Semana Batman é isso aí: Batman poderia existir, mas não por muito tempo
Com o filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas" quebrando recordes
(arrecadou US$ 158,355 milhões durante seus três
primeiros dias de exibição nos Estados Unidos e Canadá, US$ 199,655 milhões no
mundo todo), o personagem está dando o que falar.
Diz a matéria: "Para investigar se alguém como Bruce
Wayne poderia fisicamente se transformar em uma devastadora gangue de um homem
só, o "Scientific American.com" procurou E. Paul Zehr, professor associado de
cinesiologia e neurociência na Universidade de Vitória na Columbia Britânica e
praticante de Chito-Ryu karate-do há 26 anos. O livro
de Zehr, "Becoming Batman: The Possibility of a Superhero ", da The Johns
Hopkins University Press, com lançamento previsto para outubro, trata exatamente
da nossa questão."
Isso é divertido. Ver esse tipo de curiosidade que o personagem suscita. Eu,
particularmente, acho que o Batman é completamente inviável. Em todos os
sentidos: físico, mental, social, tudo. Mas é uma história de fantasisa, de
super-heróis. Faz parte deste universo uma boa dose de realismo fantástico, com
ênfse no fantástico. Não acredito que Batman exista nem gostaria que ele
existisse. Mas essa discussão é divertida, por isso transcrevo mais um trecho da
matéria:
"A parte mais irreal da forma como Batman é retratado é a
natureza de seus ferimentos. Na maior parte do tempo, nos gibis e nos filmes,
mesmo quando ele ganha, geralmente acaba levando uma boa surra. Há um fracasso
real em mostrar o efeito acumulativo disso. No dia seguinte ele está fazendo a
mesma coisa, tudo de novo. É mais provável que ele estivesse cansado e
ferido."
De fato, não consigo imaginar o Batman não conseguindo sair para combater o
crime porque não dormiu bem ou porque está com uma dorzinha nas costas...
:-)
As melhores histórias do Lanterna Verde – versão da editora (parte 1)
Foi lançada, neste mês, “As Maiores Histórias do Lanterna Verde”. Trata-se do segundo de uma série de seis volumes da Coleção DC 70 Anos, que a Panini está publicando para celebrar as sete décadas da editora no Brasil.
A do Lanterna Verde, lançada este mês, é um pouco diferente. Embora o personagem tenha sido criado na Era de Ouro, ele foi relançado com uma história diferente (outra identidade, outra origem, outro tudo) na Era de Prata. E o lançamento da Panini é focado no Lanterna Verde da Era de Prata, Hal Jordan.
Assim como fiz no lançamento de “As Maiores Histórias do Superman”. vou fazer um pequeno comentário de cada história e mostrar de que fase elas foram extraídas. A divisão das fases, uma vez mais, é minha, baseada em livros que li sobre a história dos comics (quadrinhos norte-americanos). Mas esta divisão em fases, assim como a seleção das dez melhores histórias de cada personagem, é subjetiva.
Para mim, faltaram histórias protagonizadas por outros Lanternas Verdes – Kyle Rayner, Alan Scott, John Stewart e Guy Gardner. Mas entendo a escolha: Hal Jordan é o mais famoso dos Lanternas Verdes, tanto que teve que ser “ressuscitado” após a desastrada decisão editorial de torná-lo um vilão (e que resultou em outra desastrada decisão editorial: matá-lo [e que resultou em outra desastrada decisão editorial: torná-lo outro super-herói, o Espectro]). Enfim, descobriu-se que ele estava sendo dominado por uma entidade alienígena e tudo ficou resolvido.
Mas senti falta de uma história da fase em que Lanterna Verde/Hal Jordan e seu melhor amigo, Arqueiro Verde/Oliver Queen, caíram na estrada de carro para conhecerem, de perto, os problemas reais dos Estados Unidos. Foi uma guinada do momento ficção-científica dos super-heróis dos anos 60-70, e tornou-se um dos melhores momentos do gênero nos anos 70. Não à toa, a revista Green Lantern/Green Arrow foi por dois anos seguidos a mais premiada do Shazam Awards: em 1970 (melhor série contínua; melhor história individual [nº 76: "No Evil Shall Escape My Sight"]; melhor escritor-drama [Dennis O’Neil] e melhor desenhista-drama [Neal Adams]) e em 1971 (melhor história individual [nº 85: "Snowbirds Don't Fly""] e melhor desenhista-drama [Neal Adams]).
Abaixo, os meus comentários sobre a seleção da editora Panini para as dez melhores histórias do Lanterna Verde. No post abaixo, os comentários da seleção da editora.
