder ir, pode navegar pelo Museu Virtual do Cartoon, organizado pelo PortoCartoon:
http://www.cartoonvirtualmuseum.org/f_portocartoon.htm.
Ainda que curta, a entrevista é bacana - Gaiman, ex-jornalista, sempre fala bem - mas discordo do "mestre dos sonhos" quando ele diz: "Desde então, os quadrinhos vêm sendo reconhecidos como literatura, e isso, de certa forma, aconteceu no Brasil antes de muitos países".
OK, ele é Neil Gaiman, e quem sou eu para discordar? Um brasileiro. Se você é fã de quadrinhos e mora no Brasil, me diga: quando foi a última vez que você viu uma matéria sobre um lançamento de HQ na TV aberta? Ou na TV paga? Ou uma entrevista com um quadrinista na TV, no rádio ou em uma revista que não seja especializada? Que jornal tem uma seção semanal sobre quadrinhos? Quando foi a última vez que você ouviu algum não-fã pronunciando o nome de um quadrinista em voz alta - a não ser o do Mauricio de Sousa, no terrível seqüestro do filho dele?
OK, no Brasil já há bons blogs de quadrinhos; mais de cem lançamentos por mês; ótimos quadrinistas; seções cada vez maiores nas livrarias; mas será que os quadrinhos já são reconhecidos como literatura por aqui? Será que 2008 será o primeiro ano em que ao menos dez teses, de mestrado ou doutorado, terão sido defendidas no Brasil sobre HQs ou similares? Já chegou perto do reconhecimento que os mangás têm no Japão ou as BDs têm na Itália, na França, na Alemanha, na Bélgica ou em Portugal?
A impressão que eu tenho é que os fãs de HQs têm mais voz atualmente. E isso, em grande parte, seja por conta da Internet, imagino. E porque a aceitação da grande mídia, e do grande público, tem aumentado. Mas, e pode ser pessimismo meu, acho que ainda há um longo caminho pela frente.
Pediram ao excelente ilustrador Adam Hughes (aquele que assina como Ah!) um pôster com as dez mais importantes heroínas e anti-heroínas do momento, mas sem uniforme, apenas com trajes de gala. Ao receber a lista e ver que a Mulher-Gato não estava entre elas, Ah! protestou (eu protestaria pela ausência da Fogo e da Grande Barda, mas isso é outra história), mas não conseguiu convencer o chefe.
Quando entregou o pôster, semanas depois, Hughes havia ilustrado 11 mulheres - sim, a Mulher-Gato estava entre elas. Os chefões da DC gostaram do resultado, e a ilustração ficou como está abaixo. Você consegue reconhecer as 11?
Da esquerda para a direita: Mulher-Gato (de preto), Oráculo (cadeira de rodas), Zatanna (cartola), Canário Negro (loira perto de Oráculo, sua amiga e ex-chefe nas Aves de Rapina), Poderosa (decote), Mulher-Maravilha (braceletes), Supergirl (loira mais magrinha), Batwoman (de calças), Víxen (cabelo curto), Hera Venenosa (cabeleira ornamentada por folhas) e Arlequina (com cetro).
Emmanuelle: até que ponto sexo combina com filosofia?
O
italiano Guido Crepax é um dos três grandes nomes do quadrinho europeu erótico,
ao lado de Paolo Serpieri e Milo Manara. Emmanuelle é o nome de um famoso
romance erótico francês, escrito pela franco-tailandesa Marayat Rollet-Andriane. Chegou a virar
vários filmes eróticos.
A minha expectativa era bem grande. Afinal, Crepax por si
só já é garantia de uma bela HQ erótica; ainda mais assim, adaptando um famoso
romance.
Decepção. Várias páginas e masturbações (da própria
Emmanuelle) depois, achei que a HQ ficou devendo. As ilustrações são,
de fato, belíssimas. Mas as cenas vêm e vão sem o menor sentido, dando muito a
impressão do sexo pelo sexo, como nos piores álbuns do Manara.
E, do meio pro final, a impressão é que “Emmanuelle” quis
se tornar um “erótico-cabeça”. Muita verborragia não entre os atos sexuais, mas
durante eles.
Sei que essa HQ fez muito sucesso, mas não
consegui gostar dela. A ilustração é excepcional, principalmente as cenas de
sexo, mas quadrinhos são, antes de tudo, roteiro. “Morango e Chocolate” ou
qualquer HQ do Zéfiro me agradam mais. Mas, enfim...
Em 1966, o seriado “Batman”, com Adam West, fez um
estrondoso sucesso misturando humor e super-heróis. Os uniformes coloridos, as
onomatopéias, os bordões de Robin (Burt Ward) foram transformados em divertidos
episódios de aventura e humor.
Se deu certo com o Batman, por que não com a
Mulher-Maravilha? O produtor William Dozier pensou em um seriado com a heroína
amazona. Chegou a produzir um curto episódio piloto: “Wonder Woman: Who’s Afraid
of Diana Prince?” (quem tem medo de Diana Prince?), dirigido por Leslie H.
Martinson.
O episódio, com pouco menos de cinco minutos de
duração, tem apenas duas personagens: Diana Prince, a Mulher-Maravilha, vivida
por Ellie Wood Walker, e sua mãe – que não é amazona, muito menos a Rainha
Hipólita.
Na história, a mãe de Diana Prince fica impedindo
a filha de sair de casa para salvar o mundo porque quer que ela jante antes:
“coma primeiro, salve o mundo depois”. Além disso, reclama da dor de ser mãe de
Diana – não por ela ser uma heroína e correr risco de morte diariamente, mas por
estar solteira aos 27 anos. “As vizinhas já estão comentando”, diz.
É, de fato, uma outra visão da Mulher-Maravilha.
