Vi neste final de semana "Batman - O Cavaleiro das Trevas", de Christopher Nolan. O filme é realmente tão legal quanto dizem. O Coringa é ótimo; o Btman, idem; as cenas de ação são muito boas; os diálogos, rápidos; só a mocinha, na minha opinião, é sem-graça.
Mas... Mas duas coisas.
Uma: em dois momentos do filme, fala-se: "Batman é mais do que um herói. Ele é um..." E completa com qualquer outra coisa que não um "super-herói". Por que será?
Por que evitar este termo ao qual o Batman é tão associado? Porque ele não tem poderes? Pode ser. Mas não são os poderes que definem um super-herói. Ele tem dupla identidade; combate o "mal" usando um uniforme; e possui poderes ou habilidades (no caso dele, habilidades) que o colocam definitivamente acima dos seres humanos normais.
A outra coisa que notei é a total falta de referências ("homenagens") aos quadrinhos - o que, claro, é completamente dispensável. Mas não deixa de ser curioso. Os filmes da Marvel, como "Homem de Ferro", além de serem ótimos filmes de aventura e fantasia, trazem referências nos diálogos ou nos nomes das personagens que remetem ao seu universo de quadrinhos (Shield; Jim Rhodes indeciso se usa a armadura ou não; o robô-mordomo de Stark chamado Jarvis; o escudo do Capitão América no fundo de uma cena).
Em "Batman - O Cavaleiro das Trevas", não há nada disso. Com tanto foco no Departamento de Polícia de Gotham City, poderia ser citado um policial Bullock, Montoya ou Sawyer. Não aparecem o circo Haly (onde Dick Grayson e seus pais trabalhavam até estes serem assassinados); o jornal "Gotham Gazette" (onde Vicky Vale escreve) ou o "Planeta Diário" (de Clark Kent); ou a lanchonete Hambúrguer do Tio Pança.
As duas coisas que citei não são essenciais de modo algum. Nem tiram o mérito do filme, que é realmente ótimo, na minha opinião. Mas mantém o filme em paralelo às HQs, como se fosse autônomo. É uma opção, não há erro algum, repito. Mas poderia ficar mais divertido aos fãs com um pouco de referências/homenagens à série original.
Mulher-Maravilha vai virar um longa... de animação
A Mulher-Maravilha ia virar um longa-metragem. O roteirista e diretor já havia sido escolhido: o ótimo Joss Whedon, criador dos seriados "Buffy" e "Firefly". Não deu certo. Whedon e a produtora queriam "filmes diferentes". Sem Whedon, o projeto ficou à deriva e, depois, afundou.
Agora, a DC anunciou um longa-metragem que será lançado ainda em 2008, mas direto em vídeo. Será um longa de animação. A primeira imagem divulgada é esta aí ao lado.
Pelo que li no Omelete, será uma transposição da origem da personagem tal qual foi contada por George Pérez em "Deuses e Mortais", a ótima saga lançada logo após "Crise nas Infinitas Terras".
No elenco, Keri Russell (foto abaixo, a voz da Mulher-Maravilha), Nathan Fillon (Steve Trevor), Alfred Molina (Ares), Virgina Madsen (rainha Hipólita) e Rosario Dawson (Ártemis).
Acho que sou muito chato, mas este filme não me empolga. Deve ser, pelo que circula na Internet, uma mera transposição da já citada "Deuses e Mortais". Enquanto a Marvel aproveita o cinema para dar passos além em seus personagens (como nas trilogias "X-Men" e "Homem-Aranha", e na saga dos Vingadores iniciada com "Homem de Ferro" e "Hulk"), a DC ainda patina e "arrisca" assim: longa de animação simples, com história já conhecida, direto para DVD. Para não ter erro.
As exceções: Superman e Batman. Com eles, personagens já consolidados, a DC tem investido. Com os outros...
1 – O Lanterna Verde foi criado em 1939 como um herói místico cuja identidade secreta era Alan Ladd Wellington Scott.Depois, foi recriado como um herói de ficção científica em 1959, cuja identidade secreta era Harold Jordan – outros Lanternas foram criados (Guy Gardner, John Stewart, Kyle Rayner), mas sempre aproveitando o conceito apresentado na origem de Jordan, o de uma tropa “militar” que cuida da segurança universal. A edição da Panini prioriza Jordan; eu tentei mostrar um pouco dos outros Lanterns.
2 – A melhor fase do Lanterna Verde, na minha opinião, foi a de 1970 a 1971, quando Hal Jordan e seu melhor amigo, Arqueiro Verde/Oliver Queen, caíram na estrada de carro para conhecerem, de perto, os problemas reais dos Estados Unidos. Não há uma história dessa fase na seleção da Panini (embora haja outra dos mesmos autores, de 1972), mas eu selecionei uma, a que considero a mais emblemática do período.
Abaixo, as HQs que são, para mim, as dez melhores histórias do Lanterna Verde. Não é uma lista nem melhor nem pior que a da Panini, apenas diferente. Ficaram de fora algumas histórias que eu gosto muito, como a que aparece o Lanterna Verde brasileiro (José Hernandez); “Lanterna Verde – Mundo Surreal”, com a ótima arte de Seth Fisher; a história em que o vilão Áureo derrota Lanterna Verde/Hal Jordan; e a história sobre preconceito em que o melhor amigo de Lanterna Verde/Kyle Rayner é surrado apenas por ser gay.