Era de Ouro
1938-54
Da criação do Superman, quando é inaugurado o gênero de super-heróis, até 1954, quando foi publicado o livro “A Sedução dos Inocentes”, de Fredric Wertham. É neste período que surgem Superman, Batman e o primeiro Lanterna Verde (Alan Scott), que foi deixado de lado na seleção destas histórias – aparece apenas como coadjuvante de uma delas.
Nenhuma história.
Idade Média
1954-56
Pior período da indústria norte-americana de quadrinhos, acuada pelo livro “A Sedução dos Inocentes”, pelo macarthismo e pelo Código de Ética (censura). O período parece ser de apenas três anos, segundo essa divisão, mas o estrago foi bem grande. Os "comics" entraram em declínio por volta de 1946 e a retomada mesmo só aconteceria em 1961.
Nenhuma história.
Era de Prata
1956-1969
Na DC, surgem as novas versões de Flash, Lanterna Verde, Hawman e outros. Na Marvel, surgem Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, X-Men etc.
1 - “S.O.S. Lanterna Verde” (1959)
Roteiro: John Broome
Arte: Gil Kane e Joe Giella
Protagonista: Lanterna Verde/Hal Jordan
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: Lanterna Verde/Abin Sur
Vilões: –
Apenas seis páginas de história: o suficiente para apresentar Hal Jordan, que surge aqui como Lanterna Verde pela primeira vez. Não há menção alguma ao Lanterna anterior.
O conceito de magia, que era o que movia o Lanterna Verde da Era de Ouro, é aqui substituído pela ficção-científica: os Lanternas Verdes são, agora, uma espécie de tropa universal de policiais. Em vez de revólver, um anel energético de poder infinito, mas que tinha uma fraqueza: a cor amarela.
Uma idéia simples, a da tropa universal, mas basilar para o Universo DC até hoje. “Crise nas Infinitas Terras”, a mini publicada em 1985-86 e que redefiniu os alicerces da editora, é baseada no tripé 1 - conceito da Tropa dos Lanternas Verdes (que teriam sido criados para combater Krona, o responsável pela “Crise” do título); 2 - na história “Flash de Dois Mundos” (que deve ser selecionada no volume com as dez melhores histórias do Flash que a Panini publica ainda este ano); e 3 - nos encontros da Liga com a Sociedade da Justiça (um deles, talvez o Crise na Terra 3, deve ser selecionado no volume com as dez melhores histórias da Liga da Justiça).
2 - “O Planeta dos Condenados” (1960)
Roteiro: John Broome
Arte: Gil Kane e Murphy Anderson
Protagonista: Lanterna Verde/Hal Jordan
Coadjuvantes: Guardiães do Universo
Heróis coadjuvantes: Lanterna Verde/Abin Sur
Vilões: Dryg
Numa época inocente e didática em que a ficção e a fantasia não eram conceitos tão conhecidos e utilizados, é uma história quase “didática” de tanto que vai se explicando para que o leitor não se perca. A retrospectiva da origem de Hal Jordan é quase a história anterior recontada, inclusive com os mesmos diálogos, mudando apenas o ângulo e o corte das cenas.
3 - “Anéis Energéticos à Venda” (1964)
Roteiro: John Broome
Arte: Gil Kane e Murphy Anderson
Protagonista: Lanterna Verde/Hal Jordan
Coadjuvantes: Guardiães do Universo, Thomas Kalmaku e dr. Keller
Heróis coadjuvantes: Lanterna Verde/Abin Sur
Vilões: Grolls
Em uma história muito no clima de ficção científica, Hal Jordan tem de enfrentar, mais uma vez, alienígenas. Ainda não havia o “hábito” de ele enfrentar supervilões – e um dos piores supervilões da DC, Sinestro, o Lanterna Verde renegado, surgiria confrontando Hal Jordan.
As melhores histórias do Lanterna Verde – versão da editora (parte 2)
Continuando a lista com as HQs selecionadas para “As Maiores Histórias do Lanterna Verde”, publicação da Panini. As três primeiras histórias foram comentadas no post acima.
Era de Bronze
1970-86
Usando os termos que Roberto Guedes descreve o período em seu livro “A Era de Bronze dos Super-Heróis”: foi quando a primeira geração de fãs chegou ao campo profissional; nascimento do mercado direto de revistas; e surgimento de “graphic novels”, minissérie e maxi-séries.
4 - “Perdido no Espaço” (1970)
Roteiro: John Broome
Arte: Gil Kane e Murphy Anderson
Protagonista: Lanterna Verde/Hal Jordan
Coadjuvantes: Carol Ferris, Thomas Kalmaku e Tegra Kalmaku
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Safira Estrela e Sinestro
História típica do gênero de super-heróis: dois vilões, por motivos diferentes, aliam-se (Safira Estrela e Sinestro) para destruir o herói, que conta apenas com um amigo bem intencionado (o simpático Thomas Kalamaku) e sua monumental força interna.