De amazona altruísta, transforma-se em uma solteira de 27 anos que mora com a
mãe e que, quando veste o uniforme, em vez de sair para salvar o mundo, perde
alguns minutos admirando-se no espelho, dando beijinhos e tchauzinhos para si
mesma.
Esta adaptação nunca foi ao ar... Para alívio dos
fãs.
Todo domingo eu tento postar um fanfic diferente aqui – pode ser um
filme, um texto, qualquer coisa.
Acho fanfics interessantes por princípio: cada fã tem sua visãod e um
personagem. Visões, interpretações diferentes... Às vezes, personagens tidos de
segunda ou terceira divisão têm legiões de fãs, por motivos que só eles, os fãs,
sabem.
Nesta semana, achei um fan-film de um personagem pouco famoso: o
Homem-Hora, criado em 1940 por Ken Fitch e Bernard Baiy. Você já ouviu falar
dele? Rex Tyler, o original, tomava uma pílula, Miraclo, e ficava superforte e
superveloz por apenas uma hora. Para todos os efeitos, um
drogado.
Rick Taylor, seu filho e atual Homem-Hora, também toma a Miraclo. Mas,
além disso, tem um poder: às vezes, enxerga uma hora no futuro. Mas só uma hora.
Pode não ser um personagem muito carismático ou original, mas inspira
histórias divertidas (não ótimas, mas OK como passatempo), como
esta:
Como transformar sua vida em uma história em quadrinhos
Até onde eu sei, há duas maneiras de transformar sua vida em uma HQ. A primeira é a tradicional: definir os personagens; decidir os fatos a serem narrados; escrever o roteiro; desenhar; arte-finalizar; colorir; e letreirizar.
Dá trabalho, mas pode ser muito divertido, ou mesmo catártico, para o autor. Sem falar que pode resultar em obras primas: "No Coração da Tempestade" (Will Eisner); "Maus" (Art Spiegelman); "Persépolis" (Marjane Satrapi) etc.
E há um segundo modo: (http://plasq.com/comiclife-win). Trata-se de um programa em que você manipula suas fotos (devidamente scaneadas, claro), e ele monta uma ou mais páginas.
Será que funciona? Não sei, ainda não consegui testar. Mas me parece interessante... Fica a sugestão, para quem quiser se aventurar (e, claro, comentar aqui dizendo como foi ou postar a própria história).
"Watchmen", a HQ, usou vários recursos para dar um ar de "realidade" à história. Em seus 12 números, havia entrevistas da "Playboy" com protagonistas; capítulos inteiros de um livro fictício publicado apenas dentro do livro; etc.
Zack Snyder, o diretor que está levando "Watchmen" ao cinema, está querendo conferir o mesmo ar ao filme. Por isso, fez um concurso para que fãs desenvolvam um comercial para o perfume Nostalgia, da empresa Veidt, que pertence ao ex-herói Ozymandias. Segundo o blog do jornal CineSemana, "os 20 melhores receberão mil dólares e uma câmera Cânon cada, além de ganhar a chance de ter seu vídeo incluído no filme". Separei dois que achei no YouTube e os posto aqui.
Não sei se um deles será usado no filme, mas é uma divertida iniciativa, acima de tudo.
Quem já conhece a revista, sabe o que esperar. Para qem não conhece, separo três trechos destes primeiros posts:
"Eca! Prepare seu saco de vômito! Agora, a MAD também invadiu os blogs! Pretendemos atualizar diariamente (isso se não der aquela preguiça) com as notícias mais escabrosas, os vídeos totalmente escrotos do YouTube e um monte de sobras da revista mais idiota do mundo!"
"Pra inaugurar essa clássica seção da revista em nosso blog, a gente escolheu um dos vídeos mais toscos da história da internet! Depois não adianta reclamar se você vomitar no teclado! Afinal de contas, quem visita este blog já sabe que tipo de porcaria vai encontrar!"
"Se existe uma coisa realmente perigosa nessa vida é a vingança de uma mulher."
Só preto, branco e vermelho - às vezes, sem o vermelho. Poucos traços. Desenhos concisos. E muita história para contar: o apocalíptico terremoto que assolou parte da China em 12 de maio.
O quadrinista Coco Wang tem postado interessantes histórias em Coco Wang - China 5.12 Earthquake Strips (earthquakestrips.blogspot.com). A página abaixo é a última da história em três páginas sobre como os pandas do zoológico foram salvos pelos tratadores - apenas dois pandas desapareceram.
Repare no quadrinho vazado (desenho em branco com fundo preto): é o que ele retrata os pandas que fugiram. Sutil, eficiente... bonito.
Ele tem razão: é uma ótima história. Aliás, uma ótima série: nos anos seguintes, saíram “Batman – Guerra ao Crime” (1999), “Shazam! – O Poder da Esperança” (2000), “Mulher-Maravilha – O Espírito da Verdade” (2001), “LJA – Origens Secretas” (2002) e “LJA – Liberdade e Justiça” (2003). Chegou a ser anunciada uma edição desta série estrelada pelos Supergêmeos (“Supergêmeos – Forma de Água”), mas era uma brincadeira de 1º de abril de Alex Ross e da revista “Wizard”.
Estou fazendo, então, um adendo “extra”: mais cinco histórias do Superman boas, muito boas, que não poderiam ficar de fora:
11 - “A Supermoça de Krypton!” (1959)
Roteiro: Otto Binder
Arte: Al Plastino
Coadjuvantes: Zor-El
Heróis coadjuvantes: Supermoça
Vilões: –
A divertida –e ingênua – origem da Supermoça: a prima do Superman cujo foguete chega à Terra quando ela já está adulta. Em vez dos óculos, a loira heroína se esconde sob uma peruca castanha.