Em azul, a fase da história dos quadrinhos a que a HQ em questão foi publicada.
Era de Ouro
1938-54
Da criação do Superman, quando é inaugurado o gênero de super-heróis, até 1954, quando foi publicado o livro “A Sedução dos Inocentes”, de Fredric Wertham. É neste período que surgem Superman, Batman e o primeiro Lanterna Verde (Alan Scott).
1 - “The Origin of Green Lantern” (1939)
No Brasil: não sei se já saiu por aqui... Estou procurando... Em inglês, é encontrável em “Golden Age Green Lantern Archives” nº 1
Roteiro: Martin Nodell e Bill Finger
Arte: Martin Nodell (sob o pseudônimo de Mart Dellon)
Protagonista: Lanterna Verde/Alan Scott
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
Primeira aparição do Lanterna Verde... Bem longe do ambiente de ficção científica no qual o personagem ficaria conhecido, é uma história de temática mística, com influência da história de Aladim e a Lâmpada Mágica (de “As 1001 Noites”) e da ópera “O Anel de Nibelungo”, de Richard Wagner.
Idade Média
1954-56
Pior período da indústria norte-americana de quadrinhos, acuada pelo livro “A Sedução dos Inocentes”, pelo macarthismo e pelo Código de Ética (censura). O período parece ser de apenas três anos, segundo essa divisão, mas o estrago foi bem grande. Os "comics" entraram em declínio por volta de 1946 e a retomada mesmo só aconteceria em 1961.
Nenhuma história.
Era de Prata
1956-1969
Na DC, surgem as novas versões de Flash, Lanterna Verde, Hawman e outros. Na Marvel, surgem Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, X-Men etc.
A lista da Panini já está bem boa sobre esta fase... Vou selecionar apenas uma, por seu valor dentro da cronoliga da editora DC, e pular para a Era de Bronze, onde acho que estão as duas melhores fases da história do Lanterna Verde (a já citada parceria com o Arqueiro Verde, por Dennis O’Neil e Neal Adams, e a fase de “Crise nas Infinitas Terras”, em que as histórias do Lanterna Verde, criadas por Steve Englehart & Joe Staton, tinham profundas ligações com a mini mais importante para a cronologia da editora, “Crise nas Infinitas Terras”).
2 - “The Day 100.000 People Vanished” (1960)
No Brasil: não sei se já saiu por aqui... Em inglês: “Green Lantern” (segunda série) nº 7
Roteiro: John Broome
Arte: Gil Kane e Joe Giella
Protagonista: Lanterna Verde/Alan Scott
Coadjuvantes: Thomas Kalmaku
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Sinestro Primeira aparição de Sinestro, ex-Lanterna Verde e um dos maiores vilões do Universo DC. Também é aprofundado o conceito de Qward, o mundo que existe em um universo de anti-matéria – conceito que seria bem usado durante “Crise nas Infinitas Terras”.
Usando os termos que Roberto Guedes descreve o período em seu livro “A Era de Bronze dos Super-Heróis”: foi quando a primeira geração de fãs chegou ao campo profissional; nascimento do mercado direto de revistas; e surgimento de “graphic novels”, minissérie e maxi-séries.
3 - “Herói Aplicadinho” (1971)
No Brasil: Grandes Clássicos DC nº 7 (Ed. Panini, 2006)
Roteiro: Dennis O’Neil
Arte: Neal Adams e Dick Giordano
Protagonistas: Lanterna Verde/Hal Jordan e Arqueiro Verde
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: Ricardito
Vilões: –
História chocante para a época: o Arqueiro Verde descobre que seu parceiro-mirim, Ricardito, era viciado em heroína. Como um herói reagiria a isso? Mas, antes de ser um super-herói, Oliver Queen é humano. E humanos erram.
Bela história com uma grande reviravolta na cronologia dos Lanternas Verdes: desde surgiram, em 1960, os Guardiães do Universo cuidaram do... universo. Nesta aventura, publicada em “Green Lantern” nº 200, eles anunciam sua “aposentadoria”: estão partindo para outra dimensão.
5 - “Tigres” (1986)
No Brasil: Grandes Clássicos DC nº 9 (Ed. Panini, 2006)
Roteiro: Alan Moore
Arte: Kevin O’Neil
Protagonistas: Lanterna Verde/Abin Sur
Coadjuvantes: Roixeaume
Vilões: Qull das Cinco Inversões
A origem de Hal Jordan, contada e recontada tantas vezes, tinha uma enorme incongruência nunca reparada por ninguém: por que alguém com um anel energético tão poderoso precisava de uma nave para viajar? Alan Moore, o homem que enxerga os detalhes, responde nesta bela e curta história.
Desconstrução
1986-92
“Watchmen” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas” desconstroem o gênero. “Crise nas Infinitas Terras”, na DC, e “Guerras Secretas”, na Marvel, são usados como estopins para reestruturação dos personagens.
Fazia parte desta reconstrução o caráter ambíguo do anti-herói Guy Gardner, bem explorado na história abaixo (quando ele é o “vilão”).