5 - “O Mal Sucumbirá Ante Minha Presença” (1972)
Roteiro: Dennis O’Neil
Arte: Neal Adams e Dick Giordano
Protagonistas: Lanterna Verde/Hal Jordan e Lanterna Verde/John Stewart
Coadjuvantes: Guardiães do Universo e Guy Gardner
Heróis coadjuvantes: Lanterna Verde/Abin Sur
Vilões: Senador Jeremiah Clutcher
A Panini pulou a polêmica fase em que o Lanterna Verde dividiu sua revista com o Arqueiro Verde, e em que foram abordados temas como o racismo e o uso de drogas. Pegou uma história da fase seguinte, ainda com os mesmos autores (Dennis O’Neil e Neal Adams).
Trata-se da primeira aparição de John Stewart, um Lanterna Verde de história muito trágica – detalhes seriam dados pelos futuros roteiristas, que o colocariam como responsável pela morte de uma irmã; pela destruição de um planeta inteiro; ver a sua mulher ser assassinada (Katma Tui, assassinada pela Safira Estrela); Katma Tui ressuscitaria e seria assassinada de novo (agora, por Hal Jordan [!!], em seu período como o vilão Parallax); sofreria uma lavagem cerebral; e ficaria paralítico (por Grayven, filho de Darkseid).
Mas isso seria depois. Nesta história, ele é um simpático e estiloso negro que coloca Hal Jordan para pensar.
6 - “O Dia do Julgamento” (1984)
Roteiro: Len Wein
Arte: Dave Gibbons
Protagonistas: Lanterna Verde/Hal Jordan
Coadjuvantes: Carol Ferris e Guardiães do Universo
Uma história diferente, em que Hal Jordan pede para parar de atuar no espaço e atuar a partir da Terra. Embora apareçam vários Lanternas Verdes alienígenas na história, ela é voltada para o lado mais “terráqueo” de Hal Jordan.
Desconstrução
1986-92
“Watchmen” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas” desconstroem o gênero. “Crise nas Infinitas Terras”, na DC, e “Guerras Secretas”, na Marvel, são usados como estopins para reestruturação dos personagens.
Fazia parte desta reconstrução o Lanterna Verde deixar seu anel de lado e viajar de carona pelos Estados Unidos (história abaixo).
7 - “Som & Fúria” (1990)
Roteiro: Gerard Jones
Arte: Pat Broderick e Bruce Patterson
Protagonistas: Lanterna Verde/Hal Jordan e Lanterna Verde/Guy Gardner
Coadjuvantes: –
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: –
Parece uma continuação da história anterior, embora tenha sido publicada mais de uma década depois. Hal Jordan.continua procurando seu lado mais “terráqueo”, viajando de carona pelos Estados Unidos. Remete à fase excepcional em que cruzou os Estados Unidos ao lado do Arqueiro Verde, mas com qualidade inferior.
Período Contemporâneo
1992-...
Sete artistas saem das duas grandes editoras e fundam a editora Image, cujas histórias, mais voltadas para a arte e despreocupadas com os roteiros, provocam nova guinada nas histórias.
Paradoxalmente, dentro da Image surgiu um dos títulos que mais trabalhou (e trabalha) em prol do gênero de super-heróis: “Astro City”, uma HQ que prima pelo roteiro e vai na contramão do resto da “Geração Image”. Também são como “Astro City”: as minis “O Reino do Amanhã” (DC) e “Marvels” (Marvel), assim como as revistas de Alan Moore para o selo ABC, como “Promethea” e “Tom Strong”.
8 - “Velocidade da Luz” (1999)
Roteiro: Mark Waid
Arte: Barry Kitson
Protagonistas: Lanterna Verde/Hal Jordan, Flash/Barry Allen e Kid Flash/Wally West
Coadjuvantes: Íris West e Eve Doremus
Heróis coadjuvantes: –
Vilões: Mão Negra e Mestre dos Espelhos
Segunda história de uma mini em 12 parte em homenagem à Era de Prata. Enredo bacana, em homenagem àquela época em que os heróis se aliavam para enfrentar seus vilões, aliados entre si. Curioso que esta história, uma das melhores da era contemporânea do personagem, seja tão nostálgica, voltada para o passado.
9 - “O Herói do Amanhã” (2002)
Roteiro: Benjamin Raab
Arte: Pete Woods e Jamal Igle
Protagonistas: Lanterna Verde/Hal Jordan e Lanterna Verde/Alan Scott
Coadjuvantes: Carol Ferris, Guardiães do Universo, Molly Mayne e Thomas Kalmaku
História bem fraca que tenta contar como teria sido a primeira aventura em conjunto entre o primeiro Lanterna Verde (Alan Scott) e o segundo (Hal Jordan). Entretanto, cheia de forçadas de barra. Provavelmente foi selecionada apenas para que Alan Scott, o Lanterna Verde original, desse o ar de sua graça nesta coletânea.