12 - “Super-Homem versus Mulher-Maravilha” (1978)
Roteiro: Gerry Conway
Arte: Jose Luis Garcia-Lopez e Dan Adkins
Coadjuvantes: Lois Lane, almirante Nimitz, Steve Trevor, Albert Einstein (!), agente Michaelson, Perry White e Franklin Roosevelt
Heróis coadjuvantes: Mulher-Maravilha
Vilões: Barão Blitzkrieg e Sumô, o Samurai
Combate épico entre Superman e Mulher-Maravilha – na Lua, para não ferir inocentes. A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial. É, até certo ponto, politicamente incorreta: afinal, o que leva os dois maiores heróis da DC a saírem no tapa são pontos de vista diferentes. Desiste-se do diálogo, passa-se ao muque.
13 - “Superman 2 – A Aventura Continua” (1980)
Direção: Richard Lester
Roteiro: Mario Puzo
Coadjuvantes: Jor-El, Jonathan Kent, Lara, Martha Kent, Lois Lane, Perry White e Jimmy Olsen
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Lex Luthor, General Zod, Non e Ursa
Tão bom quanto o primeiro – e com um vilão mais assombroso: Geneeral Zod. Outra frase clássica, assim como o “Você vai acreditar que o homem pode voar” do filme anterior: “Ajoelhe-se perante Zod!” (dita ao presidente dos Estados Unidos).
14 - “Paz na Terra” (1998)
Roteiro: Paul Dini
Arte: Alex Ross
Coadjuvantes: Martha Kent e Jonathan Kent
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
Um homem sozinho pode acabar com a fome mundial? E se ele tiver superpoderes? E se ele não for um homem, mas um super-homem? Uma história diferente, coma brilhante arte de Alex Ross.
15 - “Smalville - Rosetta” (2003)
Roteiro: Alfred Gough e Miles Millar
Coadjuvantes: Lana Lang, Pete Ross, Chloe Sullivan, dr. Virgil Swann, Jonathan Kent e Martha Kent
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Lex Luthor
Qualquer episódio do ótimo seriado “Smallville” serviria, mas este conta com a participação especial de Christopher Reeve, o Superman do cinema.
Como os editores da Panini, tive o trabalho de selecionar histórias de diferentes fases do personagem (a explicação da divisão que fiz das fases está na post de ontem; a Panini, ou qualquer outro fã de quadrinhos, deve ter sua própria divisão das “eras” dos comics, suponho). Também procurei não repetir uma história que já havia sido escolhida por eles.
Era de Ouro
1938-54
1 - “Superman, Campeão dos Oprimidos!” (1938)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Coadjuvantes: Lois Lane
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: vários pequenos vilões
Primeira história do personagem. Ele trabalhava no “Estrela Diária”, não no “Planeta Diário”, mas Lois Lane já estava lá. A história é um amontoado de pequenas aventurazinhas, todas simples, mas nela estão as sementes da mitologia do Superman: uniforme, identidade secreta e Lois Lane, além dos superpoderes, que não eram tão super assim: ele não voava, por exemplo.
2 - “Superman Contra a Liga Protetora dos Táxis” (1939)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Ultra-Humanóide
Começa a surgir o conceito de um supervilão – antes mesmo de Lex Luthor. Assim como Luthor, o Ultra-Humanóide, a princípio, não tem poderes, mas se vale de sua enorme inteligência.
Idade Média
1954-56
Nenhuma história. De novo.
Era de Prata
1956-1969
3 - “A Legião de Super-Heróis” (1958)
Roteiro: Otto Binder
Arte: Al Plastino
Coadjuvantes: Jonathan Kent
Heróis coadjuvantes: Legião dos Super-Heróis
Vilões: –
Em uma história simples e curta, são criados dois conceitos que até hoje são basilares do Universo DC: a Legião dos Super-Heróis e o século 30 tal como ele até hoje é retratado.
4 - “Lex Luthor, o Herói” (1961)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Curt Swan e George Klein
Coadjuvantes: Jimmy Olsen, Lana Lang, Lois Lane, Perry White e Lori Lemaris
Heróis coadjuvantes: Supergirl, Krypto, Legião dos Super-Heróis, Liga da Justiça e Robin
Vilões: Lex Luthor, Bizarro, Duke Garner e Al Mants
Assim como “Os Últimos Dias do Superman”, da seleção da Panini, mostra o Superman morrendo, e como seus amigos mais próximos reagem a esta morte. Naquela história, entretanto, ele se safa. Nesta, ele morre, e o legado dele continua.
É tida como uma “história imaginária”, ou seja, uma história possível, mas que não faz parte da cronologia oficial do personagem.
5 - “Os Filhos de Batman e Super-Homem” (1965)
Roteiro: EdmondHamilton
Arte: Curt Swan e Sheldon Moldoff
Coadjuvantes: Lois Lane
Heróis coadjuvantes: Batman, Batwoman e Superman Jr.
Vilões: Napoleão do Crime
Senti falta, na seleção da Panini, de uma história da dupla Superman e Batman. É uma parceria tão clássica no universo dos super-heróis que tem direito a um nome: Melhores do Mundo (World’s Finest), no original. Hoje, a parceria deles está em outra revista, “Superman Batman”.
Esta história que separei, em particular, apresenta um “futuro alternativo” que seria retomado em algumas outras ocasiões: um que Clark Kent se casa com Lois Lane e Bruce Wayne, com Kathy Kane. Os filhos dos dois casais, Clark Kent Jr. (Superman Jr.) e Bruce Wayne Jr. (Batman Jr.), se tornam adolescentes amigos, mas com problemas típicos de adolescentes.