História focada na ética deturpada de Guy Gardner. Depois desta história, ele foi para a Liga da Justiça, onde foi um dos principais personagens do grupo por anos. Além da ética dúbia, o humor foi fundamental para tirar Guy Gardner da sombra de Hal Jordan e o transformar em um personagem de primeiro escalão da editora.
Coadjuvantes: Gnancy Gneesmacher, Gnelson Gneesmacher e Gneman Gnoggs
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
O humor da Liga da Justiça estrelada por Besouro Azul e Guy Gardner abriu portas para personagens como G’Nort, o cômico Lanterna Verde com aparência e QI de um cachorro que só entrou na Tropa dos Lanternas Verdes por influência política de seu tio. Anos mais tarde, um “retcon” (alterar o passado dos personagens) determinou que havia uma Tropa dos Lanternas Verdes falsa, composta por idiotas, criada para acabar com a credibilidade da original. O tio de G’Nort pertencia a esta tropa falsa, mas o personagem era bom e acabou fazendo parte tanto da Tropa verdadeira quanto da Liga da Justiça, na cômica Liga da Justiça Antártida.
8 - “Amanhecer Esmeralda” (1989-90)
No Brasil: DC Especial nº 2 (Ed. Abril, 1991)
Roteiro: Gerard Jones, Keith Giffen e Jim Owsley
Arte: M.D. Bright e Romeo Tanghal
Protagonistas: Lanterna Verde/Hal Jordan
Coadjuvantes: Carl Ferris, Carol Ferris, Jack Jordan, Martin Jordan
Heróis coadjuvantes: Guardiões do Universo, Lanterna Verde/Abin Sur, Lanterna Verde/Katma Tui, Lanterna Verde/Kilowog, Lanterna Verde/Salakk, Lanterna Verde/Sinestro, Lanterna Verde/Squagga, Lanterna Verde/Tomar Re e Lanterna Verde/Tomy-Fai
Vilões: Legião
Também fez parte desta época de Reconstrução dos Super-Heróis recontar suas origens. “Amanhecer Esmeralda” foi uma minissérie em seis edições que reconta a origem de Hal Jordan. Excelente, assim como sua continuação, “Amanhecer Esmeralda II”.
Sete artistas saem das duas grandes editoras e fundam a editora Image, cujas histórias, mais voltadas para a arte e despreocupadas com os roteiros, provocam nova guinada nas histórias.
Paradoxalmente, dentro da Image surgiu um dos títulos que mais trabalhou (e trabalha) em prol do gênero de super-heróis: “Astro City”, uma HQ que prima pelo roteiro e vai na contramão do resto da “Geração Image”. Também são como “Astro City”: as minis “O Reino do Amanhã” (DC) e “Marvels” (Marvel), assim como as revistas de Alan Moore para o selo ABC, como “Promethea” e “Tom Strong”.
9 - “Gerações Esmeralda, Gerações do Medo” (1999)
No Brasil: Lanterna Verde - Gerações Esmeralda, Gerações do Medo nº 1 a 2 (Ed. Mythos, 2003)
Roteiro: Ron Marz
Arte: Brad Parker
Protagonistas: Lanterna Verde/Alan Scott, Lanterna Verde/Hal Jordan e Lanterna Verde/Kyle Rayner
Coadjuvantes: Carol Ferris, Thomas Kalmaku
Heróis coadjuvantes: Guy Gardner, John Stewart, Liga da Justiça e Sociedade da Justiça
Vilões: nazistas
A Era Contemporânea dos quadrinhos presta muitas homenagens ao passado. Esta história, publicada originalmente como uma “graphic novel”, cria uma ameaça atemporal que ataca, em períodos diferentes, três gerações de Lanternas Verdes: Alan Scott, Hal Jordan e Kyle Rayner. Não fere a cronologia e, ainda por cima, faz sentido.
10 - “Renascimento” (2004-05)
No Brasil: “Lanterna Verde – Renascimento” nº 1 a 3 (Ed. Panini, 2005-06)
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Ethan Van Sciver e Prentis Rollins
Protagonistas: Lanterna Verde/Guy Gardner, Lanterna Verde/Hal Jordan, Lanterna Verde/Kilowog, Lanterna Verde/Kyle Rayner e Lanterna Verde/John Stewart
Coadjuvantes: Carol Ferris, Ganthet, Guardiães do Universo e Martin Jordan
Heróis coadjuvantes: Arqueiro Verde, Espectro, Jade, Lanterna Verde/Abin Sur, Lanterna Verde/Alan Scott, Liga da Justiça, Novos Titãs, Ricardita, Sociedade da Justiça, Supergirl e Zatanna
Vilões: Hector Hammond, Mão Negra, Mongul, Parallax e Sinestro
Editorialmente falando, quase todos os erros possíveis foram feitos com todos os Lanternas Verdes. Pela ordem de criação:
Alan Scott: ficou décadas exilada em outra dimensão, foi rejuvenescido de uma ora para outra, foi envelhecido de uma ora para outra, perdeu os poderes, aposentou-se.