10 - “Vôo” (2005)
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Darwyn Cooke
Protagonistas: Lanterna Verde/Hal Jordan e Lanterna Verde/Alan Scott
Coadjuvantes: Jack Jordan, James Jordan, Jessica Jordan, Martin Jordan
Heróis coadjuvantes:
Vilões:
História bem bacana. Quando Hal Jordan ressuscita e descobre que há outro Lanterna Verde em seu lugar (Kyle Rayner), o que ele faz. Neste caso, quer se aproximar dele, passar um sinal de amizade. Como? Essa é a graça dessa história.
Emmanuelle: até que ponto sexo combina com filosofia?
O
italiano Guido Crepax é um dos três grandes nomes do quadrinho europeu erótico,
ao lado de Paolo Serpieri e Milo Manara. Emmanuelle é o nome de um famoso
romance erótico francês, escrito pela franco-tailandesa Marayat Rollet-Andriane. Chegou a virar
vários filmes eróticos.
A minha expectativa era bem grande. Afinal, Crepax por si
só já é garantia de uma bela HQ erótica; ainda mais assim, adaptando um famoso
romance.
Decepção. Várias páginas e masturbações (da própria
Emmanuelle) depois, achei que a HQ ficou devendo. As ilustrações são,
de fato, belíssimas. Mas as cenas vêm e vão sem o menor sentido, dando muito a
impressão do sexo pelo sexo, como nos piores álbuns do Manara.
E, do meio pro final, a impressão é que “Emmanuelle” quis
se tornar um “erótico-cabeça”. Muita verborragia não entre os atos sexuais, mas
durante eles.
Sei que essa HQ fez muito sucesso, mas não
consegui gostar dela. A ilustração é excepcional, principalmente as cenas de
sexo, mas quadrinhos são, antes de tudo, roteiro. “Morango e Chocolate” ou
qualquer HQ do Zéfiro me agradam mais. Mas, enfim...
Uma das melhores HQs de super-heróis do ano é lançada
Foi lançada, neste mês, uma das melhores HQs de super-heróis do ano “As
Maiores Histórias do Superman”. Trata-se do primeiro de uma série de seis
volumes da Coleção DC 70 Anos, que a Panini está lançando para celebrar as sete
décadas da editora no Brasil.
Selecionar as dez melhores histórias de um personagem, qualquer um,
sempre será subjetivo. Por isso o texto de abertura desta edição é tão bacana:
fala justamente desta dificuldade em selecionar, e o que eles fizeram para
ajudar o processo de escolha. Dividiram a história do Superman em fases e
tentaram pegar exemplos bacanas de cada fase.
Eles não deram nomes a estas fases, mas dá para entender bem de qual
período elas foram selecionadas. Hoje vou fazer um pequeno comentário de cada história e mostrar de que fase
foram extraídas. A divisão das fases, entretanto, é minha, baseada em
livros que li sobre a história dos comics (quadrinhos norte-americanos). Mas
esta divisão em fases, assim como a seleção das dez melhores histórias de cada
personagem, é subjetiva.
Por
falar em subjetividade, amanhã publico minha lista com as dez melhores histórias
do Superman.
Quando eu mais novo, havia uma revista brasileira de quadrinhos voltada para obras irreverentes, adultas e diferentes. Chamava-se “Animal” e seu slogan era “feio, forte e formal”. “Malvados” lembra, na irreverência e até na crueldade de algumas cenas, o espírito da “Animal”.
Se “Animal” era uma coletânea de vários autores, “Malvados” pertence apenas a André Dahmer. Trata-se de uma série de tiras que surgiram em 2001 na Internet (o site ainda existe e é atualizado: http://www.malvados.com.br/) e que foram reunidas em um livro recém-lançado (“Malvados”, editora Desiderata). Por que esse nome? Porque a vida, o ser humano, a sociedade e talvez até você, internauta, são maus.
“Malvados” é um livro de humor, mas não do tipo fácil. As situações mostradas são inspiradas na realidade, mas no lado mais triste possível: depressão, corrupção, vícios, violência, incapacidade de distinguir o bem do mal. É uma realidade tão deprimente que não resta a Dahmer fazer outra coisa além de rir.
E é isso que ele faz. A tira é centrada em dois personagens estranhos, que lembram girassóis, mas que agem, falam e vivem como humanos. Eles não têm nome ou profissão, apenas aparecem falando um com o outro. E se um deles está com um grande problema (o que é freqüente) o outro, com uma única frase, ajuda... Ajuda a aumentar o problema.
Em uma das tiras, um deles diz: “E se eu pular pela janela com uma corda no pescoço, enquanto atiro em meus miolos?”. O outro responde: “Ótima idéia, mas cuidado para não sobreviver. Já temos inúteis demais nesse país...”.