Heróis coadjuvantes: Flash (Barry Allen) e Legião dos Super-Heróis
Vilões: Aylem, Islayn e Professor Zoom
Não é a primeira das corridas entre o Flash e o Superman, mas é das mais épicas: os dois têm que correr através do tempo e chegar até o fim da história do universo para impedir que um vilão sabote o nascimento do universo – como o tempo é “cíclico”, o universo nasce no mesmo instante em que termina.
Esta é a quarta corrida entre os dois. A primeira foi “Superman’s Race with the Flash” (de 1967), escrita por Jim Shooter, seguida por “The Race to the End of the Universe” (também de 1967), roteirizada por E. Nelson Bridwell. A terceira é de 1970 e foi escrita por Denny O’Neill: “Race to Save the Universe”.
No seriado “Smalville”, o episódio “Run” (de 2004), em que aparece Bart Allen (um dos Flashes dos quadrinhos), termina com ambos disputando uma corrida.
7 - “Superman: O Filme” (1978)
Direação: Richard Donner
Roteiro: Mario Puzo
Coadjuvantes: Jor-El, Jonathan Kent, Lara, Martha Kent, Lois Lane, Perry White, Jimmy Olsen e Lana Lang
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Lex Luthor, General Zod, Non e Ursa
Se eu fosse de uma editora, estaria preocupado em selecionar as dez melhores histórias do Superman em quadrinhos. Como não sou, posso escolher um filme – afinal, também é uma história do personagem.
Uma frase do pôster de divulgação é até hoje associada ao personagem: “Você vai acreditar que o homem pode voar”.
8 - “Para o Homem que Tem Tudo” (1985)
Roteiro: Alan Moore
Arte: Dave Gibbons
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: Mulher-Maravilha, Batman e Robin (Jason Todd)
Vilões: Mongul
Uma história e tanto. No aniversário de Superman (29 de fevereiro), ele recebe a visita de um vilão (Mongul), que lhe dá um “presente”: uma planta que faz com que seu maior desejo se realize – dentro apenas de sua mente, claro, pois seu corpo fica paralisado para sempre.
E o maior desejo do Superman é que Krypton não tivesse explodido. O sonho/pesadelo que ele vive nesta história é impressionante. Nesta alucinação, ele tem até dois filhos: Van-El e Orna.
Também tem uma frase marcante, dita, em sua alucinação, por Kal-El a seu filho van-El: “Van... Olhe... Sei que não vai fazer sentido, mas...Você é meu filho! Eu estava presente no seu nascimento, mas... eu não acho que você seja de verdade!”.
Desconstrução
1986-92
9 - “Superman x Legião dos Super-Heróis” (1987)
Roteiro: John Byrne e Paul Levitz
Desenhos: John Byrne e Greg LaRocque
Arte-final: Karl Kesel, Keith Williams e Mike DeCarlo
Coadjuvantes: Lana Lang, Jonathan Kent, Martha Kent, Pete Ross e chefe de polícia Parker
Heróis coadjuvantes: Legião dos Super-Heróis
Vilões: Senhor do Tempo e Legião dos Super-Vilões
Quando John Byrne reestruturou o Superman, chegou a um paradoxo. Ele instituiu que Kal-El era o último kryptoniano e que ele só se tornou Superman adulto. Isso invalidaria a Supermoça e a Legião dos Super-Heróis, personagens que não poderiam ser deixados de lado.
Nesta história em três partes, ele começa a esclarecer quem, afinal, foi o Superboy e qual o papel do Superman na criação da Legião dos Super-Heróis.
10 - “Vidas Paralelas se Encontram no Infinito” (1988)
Roteiro: John Byrne e Jerry Ordway
Desenhos: John Byrne e Jerry Ordway
Arte-final: John Byrne, John Beatty e Dennis Janke
Coadjuvantes: Lana Lang, Jonathan Kent, Martha Kent e Pete Ross
Heróis coadjuvantes: Legião dos Super-Heróis, Supermoça, Liga da Justiça, Jade e Robin
Vilões: General Zod, Quex-Ul, Zaora, Lex Luthor e Senhor do Tempo
Outro esclarecimento a ser feito por John Byrne em sua releitura do Superman: afinal, quem é a Supermoça? Ótima história, com final dramático.
Período Contemporâneo
1992-...
Nenhuma. Será que sou muito chato ou as histórias contemporâneas não são mais tão interessantes?
Uma das melhores HQs de super-heróis do ano é lançada
Foi lançada, neste mês, uma das melhores HQs de super-heróis do ano “As
Maiores Histórias do Superman”. Trata-se do primeiro de uma série de seis
volumes da Coleção DC 70 Anos, que a Panini está lançando para celebrar as sete
décadas da editora no Brasil.
Selecionar as dez melhores histórias de um personagem, qualquer um,
sempre será subjetivo. Por isso o texto de abertura desta edição é tão bacana:
fala justamente desta dificuldade em selecionar, e o que eles fizeram para
ajudar o processo de escolha. Dividiram a história do Superman em fases e
tentaram pegar exemplos bacanas de cada fase.
Eles não deram nomes a estas fases, mas dá para entender bem de qual
período elas foram selecionadas. Hoje vou fazer um pequeno comentário de cada história e mostrar de que fase
foram extraídas. A divisão das fases, entretanto, é minha, baseada em
livros que li sobre a história dos comics (quadrinhos norte-americanos). Mas
esta divisão em fases, assim como a seleção das dez melhores histórias de cada
personagem, é subjetiva.
Por
falar em subjetividade, amanhã publico minha lista com as dez melhores histórias
do Superman.