Hal Jordan: virou um vilão (Parallax), matou um monte de Lanternas Verdes (inclusive Katma Tui e Kilowog), destruiu uma equipe da Força-Tarefa da Liga da Justiça e morreu. Como se não fosse o bastante, ressuscitou como outro herói, o Espectro
Guy Gardner: virou o último descendente de uma raça de alienígenas, com poderes excepcionais, como transformar seus braços em armas
John Stewart: é responsável pela morte de uma irmã; pior: é responsável pela destruição de um planeta inteiro; sofre lavagem cerebral; é transformado em um Guardião do Universo; é transformado em humano de novo; vira um Darkstar; vê sua mulher ser assassinada (Katma Tui, morta pela Safira Estrela); vê sua mulher ressuscitar; vê sua mulherser assassinada de novo (agora, por Hal Jordan, em seu período como o vilão Parallax); sofre uma lavagem cerebral; e fica paralítico.
Kyle Rayner: ficou mais poderoso que toda a Liga da Justiça junta (como o herói Íon); depois abre mão de parte de seus poderes porque seria manter um personagem tão poderoso. É o que menos sofreu nas mãos dos editores – talvez por ter apenasdesde sua criação.
Enfim, era preciso alguém apagar essa bagunça toda: transformar todos eles em super-heróis com um anel energético na mão e só, sem ignorar as bobagens editoriais anteriores. “Renascimento” serve para isso: coloca os pingos nos is e abre caminho para um ótimo momento da franquia Lanterna Verde.
Filme da Morte não está tão encaminhado quanto dizem
O aguardado filme da Morte, a simpática irmã do Sandman,
não está tão encaminhado quanto dizem.
O excelente diretor Guillermo del Toro, que está produzindo o filme, disse
estar tendo dificuldades para conseguir financiamento por fazer questão de
trabalhar com um diretor estreante: Neil Gaiman, o roteirista criador da
personagem.
Em 1966, o seriado “Batman”, com Adam West, fez um
estrondoso sucesso misturando humor e super-heróis. Os uniformes coloridos, as
onomatopéias, os bordões de Robin (Burt Ward) foram transformados em divertidos
episódios de aventura e humor.
Se deu certo com o Batman, por que não com a
Mulher-Maravilha? O produtor William Dozier pensou em um seriado com a heroína
amazona. Chegou a produzir um curto episódio piloto: “Wonder Woman: Who’s Afraid
of Diana Prince?” (quem tem medo de Diana Prince?), dirigido por Leslie H.
Martinson.
O episódio, com pouco menos de cinco minutos de
duração, tem apenas duas personagens: Diana Prince, a Mulher-Maravilha, vivida
por Ellie Wood Walker, e sua mãe – que não é amazona, muito menos a Rainha
Hipólita.
Na história, a mãe de Diana Prince fica impedindo
a filha de sair de casa para salvar o mundo porque quer que ela jante antes:
“coma primeiro, salve o mundo depois”. Além disso, reclama da dor de ser mãe de
Diana – não por ela ser uma heroína e correr risco de morte diariamente, mas por
estar solteira aos 27 anos. “As vizinhas já estão comentando”, diz.
É, de fato, uma outra visão da Mulher-Maravilha.
De amazona altruísta, transforma-se em uma solteira de 27 anos que mora com a
mãe e que, quando veste o uniforme, em vez de sair para salvar o mundo, perde
alguns minutos admirando-se no espelho, dando beijinhos e tchauzinhos para si
mesma.
Esta adaptação nunca foi ao ar... Para alívio dos
fãs.
Ele tem razão: é uma ótima história. Aliás, uma ótima série: nos anos seguintes, saíram “Batman – Guerra ao Crime” (1999), “Shazam! – O Poder da Esperança” (2000), “Mulher-Maravilha – O Espírito da Verdade” (2001), “LJA – Origens Secretas” (2002) e “LJA – Liberdade e Justiça” (2003). Chegou a ser anunciada uma edição desta série estrelada pelos Supergêmeos (“Supergêmeos – Forma de Água”), mas era uma brincadeira de 1º de abril de Alex Ross e da revista “Wizard”.
Estou fazendo, então, um adendo “extra”: mais cinco histórias do Superman boas, muito boas, que não poderiam ficar de fora:
11 - “A Supermoça de Krypton!” (1959)
Roteiro: Otto Binder
Arte: Al Plastino
Coadjuvantes: Zor-El
Heróis coadjuvantes: Supermoça
Vilões: –
A divertida –e ingênua – origem da Supermoça: a prima do Superman cujo foguete chega à Terra quando ela já está adulta. Em vez dos óculos, a loira heroína se esconde sob uma peruca castanha.
12 - “Super-Homem versus Mulher-Maravilha” (1978)
Roteiro: Gerry Conway
Arte: Jose Luis Garcia-Lopez e Dan Adkins
Coadjuvantes: Lois Lane, almirante Nimitz, Steve Trevor, Albert Einstein (!), agente Michaelson, Perry White e Franklin Roosevelt
Heróis coadjuvantes: Mulher-Maravilha
Vilões: Barão Blitzkrieg e Sumô, o Samurai
Combate épico entre Superman e Mulher-Maravilha – na Lua, para não ferir inocentes. A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial. É, até certo ponto, politicamente incorreta: afinal, o que leva os dois maiores heróis da DC a saírem no tapa são pontos de vista diferentes. Desiste-se do diálogo, passa-se ao muque.