Assim é a tira “Malvados”: crua, absurda e politicamente incorreta. Por extensão, o livro inteiro é assim, onde também aparecem outras séries de Dahmer. Alguns personagens, como Mestre Barbará das Boas Notícias, ficaram de fora – foram publicados em “O Livro Negro de André Dahmer”, de 2007.
Quem volta a aparecer neste livro é o distante (e fictício) país do Ziniguistão. Se as tiras com seu líder, o tirano Emir Saad, saíram no livro anterior, neste é a vez de lugares como Liebitz, a província mais individualista de todas (“solidariedade não vai botar três carros na minha garagem”); Los Locos, a aldeia mais viciada do Ziniguistão, habitada por místicos, hippies e pacifistas; e o Lago Crumb, onde desfilam mulheres avantajadas como as desenhadas pelo quadrinista norte-americano Robert Crumb.
Religiões, profissões, terapias, remédios, dinheiro: qualquer busca para a felicidade, no mundo real, pode não levar ao objetivo desejado. Sob o humor crítico e sem limites de Dahmer, entretanto, até o fracasso na busca pela satisfação ou por uma vida melhor pode se tornar uma piada. Aliás, principalmente o fracasso.
Quando eu era pequeno, Prince of Persia era
dos meus jogos prediletos, ao lado do Enduro (do Atari) - Tetris e o viciante
Civilization só fui conhecer adolescente.
Eis que vejo uma espécie de retomada do Prince of Persia: um filme, "Prince
of Persia: The Sands of Time", está previsto para 2009; e um álbum de luxo
"Prince of Persia - The Graphic Novel", está prevista para a próxima primavera
(outono nos EUA).
Coisa rara: há um trailer para esta graphic novel, recurso pouco utilizado
pelas editoras. Para assisti-lo, é só clicar aqui.
"Prince of Persia - The Graphic Novel" terá 208 páginas e está sendo feita
por Jordan Mechner (criador do videogame), A.B. Sina, LeUyen Pham e Alex
Puvilland.
"A diretora argentina Lucrecia
Martel anunciou que está adaptando para o cinema a série de quadrinhos ‘El
eternauta’, clássico das HQs portenhas assinado por Héctor Germán Oesterheld. As
filmagens devem começar em 2009.
Publicada originalmente nos anos 1950, com novas
histórias lançadas nas décadas seguintes, a HQ fala de uma invasão alienígena na
Argentina que traz consigo uma espécie de neve letal para o ser humano. Juan
Salvo, o eternauta, cria uma roupa especial para se proteger e acaba liderando a
resistência contra os ETs."
Isso só aumenta a minha curiosidade sobre "Eternauta". Li tanto sobre a
série, e sempre falando tão bem, que encomendei uma edição espanhola lançada
este ano para um amigo meu que mora em Barcelona e vinha para o Brasil.
Ele comprou a HQ e veio para o Brasil, mas a esqueceu lá. OK... Coisas que um
colecionador enfrenta. Até o filme ser lançado, acho que já terei lido "El
Eternauta"...
Mais sobre 'Monster', o mangá indicado a melhor série no Eisner Awards
Estou intrigado com "Monster", o mangá de Naoki Urasawa que foi indicado a duas categorias do Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos norte-americanos: melhor edição norte-americana para material japonês e melhor série (é o único estrangeiro que concorre nesta categoria).
Como ainda não li a série, fui pesquisar um pouco sobre ela.
- "Monster" está saindo no Brasil pela editora Conrad em 18 volumes
- A série foi publicada no Japão de 1994 a 2001; no Brasil, a décima edição já saiu
- Naoki Urasawa nasceu em 2 de janeiro de 1960 em Osaka (Japão) e tem, portanto, 28 anos
- Entre as obras de Naoki Urasawa estão "Pinapple Army" (1985-1988), "Yawara!" (1986-1993), "Master Keaton" (1988-1994), "Happy!" (1993-1999) e "20th Century Boys" (2000)
- Naoki Urasawa já ganhou os dois maiores prêmios de mangás do Japão (Shogakukan e Kodansha) em várias ocasiões: * 1990 - melhor mangá por "Yawara!" (Shogakukan) * 2001 - melhor mangá por "Monster" (Shogakukan) e melhor mangá por "20th Century Boys" (Kodansha), a primeira vez em que um artista ganha os dois prêmios no mesmo ano * 2003 - melhor mangá por "20th Century Boys" (Shogakukan) * 2004 - melhor série por "20th Century Boys" no Angoulême International Comics Festival Prize (na França)
- foi adaptada para a TV e virou um animê em 74 episódios, que foram ao ar de 2004 a 2005
Abaixo, a abertura do animê...
Vou ler "Monster" com certeza. Duvido que vá me arrepender.