As dez melhores histórias do Superman – seleção da Panini (parte 1)
Como disse no post acima, esta divisão das fases do Superman foi feita por mim, baseada nos livros que li sobre quadrinhos norte-americanos. Sinta-se livre para discordar, não sou o senhor da razão. Infelizmente ;-)
As dez histórias listadas abaixo foram selecionadas pela editora Panini para “Coleção DC 70 Anos – Volume 1 – As Maiores Histórias do Superman”.
Era de Ouro
1938-54
Da criação do Superman, quando é inaugurado o gênero de super-heróis, até 1954, quando foi publicado o livro “A Sedução dos Inocentes”, de Fredric Wertham. É neste período que surgem Superman, Batman, Mulher-Maravilha,Capitão América, Namor, Sociedade da Justiça e Capitão Marvel.
1 - “A Origem de Superman e de Seus Superpoderes” (1939)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Coadjuvantes: Jonathan Kent e Mary Kent (que seria rebatizada Martha anos depois)
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
Apenas três páginas de história: o suficiente para apresentar o personagem, com muita originalidade e inocência.
2 - “E se o Superman Decidisse Acabar com a Guerra?” (1940)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Adolf Hitler e Josef Stalin
Só duas páginas de história: 100%ingenuidade e inocência. Ainda não existiam os super-vilões.
3 - “Três Super-Homens de Krypton” (1950)
Roteiro: William Woolfolk
Arte: Al Plastino
Coadjuvantes:Lois Lane, Jor-El e Perry White
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: U-Ban, Kizo e Mala
História bem original: três kryptonianos vêem a Terra. São tão poderosos quanto o Superman, mas egoístas. Enredo muito parecido com o do filme “Superman 2”.
Idade Média
1954-56
Pior período da indústria norte-americana de quadrinhos, acuada pelo livro “A Sedução dos Inocentes”, pelo macarthismo e pelo Código de Ética (censura). O período parece ser de apenas três anos, segundo essa divisão, mas o estrago foi bem grande. Os "comics" entraram em declínio por volta de 1946 e a retomada mesmo só aconteceria em 1961.
Nenhuma história. Compreensível.
Era de Prata
1956-1969
Na DC, surgem as novas versões de Flash, Lanterna Verde, Hawman e outros. Na Marvel, surgem Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, X-Men etc.
4 - “Os Últimos Dias do Superman” (1962)
Roteiro: Edmond Hamilton
Arte: Curt Swan e George Klein
Coadjuvantes: Jimmy Olsen, Jor-El, Tharb-El, Lana Lang, Lois Lane, Perry White, Lori Lemaris
Heróis coadjuvantes: Supergirl, Krypto, Legião dos Super-Heróis, Batman e Robin
Vilões: kryptonita
História em tom épico, com direito a participação de muitos coadjuvantes, heróis ou não, das histórias do Superman.
5 - “O Confronto Entre Luthor e Superman” (1963)
Roteiro: Edmond Hamilton
Arte: Curt Swan e George Klein
Coadjuvantes: Lois Lane e Jimmy Olsen
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Lex Luthor
História bem bacana: Lex Luthor é retratado como um vilão egoísta e invejoso, mas, acima de tudo, humano.
As dez melhores histórias do Superman – seleção da Panini (parte 2)
Continuação do post acima: as dez histórias listadas
pela editora Panini para a “Coleção DC 70 Anos – Volume 1 – As Maiores Histórias
do Superman”.
Era de
Bronze
1970-86
Usando os termos que Roberto Guedes descreve o período em
seu livro “A Era de Bronze dos Super-Heróis”: foi quando a primeira geração de
fãs chegou ao campo profissional; nascimento do mercado direto de revistas; e
surgimento de “graphic novels”, minissérie e
maxi-séries.
6 - “Precisa Haver um Superman”
(1972) Roteiro: Elliot S! Maggin Arte: Curt Swan e Murphy Anderson Coadjuvantes: Manuel e Juan Heróis coadjuvantes: Guardiães do Universo e Lanterna Verde (Katma
Tui) Vilões: – Acho a menos interessante desta coletânea...
Mostra o Superman refletindo sobre seu papel na Terra, mas, na minha opinião,
nada marcante...
7 - “O Exílio à Beira da Eternidade” (1984)
Roteiro e arte: Jim Steranko
Coadjuvantes: A’Dam’Mkent
Heróis coadjuvantes: Irmandade dos Supermen
Vilões: –
Uma proposta bacana: uma história do Superman em que ele aparece apenas
na primeira página. Depois, a importância do legado do Superman para o universo,
conforme os séculos (e milênios) vão passando.
Desconstrução
1986-92
“Watchmen” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
desconstroem o gênero. “Crise nas Infinitas Terras”, na DC, e “Guerras
Secretas”, na Marvel, são usados como estopins para reestruturação dos
personagens.
8 - “A Origem do Homem de Aço” (1986)
Roteiro e arte: John Byrne
Arte-final: Dick Giordano
Coadjuvantes: Kelex, Jor-El, Lara, Jonathan Kent, Martha Kent, Lana Lang
e Lois Lane
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
John Byrne reintrepreta a origem do Superman: quem ele é, por que decidiu
ser herói, como se formou... Simples e bem feito.
9 - “Retorno a Krypton” (1988)
Roteiro: John Byrne
Arte: Mike Mignola e Karl Kesel
Coadjuvantes: Jor-El, Kelex, Lara, Jonathan Kent, Martha Kent,
Heróis coadjuvantes:Gavião Negro e Mulher-Gavião
Vilões: kryptonita
Outra premissa interessante: o que aconteceria se Superman retornasse a
Krypton? Essa idéia é retomada no início do filme do Superman lançado no ano
passado, “Superman Returns”.
Período
Contemporâneo
1992-...
Sete artistas saem das duas grandes editoras e fundam a editora Image,
cujas histórias, mais voltadas para a arte e despreocupadas com os roteiros,
provocam nova guinada nas histórias.