13 - “Superman 2 – A Aventura Continua” (1980)
Direção: Richard Lester
Roteiro: Mario Puzo
Coadjuvantes: Jor-El, Jonathan Kent, Lara, Martha Kent, Lois Lane, Perry White e Jimmy Olsen
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Lex Luthor, General Zod, Non e Ursa
Tão bom quanto o primeiro – e com um vilão mais assombroso: Geneeral Zod. Outra frase clássica, assim como o “Você vai acreditar que o homem pode voar” do filme anterior: “Ajoelhe-se perante Zod!” (dita ao presidente dos Estados Unidos).
14 - “Paz na Terra” (1998)
Roteiro: Paul Dini
Arte: Alex Ross
Coadjuvantes: Martha Kent e Jonathan Kent
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
Um homem sozinho pode acabar com a fome mundial? E se ele tiver superpoderes? E se ele não for um homem, mas um super-homem? Uma história diferente, coma brilhante arte de Alex Ross.
15 - “Smalville - Rosetta” (2003)
Roteiro: Alfred Gough e Miles Millar
Coadjuvantes: Lana Lang, Pete Ross, Chloe Sullivan, dr. Virgil Swann, Jonathan Kent e Martha Kent
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Lex Luthor
Qualquer episódio do ótimo seriado “Smallville” serviria, mas este conta com a participação especial de Christopher Reeve, o Superman do cinema.
Como os editores da Panini, tive o trabalho de selecionar histórias de diferentes fases do personagem (a explicação da divisão que fiz das fases está na post de ontem; a Panini, ou qualquer outro fã de quadrinhos, deve ter sua própria divisão das “eras” dos comics, suponho). Também procurei não repetir uma história que já havia sido escolhida por eles.
Era de Ouro
1938-54
1 - “Superman, Campeão dos Oprimidos!” (1938)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Coadjuvantes: Lois Lane
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: vários pequenos vilões
Primeira história do personagem. Ele trabalhava no “Estrela Diária”, não no “Planeta Diário”, mas Lois Lane já estava lá. A história é um amontoado de pequenas aventurazinhas, todas simples, mas nela estão as sementes da mitologia do Superman: uniforme, identidade secreta e Lois Lane, além dos superpoderes, que não eram tão super assim: ele não voava, por exemplo.
2 - “Superman Contra a Liga Protetora dos Táxis” (1939)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Ultra-Humanóide
Começa a surgir o conceito de um supervilão – antes mesmo de Lex Luthor. Assim como Luthor, o Ultra-Humanóide, a princípio, não tem poderes, mas se vale de sua enorme inteligência.
Idade Média
1954-56
Nenhuma história. De novo.
Era de Prata
1956-1969
3 - “A Legião de Super-Heróis” (1958)
Roteiro: Otto Binder
Arte: Al Plastino
Coadjuvantes: Jonathan Kent
Heróis coadjuvantes: Legião dos Super-Heróis
Vilões: –
Em uma história simples e curta, são criados dois conceitos que até hoje são basilares do Universo DC: a Legião dos Super-Heróis e o século 30 tal como ele até hoje é retratado.
4 - “Lex Luthor, o Herói” (1961)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Curt Swan e George Klein
Coadjuvantes: Jimmy Olsen, Lana Lang, Lois Lane, Perry White e Lori Lemaris
Heróis coadjuvantes: Supergirl, Krypto, Legião dos Super-Heróis, Liga da Justiça e Robin
Vilões: Lex Luthor, Bizarro, Duke Garner e Al Mants
Assim como “Os Últimos Dias do Superman”, da seleção da Panini, mostra o Superman morrendo, e como seus amigos mais próximos reagem a esta morte. Naquela história, entretanto, ele se safa. Nesta, ele morre, e o legado dele continua.
É tida como uma “história imaginária”, ou seja, uma história possível, mas que não faz parte da cronologia oficial do personagem.
5 - “Os Filhos de Batman e Super-Homem” (1965)
Roteiro: EdmondHamilton
Arte: Curt Swan e Sheldon Moldoff
Coadjuvantes: Lois Lane
Heróis coadjuvantes: Batman, Batwoman e Superman Jr.
Vilões: Napoleão do Crime
Senti falta, na seleção da Panini, de uma história da dupla Superman e Batman. É uma parceria tão clássica no universo dos super-heróis que tem direito a um nome: Melhores do Mundo (World’s Finest), no original. Hoje, a parceria deles está em outra revista, “Superman Batman”.
Esta história que separei, em particular, apresenta um “futuro alternativo” que seria retomado em algumas outras ocasiões: um que Clark Kent se casa com Lois Lane e Bruce Wayne, com Kathy Kane. Os filhos dos dois casais, Clark Kent Jr. (Superman Jr.) e Bruce Wayne Jr. (Batman Jr.), se tornam adolescentes amigos, mas com problemas típicos de adolescentes.
Heróis coadjuvantes: Flash (Barry Allen) e Legião dos Super-Heróis
Vilões: Aylem, Islayn e Professor Zoom
Não é a primeira das corridas entre o Flash e o Superman, mas é das mais épicas: os dois têm que correr através do tempo e chegar até o fim da história do universo para impedir que um vilão sabote o nascimento do universo – como o tempo é “cíclico”, o universo nasce no mesmo instante em que termina.
Esta é a quarta corrida entre os dois. A primeira foi “Superman’s Race with the Flash” (de 1967), escrita por Jim Shooter, seguida por “The Race to the End of the Universe” (também de 1967), roteirizada por E. Nelson Bridwell. A terceira é de 1970 e foi escrita por Denny O’Neill: “Race to Save the Universe”.