Trailer da Invasão Secreta: Marvel em vantagem contra a DC
Quem acompanha quadrinhos de super-heróis sabe que há duas editoras gigantes que disputam o mercado: DC e Marvel. Cada uma tem suas armas exclusivas, como artistas e escritores exclusivos.
De uns tempos para cá, os roteiristas têm sido o fiel da balança. É da cabeça deles - e dos editores, claro - que saem as megassagas que vão fazer as editoras serem comentadas durante todo o ano.
A DC tem Greg Rucka, Grant Morrison, Mark Waid e Geoff Johns, todos exclusivos. A Marvel tem Brian Michael Bendis, Ed Brubaker, J. Michael Straczynski e Jeph Loeb. E as duas têm o genial Keith Giffen, roteirista e desenhista de tamanho talento e honra que tem acesso aos planos secretos das duas editoras sem problemas.
Consta que, numa reunião dos cabeças da Marvel, Giffen entrou na sala (ele participaria também) e gritou algo como "vocês estão f****os, a DC vai f**** vocês!". A DC estava planejando a "Crise Infinita", saga que foi seguida por "52" e que culminará na (bocejo) "Crise Final". A Marvel planejava "Guerra Civil", cujo final foi recentemente publicado no Brasil e que continuou pelos títulos da editora até a "Invasão Secreta", cujo primeiro capítulo será lançado no próximo dia 2 de abril.
Pois bem. Passados "Crise Infinita" e mais da metade de "52", além de "Guerra Civil", acredito que meu ídolo Giffen errou. Tanto pela repercussão como pelas vendas, a Marvel bateu de longe a DC, que está apanhando para ver o que vai fazer com a (bocejo) "Crise Final". Parece que a idéia original de Grant Morrison não foi aceita, e a DC tem patinado para ver o que fará com seus personagens.
Enquanto isso, na Marvel... Eles sabem bem o que querem. Não vai criar novas dimensões, novas versões de heróis ou recontar a história de seus personagens a partir do zero. Vai investir em uma saga que tem um conceito, aparentemente, pra lá de simples: uma raça alienígena quer invadir a Terra. Só isso.
Mas esta raça são os Skrulls, criação de Stan Lee e Jack Kirby nos seus tempos de "Quarteto Fantástico". E graças ao roteirista Brian Michael Bendis, de "Vingadores", as sementes desta invasão já têm sido plantadas há mais de dois anos (!). Abaixo, o ótimo trailer divulgado pela Marvel sobre a saga.
Eu diria que quem tem planejamento sério tem tudo. Mais do que isso: acompanhando as histórias escritas por ele, eu diria que quem tem Brian Michael Bendis tem uma grande vantagem sobre o concorrente.
Ontem não bloguei. Entretanto, fui avistado em um restaurante por quilo perto do trabalho dobrando, com dificuldade, uma página de uma revista e dando risada sozinho. Era uma Dobradinha Mad, seção tradicional da clássica revista norte-americana, um berço de clássicos e notáveis quadrinistas norte-americanos (por exemplo: William Gaines, Wally Wood, Basil Wolverton e Harvey Kurtzman, todos devidamente já indicados ao Hall da Fama do Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos norte-americanos).
A edição brasileira (este é o número de lançamento da quarta série da "Mad" no Brasil) tem muito material produzido orignalmente para a "Mad" americana, ams também tem muito material nacional - e dos bons. O editor da revista, o Otacílio d'Assunção (o Ota), trabalha na "Mad" desde sua estréia no Brasil, em 1974 (!). Assim como seus colegas norte-americanos, Ota também é reconhecido pela crítica: recebeu, em 2002, o título de mestre do quadrinho nacional do Troféu Angelo Agostini.
Destaques desta edição nacional, além da Dobradinha Mad e do nome da seção de cartas ("Cartas dos Imbecis que Acreditavam na Nossa Volta!"):
* o relatório Ota, sempre sobre um tema polêmico - lembro de um divertidíssimo sobre tamanho de pênis; o desta edição é sobre a vida após a morte e, segundo o Ota, vai nos ser útil quando chegarmos lá;
* a série "Spy vs. Spy", criada pelo cubano Antonio Prohías, mas agora tocada pelo ótimo Peter Kuper; é de Kuper, aliás, a ótima graphic novel "O Sistema", já lançada no Brasil e que vale a leitura;
* aqueles cartuns minúsculos do Sergio Aragones, o quadrinista espanhol mais mexicano que já tive o prazer de ler;
Arrisco dizer que pouco mudou na mudança de editora (agora está com a Panini). A nova "Mad" brasileira é a boa e velha "Mad" brasileira de sempre.
Conheci o Ota (conhece o Saíte do Ota?) anos atrás. Foi uma decepção: não hás mosquinhas sobrevoando a cabeça dele, como indicam todos os auto-retratos que ele já publicou na Mad.