Paradoxalmente, dentro da Image
surgiu um dos títulos que mais trabalhou (e trabalha) em prol do gênero de
super-heróis: “Astro City”, uma HQ que prima pelo roteiro e vai na contramão do
resto da “Geração Image”. Também são como “Astro City”: as minis “O Reino do
Amanhã” (DC) e “Marvels” (Marvel), assim como as revistas de Alan Moore para o
selo ABC, como “Promethea” e “Tom
Strong”.
10 - “Olho por Olho?” (1988)
Roteiro: Joe Kelly
Arte: Doug Manke, Lee Bermejo e outros
Coadjuvantes: Lois Lane, Perry White, Jimmy Olsen, Jack Ryder, Lex
Luthor, Amanda Waller, Jonathan Kent
Heróis coadjuvantes: Aço
Vilões: Elite
Superman enfrenta quatro super-heróis tão poderosos quanto ele, mas com
um senso de moral mais distorcido: matam quando bem entende. Interessante
discussão ética.
Neil Gaiman escreveu "Sandman", e quase todos fãs de quadrinhos de qualidade, bem como pessoas que não gostam de HQs, já lerem a série ou ouviram falar dela. É "cult".
Mas há uma outra série que envolve Neil Gaiman e que é muito menos conhecida: "Miracleman". Aliás, envolve também Alan Moore, outro roteirista do calibre de Gaiman nos quadrinhos contemporâneos (haverá mais algum desse nível?).
Essa história começa em 1954, quando a editora norte-americana DC Comics processou a Fawcett, proprietária do Capitão Marvel. Motivo: o Capitão Marvel seria um plágio do Superman.
A DC venceu, e a editora britânica que publicava as histórias do Capitão Marvel ficou sem histórias para suas revistas, que vendiam muito bem, obrigado. Coube a Mick Anglo criar o Marvelman, plágio descarado do Capitão Marvel. Em vez de "shazam", ele bradava "kimota" ("atomic", ao contrário). E, no lugar da Mary Marvel e Capitão Marvel Jr., estavam Young Marvelman e Kid Marvelman.
OK. Coisas da indústria da cultura. O personagem estaria até hoje no ostracismo, mas...
Mas, em 1982, o desconhecido (na época) Alan Moore assumiu Marvelman e começou uma das mais inovadoras HQs de super-heróis, com uma narrativa mais profunda e sombria.
Devido a um processo movido pela editora norte-americana Marvel, Marvelman tornou-se Miracleman.
OK. Coisas da indústria da cultura. Mas o personagem foi criado sete anos antes de a editora Timely mudar seu nome para Marvel...
Alan Moore escreveu 16 números dessa série, sendo que o último deles saiu em dezembro de 1989.
Quem assumiria a responsabilidade por assumir a revista depois da passagem daquele jovem e promissor gênio? Outro jovem e promissor roteirista, mas à época nada mais que isso: Neil Gaiman.
“Miracleman” nº 17, o primeiro escrito por Gaiman, saiu em junho de 1990. Gaiman havia previsto três sagas com seis capítulos: “A Era de Ouro”, “A Era de Prata”e “A Idade das Trevas”.
Eis que, entretanto, a editora Eclipse faliu, e o último capítulo publicado foi o segundo da “A Era de Prata” (lançado em “Miracleman” nº 24, dejunho de 1993). Os dez
capítulos finais não foram publicados.
OK. Coisas da indústria da cultura.
Na verdade, nada OK: a história continua. A editora Eclipse foi comprada pelo quadrinista canadense Todd McFarlane, que ficou com 70% dos direitos do personagem Miracleman.
McFarlane e Gaiman passaram a disputar na Justiça, a partir de 1997, o direito da publicação de Miracleman.
Gaiman criou, em 2002, a Marvels and Miracles LLC, um fundo cujo objetivo é conseguir, em definitivo, os direitos sobre a publicação do personagem.
Essa pose lembra alguém? Dica: troque os MM por um S
O personagem não pode mais ser publicado. Em 2008, 15 anos após a interrupção da revista “Miracleman”, o destino do personagem permanece indefinido. E, enquanto o processo corre, os fãs, aguardamos.
No Brasil, as quatro primeiras histórias do Miracleman de Alan Moore foram publicadas de 1989 a 1990 pela editora Tannos. As revistas parecem fanzines... Cada um dos quatro tamanhos tem um tamanho diferente... Foi editado por um fã, talvez até de modo pirata (será que ele tinha direito?) e é difícil ser encontrada, mesmo em sebos.
Novo Hulk estréia hoje no Brasil com objetivo difícil, difícil
Em entrevista à Folha, o diretor Louis Leterrier, de "O Incrível Hulk" que
estréia hoje, disse que pretende agradar tanto quem gostou (minoria) do "Hulk",
de Ang Lee, quanto quem detestou (maioria). Difícil, difícil.
Da entrevista: "É engraçada a
reação ao filme de Ang Lee. Os fãs mais radicais odiaram de verdade, mas alguns
gostaram por seu valor cinematográfico. Esse foi o desafio, fazer algo
suficientemente diferente para agradar aos fãs, mas não irritar quem gostou do
filme de Ang. Tentei fazer um complemento à obra dele", afirma o
diretor.
Na segunda-feira desta semana, Pato Donald completou 74 anos: ele surgiu em 9 de junho de 1934 no desenho animado "The Wise Little Hen (Silly Symphonies)". UOL Educação fez um curto, mas divertido teste sobre o personagem. São apenas seis perguntas, mas é difícil acertar todas - eu errei uma.
Nove de junho é a data de criação do pato com uniforme de marinheiro. Não diz no quiz, mas, dentro das histórias Disney, foi estipulado que o aniversário dele, na verdade, é 13 de março - azarado como ele só, Donald nasceu em uma sexta-feira 13, é claro.