No seriado “Smalville”, o episódio “Run” (de 2004), em que aparece Bart Allen (um dos Flashes dos quadrinhos), termina com ambos disputando uma corrida.
7 - “Superman: O Filme” (1978)
Direação: Richard Donner
Roteiro: Mario Puzo
Coadjuvantes: Jor-El, Jonathan Kent, Lara, Martha Kent, Lois Lane, Perry White, Jimmy Olsen e Lana Lang
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Lex Luthor, General Zod, Non e Ursa
Se eu fosse de uma editora, estaria preocupado em selecionar as dez melhores histórias do Superman em quadrinhos. Como não sou, posso escolher um filme – afinal, também é uma história do personagem.
Uma frase do pôster de divulgação é até hoje associada ao personagem: “Você vai acreditar que o homem pode voar”.
8 - “Para o Homem que Tem Tudo” (1985)
Roteiro: Alan Moore
Arte: Dave Gibbons
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: Mulher-Maravilha, Batman e Robin (Jason Todd)
Vilões: Mongul
Uma história e tanto. No aniversário de Superman (29 de fevereiro), ele recebe a visita de um vilão (Mongul), que lhe dá um “presente”: uma planta que faz com que seu maior desejo se realize – dentro apenas de sua mente, claro, pois seu corpo fica paralisado para sempre.
E o maior desejo do Superman é que Krypton não tivesse explodido. O sonho/pesadelo que ele vive nesta história é impressionante. Nesta alucinação, ele tem até dois filhos: Van-El e Orna.
Também tem uma frase marcante, dita, em sua alucinação, por Kal-El a seu filho van-El: “Van... Olhe... Sei que não vai fazer sentido, mas...Você é meu filho! Eu estava presente no seu nascimento, mas... eu não acho que você seja de verdade!”.
Desconstrução
1986-92
9 - “Superman x Legião dos Super-Heróis” (1987)
Roteiro: John Byrne e Paul Levitz
Desenhos: John Byrne e Greg LaRocque
Arte-final: Karl Kesel, Keith Williams e Mike DeCarlo
Coadjuvantes: Lana Lang, Jonathan Kent, Martha Kent, Pete Ross e chefe de polícia Parker
Heróis coadjuvantes: Legião dos Super-Heróis
Vilões: Senhor do Tempo e Legião dos Super-Vilões
Quando John Byrne reestruturou o Superman, chegou a um paradoxo. Ele instituiu que Kal-El era o último kryptoniano e que ele só se tornou Superman adulto. Isso invalidaria a Supermoça e a Legião dos Super-Heróis, personagens que não poderiam ser deixados de lado.
Nesta história em três partes, ele começa a esclarecer quem, afinal, foi o Superboy e qual o papel do Superman na criação da Legião dos Super-Heróis.
10 - “Vidas Paralelas se Encontram no Infinito” (1988)
Roteiro: John Byrne e Jerry Ordway
Desenhos: John Byrne e Jerry Ordway
Arte-final: John Byrne, John Beatty e Dennis Janke
Coadjuvantes: Lana Lang, Jonathan Kent, Martha Kent e Pete Ross
Heróis coadjuvantes: Legião dos Super-Heróis, Supermoça, Liga da Justiça, Jade e Robin
Vilões: General Zod, Quex-Ul, Zaora, Lex Luthor e Senhor do Tempo
Outro esclarecimento a ser feito por John Byrne em sua releitura do Superman: afinal, quem é a Supermoça? Ótima história, com final dramático.
Período Contemporâneo
1992-...
Nenhuma. Será que sou muito chato ou as histórias contemporâneas não são mais tão interessantes?
As dez melhores histórias do Superman – seleção da Panini (parte 1)
Como disse no post acima, esta divisão das fases do Superman foi feita por mim, baseada nos livros que li sobre quadrinhos norte-americanos. Sinta-se livre para discordar, não sou o senhor da razão. Infelizmente ;-)
As dez histórias listadas abaixo foram selecionadas pela editora Panini para “Coleção DC 70 Anos – Volume 1 – As Maiores Histórias do Superman”.
Era de Ouro
1938-54
Da criação do Superman, quando é inaugurado o gênero de super-heróis, até 1954, quando foi publicado o livro “A Sedução dos Inocentes”, de Fredric Wertham. É neste período que surgem Superman, Batman, Mulher-Maravilha,Capitão América, Namor, Sociedade da Justiça e Capitão Marvel.
1 - “A Origem de Superman e de Seus Superpoderes” (1939)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Coadjuvantes: Jonathan Kent e Mary Kent (que seria rebatizada Martha anos depois)
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
Apenas três páginas de história: o suficiente para apresentar o personagem, com muita originalidade e inocência.
2 - “E se o Superman Decidisse Acabar com a Guerra?” (1940)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Adolf Hitler e Josef Stalin
Só duas páginas de história: 100%ingenuidade e inocência. Ainda não existiam os super-vilões.
3 - “Três Super-Homens de Krypton” (1950)
Roteiro: William Woolfolk
Arte: Al Plastino
Coadjuvantes:Lois Lane, Jor-El e Perry White
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: U-Ban, Kizo e Mala
História bem original: três kryptonianos vêem a Terra. São tão poderosos quanto o Superman, mas egoístas. Enredo muito parecido com o do filme “Superman 2”.