A revista "Mad" já está de volta, em sua nova edição no Brasil (a quarta). O
Ota ainda é editor, o que é um bom sinal. Já tenho o novo número 1, mas ainda
não li... Então os comentários ficam para amanhã. Até lá... Um site bacana, com
todas as capas da revista: http://www.micromania.com.br/mad/
Abaixo, capa da primeira edição da "Mad" no Brasil (editora Vecchi, julho de
1974):
Postei aqui outro dia sobre as diferentes interpretações do Hulk no cinema - o seriado exibido na TV de 1978 a 1982, teve 87 episódios e dois filmes, "O Retorno do Incrível Hulk" e "O Julgamento do Incrível Hulk"; o filme de Ang Lee (de 2003); e o filme de Louis Leterrier, a ser lançado ainda este ano, e que ainda não vi (só o trailer). Mas não dei minha opinião sobre eles.
Sobre o filme de Louis Leterrier: ainda não vi, mas pelas cenas do trailer e das entrevistas, vai ser mais focado no lado monstro do que no lado psicológico.
Isso faz sentido. A Marvel consideou o filme de Ang Lee, lançado cinco anos trás, um fracasso. O filme focava o lado dramático de violência na infância, traumas e o fardo de ter que reprimir toda violência e ira dentro de si. Isso é muito legal, na minha opinião; tem muito a ver com o personagem.
Além disso, o filme prima por tentar se aproximar da estética dos quadrinhos, o que gerou cenas visualmente lindas.
Porém... Sempre há um porém - ou, neste caso, dois.
Um: apesar de todo aprimoramento estético, o Hulk ficou irreal demais. Como bem definiu Sérgio Dávila, parecia o Shrek na TPM. O Hulk de carne e osso do seriado de TV, vivido por Lou Ferrigno, é incomparavelmente melhor, mais humano, mais emocional, mais tudo.
Dois: o lado psicológico ficou, na minha opinião carregado demais. Li uma explicação interessante no blog Ilustrada no Cinema, o meu predileto quando o assunto é a sétima arte:
"E, outro dia, lendo uma entrevista com o cineasta malaio Tsai Ming-liang (“O Sabor da Melancia”) na revista “Sight & Sound”, me deparei com uma declaração interessantíssima.
O repórter conta que quando se encontrou com Ang Lee na época de “O Segredo de Brokeback Mountain”, o cineasta confessou que pegou muitos elementos gays de Tsai. “Eu sempre digo que a relação entre o Hulk e seu pai é muito Tsai Ming-liang”.
Quem viu “O Rio”, de Tsai Ming-liang, deve se lembrar da cena em que o rapaz vai à sauna gay e começa a se pegar com seu pai (e nenhum dos dois se dá conta direito do que está acontecendo).
Bem, esse era o Hulk de Ang Lee."
Reiterando: os quatro parágrafos acima são do Ilustrada no Cinema.
Já o seriado de TV é, até onde me lembro (não vi todos os episódios e faz muito tempo que os assisti), a melhor adaptação do Hulk para outra mídia.
Há o lado monstro; há a angústia de um autocontrole excessivo; o desespero de um mal aparentemente sem cura; e, apesar de todos os defeitos (especialmente o excesso de ira), a vontade, tão humana, de tentar ajudar o próximo.
O seriado não possui a qualidade técnica e estética dos filmes de Ang Lee e Louis Leterrier - na época, não havia tecnologia para tanto. Para mim, não faz falta na maioria dos casos - exceto na participações especiais de outros grandes heróis da Marvel, Thor (no longa "O Retorno do Incrível Hulk" e Demolidor (em "O Julgamento do Incrível Hulk"). Os figurinos ficaram tão feios, mas tão feios, que... Deixa pra lá. Se quiser ver esta pérola, há vídeos em que eles aparecem neste post.
Uma nova HQ do Sandman: adaptação de Caçadores de Sonhos
“Sandman” é a minha série predileta. "A" série. O primeiro número que eu
comprei foi o 38. Como sou levemente pé frio, a editora Globo cancelou esta
revista exatamente no número 38.
Por sorte, conhecia um cara que tinha a coleção nacional completa. Li
todos os 37 números anteriores e iniciei uma busca, que durou anos, sebos
adentro. Além disso, "assinei" a revista original (a norte-americana) - na
verdade, eu a encomendava via importadora Devir. Assim, enquanto Sandman não
saía mais no Brasil, li a série em inglês do número 50 ao 75.
Meu inglês não é perfeito, mas, mesmo assim, era fantástico. Cada noite que
eu chegava em casa e havia aquele pequeno pacote pardo com formato de "comic
book" era uma grande alegria.