"O Incrível Hulk" estréia nesta semana. O diretor Louis Leterrier falou ao
UOL Cinema sobre como queria o filme. Diz a nota:
"Mas não queria fazer um filme só como a versão
para a televisão do personagem, nem só como o herói se apresenta nos
quadrinhos." Assim, o roteiro inicial foi dividido em dois: um em que o Gigante
Esmeralda não aparecia, focando a trama na 'doença' de Banner, sua busca pelo
antídoto e em todos os problemas envolvidos na situação, e outro mostrando as
tentativas frustradas de cura e os ataques de raiva."
Ang Lee também queria muita coisa no filme anterior. Ele havia dito "não sei
contar uma história de super-heróis, mas sei contar uma história mitológica". Deu no que deu: um filme estranho demais.
Leterrier também, aparentemente, tem mutias intenções. Quer fazer um filme
tanto para os fãs do seriado quanto para os da HQ. Dizem que o segredo do
sucesso não existe, mas o do fracasso é querer agradar a todos. Estou
cético.
Uderzo e quadrinhos comerciais x quadrinhos autorais
Vi uma reflexão interessante sobre quadrinhos nesta manhã no blog Ilustrada no Pop, que entrevistou Uderzo, criador
do Asterix. Destaco o trecho em que o francês é questionado sobre quadrinhos
comerciais x quadrinhos autorais. É uma reflexão bem interessante para os que
torcem o nariz contra quadrinhos mais populares, como mangás e super-heróis.
"Ilus: O sr. crê em uma separação
entre as HQs comerciais e as de autor?
Acho que não entendi sua pergunta! Não existe HQ sem
autor... Não se pode qualificar uma HQ de comercial sob o simples pretexto de
que ela foi bem sucedida com os leitores! Existem estilos diferentes, ligados a
cada desenhista, e há gêneros diferentes, como a bande dessinée franco-belga, os
comics e os mangás… Gosto mais de alguns estilos do que de outros, mas isso é
escolha pessoal e não gosto de compartimentar assim [comerciais x de autor] os
diferentes gêneros de HQ. Deploro este tipo de classificação, a HQ deve, acima
de tudo, divertir os leitores e se o faz, duvido que um autor vá reclamar! A
única coisa que eu acho condenável é a falta de respeito que alguns
editores têm, se preocupando menos com os autores do que com o sucesso dos
personagens que eles criaram, pela simples ambição do resultado [financeiro]. É
aí que a HQ se torna comercial e eu recrimino esta prática. Já vi personagens
míticos serem tomados por desenhistas que não tinham o mesmo talento do criador…
isso pode ser perigoso para o personagem."
Quando eu mais novo, havia uma revista brasileira de quadrinhos voltada para obras irreverentes, adultas e diferentes. Chamava-se “Animal” e seu slogan era “feio, forte e formal”. “Malvados” lembra, na irreverência e até na crueldade de algumas cenas, o espírito da “Animal”.
Se “Animal” era uma coletânea de vários autores, “Malvados” pertence apenas a André Dahmer. Trata-se de uma série de tiras que surgiram em 2001 na Internet (o site ainda existe e é atualizado: http://www.malvados.com.br/) e que foram reunidas em um livro recém-lançado (“Malvados”, editora Desiderata). Por que esse nome? Porque a vida, o ser humano, a sociedade e talvez até você, internauta, são maus.
“Malvados” é um livro de humor, mas não do tipo fácil. As situações mostradas são inspiradas na realidade, mas no lado mais triste possível: depressão, corrupção, vícios, violência, incapacidade de distinguir o bem do mal. É uma realidade tão deprimente que não resta a Dahmer fazer outra coisa além de rir.
E é isso que ele faz. A tira é centrada em dois personagens estranhos, que lembram girassóis, mas que agem, falam e vivem como humanos. Eles não têm nome ou profissão, apenas aparecem falando um com o outro. E se um deles está com um grande problema (o que é freqüente) o outro, com uma única frase, ajuda... Ajuda a aumentar o problema.
Em uma das tiras, um deles diz: “E se eu pular pela janela com uma corda no pescoço, enquanto atiro em meus miolos?”. O outro responde: “Ótima idéia, mas cuidado para não sobreviver. Já temos inúteis demais nesse país...”.
Assim é a tira “Malvados”: crua, absurda e politicamente incorreta. Por extensão, o livro inteiro é assim, onde também aparecem outras séries de Dahmer. Alguns personagens, como Mestre Barbará das Boas Notícias, ficaram de fora – foram publicados em “O Livro Negro de André Dahmer”, de 2007.
Quem volta a aparecer neste livro é o distante (e fictício) país do Ziniguistão. Se as tiras com seu líder, o tirano Emir Saad, saíram no livro anterior, neste é a vez de lugares como Liebitz, a província mais individualista de todas (“solidariedade não vai botar três carros na minha garagem”); Los Locos, a aldeia mais viciada do Ziniguistão, habitada por místicos, hippies e pacifistas; e o Lago Crumb, onde desfilam mulheres avantajadas como as desenhadas pelo quadrinista norte-americano Robert Crumb.
Religiões, profissões, terapias, remédios, dinheiro: qualquer busca para a felicidade, no mundo real, pode não levar ao objetivo desejado. Sob o humor crítico e sem limites de Dahmer, entretanto, até o fracasso na busca pela satisfação ou por uma vida melhor pode se tornar uma piada. Aliás, principalmente o fracasso.
Diz a nota: "O primeiro volume de Macanudo sairá, até o final do ano, pela Zarabatana. Segundo Claudio Martini, publisher da editora paulista, o contrato foi assinado ontem.