Idade Média
1954-56
Pior período da indústria norte-americana de quadrinhos, acuada pelo livro “A Sedução dos Inocentes”, pelo macarthismo e pelo Código de Ética (censura). O período parece ser de apenas três anos, segundo essa divisão, mas o estrago foi bem grande. Os "comics" entraram em declínio por volta de 1946 e a retomada mesmo só aconteceria em 1961.
Nenhuma história. Compreensível.
Era de Prata
1956-1969
Na DC, surgem as novas versões de Flash, Lanterna Verde, Hawman e outros. Na Marvel, surgem Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, X-Men etc.
4 - “Os Últimos Dias do Superman” (1962)
Roteiro: Edmond Hamilton
Arte: Curt Swan e George Klein
Coadjuvantes: Jimmy Olsen, Jor-El, Tharb-El, Lana Lang, Lois Lane, Perry White, Lori Lemaris
Heróis coadjuvantes: Supergirl, Krypto, Legião dos Super-Heróis, Batman e Robin
Vilões: kryptonita
História em tom épico, com direito a participação de muitos coadjuvantes, heróis ou não, das histórias do Superman.
5 - “O Confronto Entre Luthor e Superman” (1963)
Roteiro: Edmond Hamilton
Arte: Curt Swan e George Klein
Coadjuvantes: Lois Lane e Jimmy Olsen
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Lex Luthor
História bem bacana: Lex Luthor é retratado como um vilão egoísta e invejoso, mas, acima de tudo, humano.
As dez melhores histórias do Superman – seleção da Panini (parte 2)
Continuação do post acima: as dez histórias listadas
pela editora Panini para a “Coleção DC 70 Anos – Volume 1 – As Maiores Histórias
do Superman”.
Era de
Bronze
1970-86
Usando os termos que Roberto Guedes descreve o período em
seu livro “A Era de Bronze dos Super-Heróis”: foi quando a primeira geração de
fãs chegou ao campo profissional; nascimento do mercado direto de revistas; e
surgimento de “graphic novels”, minissérie e
maxi-séries.
6 - “Precisa Haver um Superman”
(1972) Roteiro: Elliot S! Maggin Arte: Curt Swan e Murphy Anderson Coadjuvantes: Manuel e Juan Heróis coadjuvantes: Guardiães do Universo e Lanterna Verde (Katma
Tui) Vilões: – Acho a menos interessante desta coletânea...
Mostra o Superman refletindo sobre seu papel na Terra, mas, na minha opinião,
nada marcante...
7 - “O Exílio à Beira da Eternidade” (1984)
Roteiro e arte: Jim Steranko
Coadjuvantes: A’Dam’Mkent
Heróis coadjuvantes: Irmandade dos Supermen
Vilões: –
Uma proposta bacana: uma história do Superman em que ele aparece apenas
na primeira página. Depois, a importância do legado do Superman para o universo,
conforme os séculos (e milênios) vão passando.
Desconstrução
1986-92
“Watchmen” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
desconstroem o gênero. “Crise nas Infinitas Terras”, na DC, e “Guerras
Secretas”, na Marvel, são usados como estopins para reestruturação dos
personagens.
8 - “A Origem do Homem de Aço” (1986)
Roteiro e arte: John Byrne
Arte-final: Dick Giordano
Coadjuvantes: Kelex, Jor-El, Lara, Jonathan Kent, Martha Kent, Lana Lang
e Lois Lane
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
John Byrne reintrepreta a origem do Superman: quem ele é, por que decidiu
ser herói, como se formou... Simples e bem feito.
9 - “Retorno a Krypton” (1988)
Roteiro: John Byrne
Arte: Mike Mignola e Karl Kesel
Coadjuvantes: Jor-El, Kelex, Lara, Jonathan Kent, Martha Kent,
Heróis coadjuvantes:Gavião Negro e Mulher-Gavião
Vilões: kryptonita
Outra premissa interessante: o que aconteceria se Superman retornasse a
Krypton? Essa idéia é retomada no início do filme do Superman lançado no ano
passado, “Superman Returns”.
Período
Contemporâneo
1992-...
Sete artistas saem das duas grandes editoras e fundam a editora Image,
cujas histórias, mais voltadas para a arte e despreocupadas com os roteiros,
provocam nova guinada nas histórias.
Paradoxalmente, dentro da Image
surgiu um dos títulos que mais trabalhou (e trabalha) em prol do gênero de
super-heróis: “Astro City”, uma HQ que prima pelo roteiro e vai na contramão do
resto da “Geração Image”. Também são como “Astro City”: as minis “O Reino do
Amanhã” (DC) e “Marvels” (Marvel), assim como as revistas de Alan Moore para o
selo ABC, como “Promethea” e “Tom
Strong”.
10 - “Olho por Olho?” (1988)
Roteiro: Joe Kelly
Arte: Doug Manke, Lee Bermejo e outros
Coadjuvantes: Lois Lane, Perry White, Jimmy Olsen, Jack Ryder, Lex
Luthor, Amanda Waller, Jonathan Kent
Heróis coadjuvantes: Aço
Vilões: Elite
Superman enfrenta quatro super-heróis tão poderosos quanto ele, mas com
um senso de moral mais distorcido: matam quando bem entende. Interessante
discussão ética.