"Sandman" foi publicada de 1989 a 1996 nos Estados Unidos - 75 números, fora
uma edição especial ("A Canção de Orpheus") e duas minisséries da Morte,
contando aqui apenas as HQs escritas pelo criador da série, o britânico Neil
Gaiman.
A série continua sendo republicada - nos Estados Unidos, primeiro em uma
coleção em fez volumes (que também está saindo aqui no Brasil, em uma edições
lindas da Conrad - nove já foram publicadas) e agora há uma nova reedição, “The
Absolute Sandman”, em quatro volumes. Será que esta também será lançada no
Brasil? Acredito que sim. Os fãs de Sandman são quase tiffosi, barrabravas (sem
a violência, claro)... São fanáticos. Eu sou, pelo menos.
Desde 1996, houve muitas séries criadas a partir de “Sandman”, explorando a
enorme gama de personagens coadjuvantes que Neil Gaiman deixou para trás. E
sempre há a expectativa de mais novidades. Houve um romance em prosa (“Os
Caçadores de Sonhos”, de 1999, comemorando os dez anos da série, lançada com
ilustrações do japonês Yoshitaka Amano), uma HQ comemorativa (“Noites Sem Fim”,
de 2003) e o boato, nunca confirmado, de um filme com algum envolvimento de Neil
Gaiman - ele teria dito que quer dirigir um longa-metragem estrelado pela
Morte.
Enfim, em 2009, a série completa 20 anos. Para comemorar, a DC lançará uma
versão em quadrinhos de "Os Caçadores de Sonhos", que será adaptada pelo ótimo
artista P. Craig Russell.
No vídeo abaixo, P. Craig Russell comenta como está a produção de "Os
Caçadores de Sonhos".
P. Craig Russell é experiente no ramo dos quadrinhos. Trabalhou na ótima
série "Elric", infelizmente pouco publicada aqui no Brasil. Desenhou duas
histórias de "Sandman": a número 50, "Ramadan" (o primeiro "Sandman" importado
que eu li: fantástico) e uma das histórias do especial “Noites Sem Fim” (a
estrelada pela Morte, a mais popular de todos os coadjuvantes do Sandman).
Russell já adaptou um texto em prosa de Gaiman:
"Mistérios Divinos", publicado originalmente como um conto no livro “Fumaça e
Espelhos”. "Mistérios Divinos" saiu no Brasil em janeiro de 2007. A tarefa de
Russell era transmitir as descrições feitas em prosa por Gaiman de conceitos
abstratos como o projeto de um universo em construção. As soluções que ele
encontrou, tanto para esses momentos como para as cenas mais prosaicas, são tão
boas que chega a parecer que Gaiman imaginou a história como se soubesse que ela
seria adaptada para quadrinhos. Não foi isso: a verdade, como constata quem lê
“Mistérios Divinos”, é que Russell é um grande artista, e que ele não se importa
em encarar desafios, desde que seja para narrar boas histórias.
"Os Caçadores de Sonhos" em quadrinhos não será uma história nova, mas não há
por que duvidar de que P. Craig Russell fará, novamente, um ótimo trabalho.
Paixões não correspondidas, casamentos, divórcios, um jovem preso, a dor do
desemprego, pessoas em crises, amores, mágoas e amizades. Conhece “Love and
Rockets”?
“Love
and Rockets” é uma revista que, na primeira edição, teve 50 números, publicados
de 1981 a 1996. A segunda série teve 20 números, de 2001 a 2007.
E daí?
Daí que a revista trazia histórias excelentes. Os artistas são dois irmãos,
Gilbert e Jaime Hernandez, cada um tocando suas histórias. (Mario Hernandez,
também irmão, colaborava).
Eu tenho uma coisa a dizer: eles são muito bons. Principalmente nas
histórias. Humanas, humanas. Gilbert, meu predileto, escreve sobre Palomar, um
vilarejo pobre em algum lugar da América Latina. Lá não há televisão ou
telefone, mas há coração. Pessoas com histórias, de finais felizes ou não - na
verdade, quase sempre sem finais. A vida vai seguindo, os personagens estão ali,
evoluindo.
As histórias de Palomar normalmente são curtas: dez páginas, em média. E como
possui um "elenco" fabuloso de tão humano, Gilbert pode variar, alterando o
personagem-narrador de uma história para outra... E sempre conseguindo
belíssimas narrações.
Tudo é importante em Palomar. Afinal, vivem lá seres humanos, como você e eu.
E alguns fatos, às vezes, são narrados repetidas vezes. Mas nunca da mesma
maneira: mudando o narrador, muda também a interpretação do fato, ou até a
importância dele. Algo que pode render uma história inteira na voz de um
habitante de Palomar pode virar uma cena de apenas um quadrinho para outro
personagem.
Qual o segredo de Palomar e, por extensão, de “Love and Rockets”? Excelentes
roteiros, mas não só.