Macanudo é uma das tiras de maior sucesso na Argentina, atualmente. Publicada desde 2002 no jornal La Nacion (por indicação da cartunista Maitena), a série firmou a carreira de Liniers, descendente do vice-rei de Buenos Aires, Santiago de Liniers. De 1999 a 2002, ele publicou a tira Bonjour no suplemento No!, do jornal Pagina/12, além de ter contribuído com diversos fanzines".
Destaco um trecho: "É um quadrinho que consegue mesclar traços simples com idéias profundas e sensíveis. Depois dessa, recebi mais umas 20 tirinhas dos inseparáveis Enriqueta e Fellini. Uma mais tocante que a outra.
Não demorou para que eu descobrisse a origem desses desenhos apaixonantes: Ricardo Liniers Siri, que apesar da formação em publicidade, aprendeu mesmo com Hergé, Quino, e Charles Schulz, entre outros. Enriqueta e Fellini é apenas um núcleo dos múltiplos personagens de seu mundo, chamado "Macanudo". Em Buenos Aires, é a gíria usada quando se quer transmitir um sentimento de aprovação ou admiração.
Nesse universo vivem duendes, ovelhas e pinguins. Tem um robô sensível, um misterioso homem de preto, belos casais de namorados ou simplesmente gente que anda por aí. O próprio autor é personagem, em histórias autobiográficas - Liniers assume a forma de um coelho. Todos eles desfilam diariamente, desde 2002, na última página do jornal La Nación - aliás, foi outra cartunista portenha, Maitena, que o apresentou ao periódico. Ela também assina o prefácio do primeiro volume da coletânea, reunindo tirinhas publicadas desde sua estréia até novembro de 2003."
Uma nova embaixadora do turismo brasileiro: a Mônica
A Mônica, criada por Mauricio de Sousa em 1963, foi empossada ontem "embaixadora do turismo brasileiro". Ela será usada em campanhas no Brasil e no exterior. no ano passado, a Mônica já havia se tornado embaixadora do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Não sei ao certo como funciona essa "função" de embaixadora do turismo brasileiro, mas acho uma boa indicação. A Mônica é muito famosa no mundo dos quadrinhos e bem conhecida até fora do Brasil.
Há um aspecto interessante dela: é difícil pensar na Mônica sem associar logo à Turma da Mônica. Acredito que essa valorização do conjunto e da amizade seja uma das maiores qualidades das histórias do Mauricio.
Outra é a cara de Brasil dessas histórias. Não é preciso ir ao esteriótipo do futebol (embora haja o Pelezinho), do índio (embora haja o Papa-Capim), do malandro ou do samba... Mas, mesmo assim, a Turma da Mônica consegue ser 100% brasileira, com naturalidade, sem forçada de barra.
Um personagem que é grande, verde, mora no pântano, tem uma profunda ligação com a natureza e aterroriza pessoas nas histórias em quadrinhos de uma grande editora de super-heróis. Sim, ele também virou filme. Não, não é o Monstro do Pântano (criado em pela DC em junho de 1971), mas o Homem-Coisa, personagem da rival Marvel criado um mês antes, em maio de 1971. Em inglês, até os nomes são parecidos Swamp Thing e Man-Thing.
Depois que achei o filme inteiro do Doutor Estranho ontem e os trailers do Capitão América dos anos 70 no final de semana, me empolguei e fiquei procurando mais cine-trash de super-heróis. Na verdade, eu queria do Quarteto Futuro (Power Pack), mas encontrei este trailer do Homem-Coisa. Não dá pra dizer que é um filme bom, mas para ser sincero, também não parece ruim. Soa como um filme de terror bem feito.
Doutor Estranho, o "feiticeiro supremo" da Marvel, não é exatamente um dos personagens mais famosos do mundo dos super-heróis. Mas tem seu interesse e já rendeu histórias boas... E até um filme, feito em 1978, direto para a TV.
O filme tem o climão anos 70 e é dirigido por Philip DeGuere e estrelado por Peter Hooten. Não é tão ruim quanto o do Capitão América, mas também é trash. Abaixo, o trailer:
Não é um filme fácil de baixar ou de encontrar em locadoras. Aliás, é bem difícil. Mas é possível assisti-lo no YouTube, a começar por este link: http://www.youtube.com/watch?v=8yfL3-A_3Sc&feature=related . Peça proteção a Vishanti, Agamotto, Ikonn, Watoomb e Cytorrak e boa diversão!
O quadrinista Gabriel Bá escreveu nesta semana um texto muito legal sobre roteiristas no seu blog 10 Pãezinhos.
Legal mesmo: reflete sobre a falta de reconhecimento dos roteiristas, lado tão importante dos quadrinhos quanto o desenhista/pintor/arte-finalista. Mauricio de Sousa sempre disse: "história em quadrinhos é, antes de tudo, roteiro", mas não é muita gente que entende isso.
Destaco alguns trechos do ótimo post do Bá:
"Nos Quadrinhos nacionais, estamos mais acostumados com autores que escrevem e desenham, fazem tudo. Muita gente pensa que os Quadrinhistas todos fazem de tudo, que não existe divisão de tarefas, que não existe só roteirista. As pessoas acham que fazer Quadrinhos é desenhar bem, criar personagens. E muitos Quadrinhistas pensam isso também. Não pensam em estrutura, forma, fluxo da narrativa. Não pensam em camadas de significado, não pensam em estilos. Acham que é só colocar uma gíria que já são coloquiais e modernos, que sabem captar os detalhes da sua época. Ou, na grande maioria, nem pensam nisso.
(...)
Ser roteirista não é fácil, assim com ser escritor não é fácil. Não adianta colocar a culpa nos outros. Ou você corre atrás..."