Neil Gaiman escreveu "Sandman", e quase todos fãs de quadrinhos de qualidade, bem como pessoas que não gostam de HQs, já lerem a série ou ouviram falar dela. É "cult".
Mas há uma outra série que envolve Neil Gaiman e que é muito menos conhecida: "Miracleman". Aliás, envolve também Alan Moore, outro roteirista do calibre de Gaiman nos quadrinhos contemporâneos (haverá mais algum desse nível?).
Essa história começa em 1954, quando a editora norte-americana DC Comics processou a Fawcett, proprietária do Capitão Marvel. Motivo: o Capitão Marvel seria um plágio do Superman.
A DC venceu, e a editora britânica que publicava as histórias do Capitão Marvel ficou sem histórias para suas revistas, que vendiam muito bem, obrigado. Coube a Mick Anglo criar o Marvelman, plágio descarado do Capitão Marvel. Em vez de "shazam", ele bradava "kimota" ("atomic", ao contrário). E, no lugar da Mary Marvel e Capitão Marvel Jr., estavam Young Marvelman e Kid Marvelman.
OK. Coisas da indústria da cultura. O personagem estaria até hoje no ostracismo, mas...
Mas, em 1982, o desconhecido (na época) Alan Moore assumiu Marvelman e começou uma das mais inovadoras HQs de super-heróis, com uma narrativa mais profunda e sombria.
Devido a um processo movido pela editora norte-americana Marvel, Marvelman tornou-se Miracleman.
OK. Coisas da indústria da cultura. Mas o personagem foi criado sete anos antes de a editora Timely mudar seu nome para Marvel...
Alan Moore escreveu 16 números dessa série, sendo que o último deles saiu em dezembro de 1989.
Quem assumiria a responsabilidade por assumir a revista depois da passagem daquele jovem e promissor gênio? Outro jovem e promissor roteirista, mas à época nada mais que isso: Neil Gaiman.
“Miracleman” nº 17, o primeiro escrito por Gaiman, saiu em junho de 1990. Gaiman havia previsto três sagas com seis capítulos: “A Era de Ouro”, “A Era de Prata”e “A Idade das Trevas”.
Eis que, entretanto, a editora Eclipse faliu, e o último capítulo publicado foi o segundo da “A Era de Prata” (lançado em “Miracleman” nº 24, dejunho de 1993). Os dez
capítulos finais não foram publicados.
OK. Coisas da indústria da cultura.
Na verdade, nada OK: a história continua. A editora Eclipse foi comprada pelo quadrinista canadense Todd McFarlane, que ficou com 70% dos direitos do personagem Miracleman.
McFarlane e Gaiman passaram a disputar na Justiça, a partir de 1997, o direito da publicação de Miracleman.
Gaiman criou, em 2002, a Marvels and Miracles LLC, um fundo cujo objetivo é conseguir, em definitivo, os direitos sobre a publicação do personagem.
Essa pose lembra alguém? Dica: troque os MM por um S
O personagem não pode mais ser publicado. Em 2008, 15 anos após a interrupção da revista “Miracleman”, o destino do personagem permanece indefinido. E, enquanto o processo corre, os fãs, aguardamos.
No Brasil, as quatro primeiras histórias do Miracleman de Alan Moore foram publicadas de 1989 a 1990 pela editora Tannos. As revistas parecem fanzines... Cada um dos quatro tamanhos tem um tamanho diferente... Foi editado por um fã, talvez até de modo pirata (será que ele tinha direito?) e é difícil ser encontrada, mesmo em sebos.
Na segunda-feira desta semana, Pato Donald completou 74 anos: ele surgiu em 9 de junho de 1934 no desenho animado "The Wise Little Hen (Silly Symphonies)". UOL Educação fez um curto, mas divertido teste sobre o personagem. São apenas seis perguntas, mas é difícil acertar todas - eu errei uma.
Nove de junho é a data de criação do pato com uniforme de marinheiro. Não diz no quiz, mas, dentro das histórias Disney, foi estipulado que o aniversário dele, na verdade, é 13 de março - azarado como ele só, Donald nasceu em uma sexta-feira 13, é claro.
"O Incrível Hulk" estréia nesta semana. O diretor Louis Leterrier falou ao
UOL Cinema sobre como queria o filme. Diz a nota:
"Mas não queria fazer um filme só como a versão
para a televisão do personagem, nem só como o herói se apresenta nos
quadrinhos." Assim, o roteiro inicial foi dividido em dois: um em que o Gigante
Esmeralda não aparecia, focando a trama na 'doença' de Banner, sua busca pelo
antídoto e em todos os problemas envolvidos na situação, e outro mostrando as
tentativas frustradas de cura e os ataques de raiva."
Ang Lee também queria muita coisa no filme anterior. Ele havia dito "não sei
contar uma história de super-heróis, mas sei contar uma história mitológica". Deu no que deu: um filme estranho demais.
Leterrier também, aparentemente, tem mutias intenções. Quer fazer um filme
tanto para os fãs do seriado quanto para os da HQ. Dizem que o segredo do
sucesso não existe, mas o do fracasso é querer agradar a todos. Estou
cético.